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Farmacêuticos vão poder prescrever remédios vendidos sem receita

 Já está em vigor à nova resolução elaborada pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), que autoriza farmacêuticos a prescrevem medicamentos chamados MIPs, como também são conhecidos os remédios não tarjados, tais como analgésicos e fitoterápicos. O Conselho Federal de Medicina (CFM) já avisou que vai recorrer da decisão.
A iniciativa é fruto de discussões junto aos profissionais, acadêmicos e à população, através de consultas públicas por meio do site da CFF. O foco, entre outros benefícios, é legalizar a orientação feita pelos farmacêuticos para os usuários destes tipos de medicação.

 O presidente do Sindicato dos Farmacêuticos do Acre, Francisco Jusciner de Araújo Silva, afirma que, através desta resolução, as farmácias vão oferecer mais um serviço à comunidade.
“A orientação sobre a compra de medicamentos será feita pelo farmacêutico, profissional capacitado, e não por atendente de farmácia, o que é comum hoje em dia. Com a decisão, o farmacêutico pode prescrever medicamentos e, se for um caso mais grave, ele deve encaminhar a pessoa para um médico”, explica a presidente.
A diarista Irís Melo, que compra regulamente remédios como antitérmico e analgésico sem receita médica, diz achar que esta resolução não vai fazer diferença. “Sempre comprei. Se não apresento melhora em alguns dias, vou ao médico”, afirma.

 Os donos de farmácias e drogarias afirmam não acreditar em alteração na comercialização de medicamentos. Já que um dos maiores volumes de venda são analgésicos, antitérmicos e fitoterápicos.

 O CFF assegurou que vai orientar os profissionais a encaminhar quem apresenta um quadro clínico mais grave para uma consulta médica. De acordo com o Ministério da Saúde, em 5 anos quase 60 mil internações foram provocadas por intoxicação com remédios. Muitas vezes as pessoas não sabem que o remédio pode causar alergia ou tomam a dose errada.
Mudanças – O Conselho Federal de Farmácia pretende, com a resolução, ampliar a função do profissional que trabalha nas farmácias. O farmacêutico vai poder dar a receita para medicamentos que o brasileiro já compra sem precisar da prescrição médica. Hoje, a pessoa que sente uma dor de cabeça pode ir até a farmácia e levar um desses comprimidos para casa sem precisar ter passado pelo médico. É nisso que o farmacêutico vai ajudar.

 Atualmente, 25 dos 26 medicamentos mais vendidos no país não necessitam de receita médica. Na lista, 5 são remédios para dor.

CFM questiona – O Conselho Federal de Medicina afirma que vai questionar a medida, assim que ela for lançada. “Se o farmacêutico também prescrever a medicação analgésica, deixa o paciente de ter a 1ª chance de fazer qualquer diagnóstico de doença, porque uma simples dor de cabeça pode ser desde uma cefaleia comum ou um tumor cerebral”, diz o secretário do CFM, Desiré Callegari.