Deputada ‘canta’ pela anistia aos militares na Aleac

A sessão de ontem da Aleac se transformou num espetáculo teatral. Depois de um debate acalorado sobre um projeto do deputado major Rocha (PSDB), que pede a anistia aos policiais e bombeiros que participaram de manifestações, a deputada Marileide Serafim (PMN) resolveu mostrar seus talentos artísticos. Após o discurso do líder do governo Moisés Diniz (PCdoB), Marileide ocupou a tribuna e começou a cantar “Carcará”, se fixando no refrão: “pega, mata e come”.
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Indagada sobre motivo da inspiração artística repentina Marileide, que teve seu dia de estrela, afirmou: “Carcará é o bicho do sertão. Foi uma forma de sensibilizar o Governo. É por isso que cantei. A gente precisa refletir que a liberdade é uma bandeira política desde a década de 70. E o líder do governo quando chega na tribuna se reveste de um outro personagem que não é ele próprio. Se for para fazer teatro a gente também sabe fazer até melhor. Hoje sou a Marileide e meu repertório musical é longo fora as minhas composições próprias”, declarou.

A polêmica sobre a anistia para os militares começou com o pronunciamento do deputado Denilson Segóvia (PSC). “Quando votamos e aprovamos o aumento de salário para os policiais e bombeiros sobraram algumas arestas sobre disciplina. Acho importante nesse momento o Governo estender a mão e anistiar todos os trabalhadores que lutaram pela melhoria dos seus salários. Mas o projeto foi arquivado. Na minha visão humana acho que devemos resolver o que ficou no passado. Queremos um estado de pacificação porque todos já estão trabalhando e a anistia é um braço estendido”, argumentou

Moisés Diniz: “não é hora de carnaval”
Conhecido como um dos maiores articuladores políticos na relação com sindicalistas, o líder do governo, Moisés Diniz questionou: “nós não vamos deixar a oposição fazer carnaval apresentando um projeto de lei para anistiar de qualquer jeito os militares. É preciso analisar caso a caso. Existem diferentes gradações de infrações. Tem o policial que estava de folga e se manifestou e aquele que estava de serviço e paralisou. Outros que fecharam o portão para não saírem as viaturas prejudicando a população. Vamos ouvir os setores competentes como o Ministério Público e a APGE para ver o que pode ser feito”, ponderou.

O questionamento do líder é a maneira da oposição conseguir a anistia. “Querem encurralar o Governo e a gente não vai aceitar. Isso será feito com tranqüilidade respeitando o direito de manifestação. Essa é a nossa marca. No Rio de Janeiro jogaram gás lacrimogêneo, spray de pimenta e cavalo em cima dos manifestantes. Aqui não fizemos nada disso e respeitamos o movimento porque somos um Estado democrático. Não vamos cometer nenhuma injustiça”, garantiu.

Walter Prado não acredita em punições
O presidente da Comissão de Direito Humanos da Aleac, deputado Walter Prado (PDT) duvidou que os militares estejam sendo punidos. “O projeto é justo. Ninguém pode ser punido por querer melhorar o salário. Nós deputados também nos reunimos para tratar dos nossos salários e ganhamos muito bem. Mas não creio que essa punição esteja acontecendo. Acho que é alguma coisa mais política. Juridicamente não há como prender alguém que reivindica salário. Conheço o governador Tião Viana e sei que isso não está acontecendo”, finalizou.

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