Simonia!

O termo Simonia deriva de Simão, o mágico. O Mago Simão, contemporâneo dos únicos e verdadeiros Apóstolos do Senhor Jesus Cristo, tinha uma multidão de seguidores pasmados com seu falso espiritualismo. Contudo não era convertido ao Cristo, pois que tentava satisfazer seus interesses egoístas. Nada entendia da Cruz e do sacrifício do Messias. Não mostrou o  menor desejo de “ser crucificado com Cristo”. Numa certa ocasião ofereceu determinada  soma aos apóstolos para deles obter o dom do Espírito Santo por meio do ato de impor  as mãos, como se fora possível obter com dinheiro as  prerrogativas espirituais ou mesmo autoridade apostólica (Atos 8.913, 18-24). Por tal atitude profana foi severamente re-preendido pelo Apóstolo São Pedro: “Vá tua prata  contigo à perdição, pois cuidaste adquirir com dinheiro o dom de Deus. Tu não tens parte neste ministério, porque o teu coração não é reto diante de Deus…”

Desditosamente, no nosso mundo atual, em que pontifica a esperteza, em detrimento do conhecimento,  há muitos seguidores de Simão. Está semana fiquei pasmo ao ver um desses filhos de pitonisa, oferecer em rede nacional de Televisão, às 12h30min “Carnê das Grandes Conquistas”. Cogitei, sobre a propriedade ou benefícios “poderosos” que esse tal carnê possui. É óbvio que não há nenhum benefício, salvo o de cevar a conta bancária do líder dessa “igreja.” Santa ingenuidade do povo brasileiro! 

Fui me informar sobre essa religião e constatei que esse movimento, apesar de ter seu início em 1998, isto é 12 anos, já possui 3 mil templos, espalhados, além do Distrito Federal, em 26 Estados brasileiros. Mantém 22 horas diárias num canal de televisão em São Paulo. Arrecada rios de dinheiro, extraídos, principalmente, da combalida economia do humilde cidadão brasileiro. Mas, o pior de tudo é que esta denominação, oriunda do movimento pentecostal ou neopentecostal, é uma das mais “fracas” de fiéis. Positivamente a vocação epistemológica que forjou o iluminismo antes da Revolução Francesa, não chegou até nós brasileiros. São miríades, dezenas de milhares, superlotando casas e galpões, diariamente, em busca de algo mais, advinda das promessas desses vendilhões da fé. 

A propósito desses seguidores modernos da antiga Simonia, a Revista Isto é, trouxe na edição 2183 de 14/09/2011, ampla reportagem com Sônia Hernandes, que atende pelo nome de “Bispa Sônia” da Igreja Renascer. Esta senhora foi àquela que tentou passar pela alfândega de Miami, nos Estados Unidos com US$ 56.467 em  espécie, sem declarar o valor real. Vale ressaltar que parte do dinheiro estava acondicionado, vergonhosamente, dentro de uma Bíblia. É a mesma que acumulou um rol de bens materiais que, segundo levantamento da promotoria de Miami,  abarcava, só nos EUA, quatro casas, uma mansão em Boca Raton, patrimônio avaliados em US$ 465 mil; títulos do Resort Las Palmas – condomínio com clubes e chalés em Avon Park – e pelo menos 14 automóveis, entre eles um Land Rover, um Mercedes-Benz, um Cadillac,  uma Van e uma gorda conta bancária.

Essa líder, de mentes incautas, mesmo com às acusações  de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e estelionato feitas pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, como diz a reportagem, continua sangrando o que resta da Igreja Renascer para manter o padrão vida nababesco que se habitou. Paradoxalmente, essa “bispa” ganha R$ 100 mil, mensal, se veste com as mais exclusivas  grifes e está sempre adornada com jóias e relogios caríssimos. Igualmente, o “apóstolo” lider da igreja que divulga o “carnê das grandes conquistas” ostenta, nos dedos, anelões que não se pode imaginar serem bijoterias.

A pregação desses “bispos e apóstolos”  além de mercenária é oriunda duma tal teologia da prosperidade, doutrina que é frontalmente contra os ensinos de Jesus Cristo. Teologia, esta, que à luz do pensamento bíblico, gera pobreza espiritual, violenta a graça de Deus e substitui as verdadeiras riquezas espirituais por ganância e desilusão. Essa prática, ainda, questiona a integridade de Jesus, pois ele afirmou que um discípulo não está acima de seu mestre ou o servo acima de seu senhor (Mt. 10.24); igualmente a de Pedro, pois este disse que fomos chamados para sofrer, uma vez que Jesus sofreu por nós e deixou o exemplo para seguirmos (1 Pe. 2.21); e a de Paulo, que ensinou que todos os cristãos experimentarão sofrimento (2 Tm.3,12).

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