Traficantes que ameaçam base da Funai não são do Sendero Luminoso

O grupo de traficantes armados que estão sendo avistados em solo brasileiro desde julho provavelmente não pertencem à guerrilha peruana do Sendero Luminoso, afirmou o superintendente da Polícia Federal do Acre, José Carlos Chalmers Calazane. A suspeita surgiu na seqüência da detenção do traficante português Joaquim Fadista, nos arredores da base da Fundação Nacional do Índio (Funai) no Alto Envira, perto da fronteira com o Peru.
Superintendente_da_PF
Ao ser detido, Fadista declarou que entrou no Brasil para acompanhar 2 peruanos que pertenciam à organização. Posteriormente, no depoimento formal, disse que a informação se baseava numa ‘suposição’ e que não conhecia os 2 homens. O português disse às autoridades brasileiras que guiou os peruanos em troca de dinheiro, mas a polícia disse acreditar que ele possa ter relações com o tráfico de drogas, crime pelo qual já foi condenado pelo menos 3 vezes.

Calazane acrescentou que, após as declarações de Fadista levantarem a suspeita, o adido da PF brasileira em Lima consultou as autoridades peruanas, que informaram que não há registros da presença do Sendero Luminoso na zona de fronteira em que ocorreu a entrada do português. Ao contrário do que as autoridades brasileiras têm divulgado até ao momento, o superintendente da PF disse que não há confirmação de que os invasores sejam traficantes. “Podem ser narcotraficantes ou madeireiros”, afirmou.

O responsável elogiou a atuação da PF, mas evitou rebater as críticas do ex-coordenador da Frente de Proteção Etno-Ambiental do Rio Envira José Carlos Meirelles, que continua no local. Em carta, Meirelles disse que as autoridades brasileiras estão a falhar nas buscas dos homens armados avistados por funcionários da Funai.

Segundo o superintendente, 25 homens da corporação realizaram ‘uma ação pontual’ na região, que durou 1 semana e resultou na prisão do português. “A Polícia Federal não pode ficar permanentemente naquele local, pois é uma polícia judiciária, que apura crimes após serem cometidos”, disse o responsável. Ele ainda disse que forças ostensivas assumiram o patrulhamento da região após a saída da PF. As Forças Armadas também serão deslocadas ao local. (Agência Angola Press)

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