Índios marcham 600 Km contra estrada na Amazônia boliviana

Índios da Amazônia boliviana começaram na sexta sob forte chuva sua segunda caminhada de 600 quilômetros em menos de um ano contra o projeto de uma estrada que deve passar pelo meio da floresta apoiado pelo presidente Evo Morales.

A marcha, que vai da cidade tropical de Trinidad até La Paz, tentará repetir a imensa corrente de opinião pública antigovernamental que acompanhou um protesto semelhante no ano passado, em uma das piores derrotas políticas do mandatário indígena.

Líderes do protesto se mostraram desafiadores perante Morales, que nas semanas anteriores assinou vários convênios com povoados indígenas na busca de apoio para o polêmico projeto da estrada que, se construída, deverá atravessar o parque nacional Tipnis, no centro do país.

O governo reprimiu violentamente a 1ª marcha de defesa do Tipnis entre agosto e outubro de 2011.

“A marcha é um direito legítimo que respeitamos, embora a consideramos injustificada e até incentivada por alguns grupos da oposição”, disse o ministro do governo, Carlos Romero.

O governo anulou no início de abril o contrato de construção dessa estrada de 306 Km, concedida à empresa brasileira OAS e com orçamento de 420 milhões de dólares financiados em grande parte pelo Brasil.

A estrada deve unir o departamento central de Cochabamba, onde estão os cultivos de coca e região de Morales, ao distrito amazônico de Beni, um dos redutos da direita boliviana. Em seu trecho central, a rodovia deve atravessar o Tipnis, um parque de 1.200 Km² habitado por cerca de 12.000 índios. (David Marcado / Reuters Brasil)

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