Dilma embarca para os EUA e será 1ª mulher a abrir Assembleia Geral da ONU

Depois de passar dois meses voltada aos problemas domésticos, como a troca dos ministros da Agricultura e do Turismo, a presidente Dilma Rousseff se prepara para tentar conquistar um novo patamar no cenário internacional com o discurso que fará na abertura da 66ª Assembleia Geral das Nações Unidas na próxima quarta-feira.

Ela viaja hoje à noite aos Estados Unidos, acompanhada de 10 ministros, levando na bagagem a minuta do discurso em que será enfática na defesa da criação do Estado da Palestina, na necessidade de reforma nos organismos internacionais, como o Conselho de Segurança da ONU, e, ainda, fará os comerciais dos programas brasileiros: dirá, por exemplo, que o governo Lula tirou 40 milhões da pobreza e enfrentou a crise internacional de 2008 com um modelo de política de desenvolvimento com inclusão social.

Será a estreia de Dilma para uma plateia de mais de uma centena de chefes de Estado e de governo. Até então, o maior público desse porte da presidente brasileira tinha sido a reunião da Unasul, em julho, no Peru, com 12 chefes de Estado, quando teceu críticas à forma como os países ricos trataram da crise de 2008 e ainda usou a expressão “incapacidade política” para se referir às ações relativas ao combate à atual crise. Até então, o protagonismo de Dilma tinha se restringido aos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), em abril, durante a reunião na ilha de Hainan, e ao Boao Forum, o fórum econômico asiático equivalente ao Davos europeu.

A questão Palestina ganhou tanto peso para esse encontro que o presidente de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou esta semana que irá pessoalmente à ONU marcar uma posição contrária. Mas, embora Dilma defenda a criação da Palestina, o discurso será mais focado na crise econômica global e na necessidade de ampliar a voz de emergentes, como o Brasil e a Índia, na discussão dos problemas econômicos mundiais, uma vez que os dois países são hoje fontes de recursos para as nações ricas. Tanto é que houve um aceno de ajuda dos Brics à Zona do Euro, que atravessa uma grave crise financeira.

Dilma destacará o fato de ser a primeira mulher na história a abrir uma Assembleia Geral das Nações Unidas — que tradicionalmente cabe ao Brasil desde Oswaldo Aranha em 1947. Nesse quesito, a presença dela será carregada de simbolismo. Afinal, Dilma é vista como uma ex-guerrilheira, que sobreviveu aos porões da ditadura militar, e vai discursar numa Assembleia da ONU que tem como tema central este ano o papel da mediação na solução de disputas por meios pacíficos.

Nesse sentido, ela abordará também a primavera árabe, nome dado às rebeliões contra os regimes autoritários na região do Oriente Médio e a necessidade de maior ênfase ao que os especialistas chamam de “diplomacia preventiva”, ou seja, a resolução dos conflitos antes do uso da força. Dilma defenderá ainda a ampliação do diálogo, de forma a evitar que casos como o da Líbia se repitam. Afinal, foi uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que permitiu o ataque àquele país.

Outro ponto a ser abordado no discurso de Dilma é o meio ambiente e a agenda de desenvolvimento sustentável a ser detalhada no próximo ano, na Rio+20, a Conferência da ONU sobre meio ambiente marcada para junho de 2012 no Rio de Janeiro. (Correio Braziliense)

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