Ong denuncia descaso do Governo Federal com política humanitária para haitianos – Jornal A Gazeta

Ong denuncia descaso do Governo Federal com política humanitária para haitianos

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(Foto: Odair Leal/ A GAZETA)

A reunião interministerial marcada para ocorrer na próxima terça-feira (21/01) com integrantes da Saúde, Justiça, Casa Civil da Presidência da República e Governo do Acre tenta resolver “de maneira definitiva” um problema que se arrasta desde dezembro de 2010.

Quinze mil haitianos depois (fora os 1,2 mil que estão nesse momento em Brasiléia) percebe-se as consequências do descaso. “Essa situação atual não pegou nem o Governo do Acre e nem o Governo Federal de surpresa. O descaso e a demora construíram essa situação”, analisa a coordenadora de Política Externa da ONG Conectas, Camila Lissa Asano. “Nós já havíamos defendido a ideia de que a administração do abrigo deveria ter ficado sob a responsabilidade do Governo Federal”.

A Conectas é uma organização não governamental de defesa dos Direitos Humanos que acompanha a situação da imigração haitiana desde o início. Ano passado, uma missão da ONG veio ao Acre para verificar as condições de tratamento ofertadas pelo poder público brasileiro.

“A proposta de fechamento da fronteira, mesmo que temporário, é descabida, absurda, não resolve o problema e vai contra a lógica de uma política migratória pautada na defesa dos Direitos Humanos que o Brasil diz possuir”, denuncia a coordenadora da Conectas.

“Improviso violador” – Para a organização, a postura pelo fechamento da fronteira “é uma medida clássica de não respeito aos Direitos Humanos”. Asano também rebate o argumento do Governo do Acre que se esforça em mostrar o oferecimento de condições mínimas de dignidade aos imigrantes.

“Não se pode aceitar o argumento do Governo do Acre de que o tratamento humanizado serve de atrativo para imigrantes”, pontua a coordenadora. “Se o Brasil diz possuir uma política migratória pautada pela defesa dos Direitos Humanos, então garantir as condições mínimas de dignidade é o mínimo a ser feito. Garantir direitos não é privilégio”.

A representante da Conectas classificou ainda a proposta de fechamento da fronteira como um “improviso violador” de Direitos Humanos.

“Demorou a priorizar” – Em 2013, a divisão de competências e os custos operacionais da manutenção dos imigrantes em Brasiléia chegou ao ponto máximo entre as equipes do Governo do Acre e do Governo Federal.

Após muita discussão, chegou-se ao desenho de que o Governo Federal arcaria com a alimentação do grupo e o Governo do Acre daria a manutenção do abrigo (foi inclusive modificado os espaços improvisados, transferindo os imigrantes para um local maior) e trataria das ações em Saúde. Enquanto isso, o sistema de emissão de CPF’s e visto humanitário continuava em regime extraordinário.

Assessores do governo admitem nos bastidores que “este ano, a situação saiu do controle”. Pessoas ligadas ao próprio Governo do Acre afirmam, sem declarar publicamente, que o Governo Federal “demorou a priorizar” uma solução definitiva “enquanto o governo daqui ficou apagando os incêndios da rotina diária”.

De forma muito sutil, o governador do Acre, Tião Viana, soube expor isso, com todo cuidado que a diplomacia exige. “Em dezembro do ano passado, o Ministério da Justiça acordou com o nosso governo que o tempo máximo de permanência do imigrante em Brasiléia seria de três dias. Infelizmente, o Ministério não alcançou essa meta”, cobrou o governador Tião Viana em declaração feita após audiência realizada quinta-feira no ministério da Justiça.

Após cobrança, a solidariedade ao amigo e ministro José Eduardo Cardozo foi ato contínuo. “A equipe [do ministério da Justiça] continua preocupada com a situação e dando atenção ao caso”, disse Tião Viana.

Histórico expõe a demora na tomada de decisão
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(Foto: Assesoria)

Em dezembro de 2010, a população de Brasiléia recebeu visitantes inesperados. Começaram a chegar os primeiros imigrantes haitianos. Os primeiros grupos possuíam grau de escolaridade acima da média.

Vieram para o Brasil na expectativa de trabalhar nos grandes projetos de infraestrutura (usinas hidrelétricas), de obras para Copa e Olimpíadas ou em empresas do setor primário das regiões Sul e Sudeste, onde as possibilidades de absorção de mão de obra aumentam.

Naturalmente, esses primeiros grupos pressionaram as autoridades brasileiras a fazer valer a retórica da “política migratória pautada na defesa dos Direitos Humanos”.

A avaliação da dirigente da Conectas, Camila Asano, é correta quando afirma que a atual situação dos haitianos (três anos depois) “não pegou as autoridades do Governo Federal e do Governo do Acre de surpresa”.

Todos sabiam que o fluxo só tenderia a aumentar uma vez que a Caretera Interoceanica consolidou a rota organizada pelos coyotes para entrada no Brasil. O governo federal, inicialmente, nada fez.

O Governo do Acre, de um mês para o outro teve novas despesas. Alimentação, exames de saúde, hospedagem (até aluguel e pagamento de diária em um hotel de Brasiléia foi feito pelo governo local).

A manutenção dessa situação chegou ao limite. Foi então, que o Governo Federal, via Ministério do Desenvolvimento Social/Conab, começou a en-viar alimentação para os haitianos. Mas, a quantidade era insuficiente. Nesse instante, o fluxo já era de mais de 50 haitianos por dia.

O problema subiu até a agenda da presidente Dilma Rousseff. Ela cumpriu viagem oficial ao Haiti para tratar do assunto. Deliberou ações, criou-se o visto humanitário. Estabeleceu-se o limite de 100 vistos por mês. De nada adiantou. Já eram 60 haitianos por dia em Brasiléia.

O abrigo teve que ser modificado. O grupo teve que ser transferido para um ambiente com capacidade para 300 pessoas, segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos; 200 segundo a ONG Conectas.

Começaram a desembarcar em Brasiléia outros imigrantes vindos da República Dominicana e Senegal. Ano passado, foram registrados os primeiros conflitos entre haitianos e imigrantes dominicanos. A Polícia Militar interveio. Não houve mortes.

Empresas brasileiras do Sul e Sudeste sem reativar contratações fazem com que os imigrantes sejam forçados a ficar em Brasiléia. Para quase desespero das autoridades locais. “Da forma como está, aquilo ali é uma tragédia anunciada”, advertiu o secretário de Justiça e Direitos Humanos, Nílson Mourão.

Ele calcula que neste fim de semana é possível (se o fluxo continuar entre 60 e 80 haitianos por dia) que tenham 1,5 mil haitianos em Brasiléia. Em um fim de semana é possível que a cidade tenha 10% do volume de imigrantes dos últimos três anos.

Os imigrantes haitianos no Acre
Nílson Mourão *

A imigração haitiana para o Brasil, pela fronteira do Acre,  teve início em dezembro de 2010. Não parou mais, com momentos de pico e declínio. Já passaram pelo Acre mais de 15.000 imigrantes. Eles não ficam aqui, pois não é esse o seu objetivo. Aqui residem no máximo, 50 haitianos. Os demais seguem para o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Manaus e Rondônia. Por determinação do governador Tião Viana, todos receberam atenção humanitária: abrigo, mesmo austero, café da manhã, almoço, janta, documentação, atenção a saúde, atividades culturais e contratação para o trabalho. Em que país do mundo imigrantes irregulares são recebidos assim?

Todos temos consciência da tragédia natural que se abateu sobre o Haiti obrigando milhares de seres humanos, já pobres, a imigrarem pelo mundo. Entretanto, temos claro que a imigração irregular de haitianos para o Brasil é organizada por coiotes e traficantes de seres humanos. Mesmo assim, o Brasil mantém sua fronteira aberta, numa demonstração clara de humanismo e da solidariedade de nosso povo. Essa política, é certo, tem um preço: já foram gastos mais de 8 milhões de reais do Governo do Acre e do Governo Federal até novembro de 2013.

Vivemos agora uma grande crise, talvez a maior de todas. Nas anteriores o problema era a documentação, pois havia um descompasso entre a chegada dos imigrantes e a expedição dos documentos na Poícia Federal, na Receita, e no Ministério do Trabalho. Essa situação foi, basicamente, resolvida. O problema central agora é o número excessivo de imigrantes para serem acolhidos num espaço que absorve no máximo 300.

Juntamente com os colegas Reni Graebner, Antônio Torres, Cel. Gudim, fizemos hoje (16/01) uma vistoria no abrigo para ver a real situação dos imigrantes e dos nossos serviços.

A Situação no abrigo é desesperadora: 

– São 1.270 imigrantes (até 16h do dia 16/01) espalhados num espaço físico incompatível com esse número de pessoas;
– Colchões completamente deteriorados;
– Banheiros insuficientes e funcionando mal;
– Filas imensas na hora das refeições; fila especifica para mulheres e menores;
– 161 mulheres e 10 crianças e adolescentes;
– Alguns idosos;
– Os imigrantes estão inquietos e estressados aguardando contratações para trabalho sem conseguir, uma vez que são poucas as empresas que estão vindo para contratar;
– Ao mesmo tempo em que chegam mais imigrantes, muitos já estão mais de 30 dias no abrigo.

Nessas condições tememos pela ocorrência de alguma tragédia decorrente de violências e brigas na disputa por espaço; proliferação de doenças contagiosas; incêndio. Lembramos que até a presente data já passaram pelo abrigo 15.000 imigrantes, tendo ocorrido apenas um ato de violência devidamente contornado e superado.

É claro que precisamos urgentemente tomar medidas praticas para enfrentar os problemas de saúde, trocas dos colchões, limpeza do abrigo, banheiros, mais tendas e campanhas para atrair mais empresas. Cabe lembrar que precisamos um prazo para reduzir o numero de imigrantes no abrigo. Entendemos que esse objetivo não será alcançado com a fronteira aberta, pois o numero dos que entram é consideravelmente maior do que os que saem. Além disso, não existe em Brasiléia outros espaços de abrigamento. Um período sem entrar ninguém, nos permitiria estabilizar o abrigo em até 500 imigrantes. A partir dai é possível pensar na abertura da fronteira. Outra medida de longo alcance é incentivar empresas para que venham contratar os imigrantes.

Por fim, uma proposta mais definitiva está em elaboração entre o Governo do Acre e o Governo Federal, que poderá ser examinada na próxima terça-feira dia 21/01 em Brasília.

* Secretário de Direitos Humanos do Acre escreveu este artigo antes da audiência do governador Tião Viana com ministro Cardozo. Acre Economia manteve o texto por entender a importância do relato sobre as decisões da gestão pública.

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Direção do Via Verde Shopping se prepara para “rolezinho”

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(Foto: Odair Leal/ A GAZETA)

ITAAN ARRUDA

Direção do Via Verde Shopping garantiu que está pronta para o “rolezinho acreano”, marcado, nas redes sociais, para o próximo dia 26, um domingo. Assim como o condomínio de lojas, a Secretaria de Segurança Pública também assegurou monitorar as redes sociais como forma de se antecipar a possíveis problemas.

“Todas as providências pertinentes estão sendo tomadas pelo shopping para garantir a segurança de nossos clientes, lojistas e funcionários em qualquer situação que possa surgir”, diz administração do Via Verde Shopping por meio da assessoria de imprensa.

De forma tímida, a presença de jovens com o comportamento semelhante ao praticado no “rolezinho” no Sudeste do país já é sentido no Via Verde há algum tempo. Em grupos, eles chamam atenção pela vestimenta e pela forma de se portar: alguns gritam nas dependências das lojas, ensaiam corridas pelos corredores.

A equipe de segurança fica de prontidão. Em condições normais, não teriam condições de garantir a normalidade, caso houvesse algum problema, devido ao número de jovens. Mas, pela frase da assessoria, fica sugerido reforço na vigilância privada.

Por que os “rolezinhos” incomodam?
A charge de Jean Galvão da sexta-feira no jornal Folha de S. Paulo diz muita coisa. Claro: em tons que só os chargistas conseguem mostrar. A ilustração é dividida em dois momentos.

No primeiro quadro, um empresário movimenta os braços para chamar atenção e diz: “Ei, jovens! Eu apoio um rolezinho em minha loja”. No segundo quadro, o olhar do leitor se amplia e percebe-se que uma multidão de jovens transita em um corredor (supostamente de um shopping). Desolado, o empresário entristece-se. A loja dele, uma livraria, está completamente vazia, ignorada pelos adolescentes que se encaminham para onde aponta uma placa com as indicações “moda, cinema, alimentação”.

Os “rolezinhos” assustam por vários motivos. Alguns elementos causais, inclusive, se assemelham às manifestações de junho de 2013. Um ponto em comum, por exemplo, é a ausência de um líder. Não há a figura do “condutor das massas”. Há a massa. E vem em ritmo de funk (para alguns, outro motivo de susto). Outra característica evidenciada pelo “rolezinho” é a força e agilidade de mobilização das redes sociais quando existe um argumento comum.

A juventude do Acre, que ainda não encontrou um jeito próprio de se manifestar, também já anunciou uma cópia de “rolezinho”. No Via Verde Shopping, claro.

E o chamamento vem com a gramática e o tom bem contemporâneo. “Galera tem que ir vestido de Vetinho (da periferia) nada de ficar parecendo um burguês de merda” ou “É só um rolezinho // tamo junto”. São algumas frases postadas em redes sociais convocando para o encontro em Rio Branco.

O “Vetinho” dito acima, na verdade, trata-se de MC Vertinho, uma referência para muitos adolescentes da periferia dos grandes centros urbanos do Sudeste e Nordeste. É um desses fenômenos de consumo no circuito “off”. As letras em ritmo funk tratam do cotidiano da periferia de uma grande cidade.

Outro aspecto que espanta no fenômeno “rolezinho” traz uma gênese evidentemente preconceituosa. Em São Paulo, onde a onda iniciou, algumas administradoras de shopping centers entenderam ser perigosa a prática e conseguiram uma liminar na Justiça prevendo multa de R$ 10 mil para quem participasse do movimento e atrapalhasse o consumo alheio.

Perigosa, de fato, é a ideia de que jovens de periferia reunidos devem ser tratados como bandos de marginais prontos a atacar lojas ou a roubar o Big Mac Feliz da criança treinada para “amar muito tudo aquilo”, como diz o slogan da franquia norteamericana.

O debate sobre espaço público X espaço privado é uma discussão caolha, mas, o fato é que o fenômeno “rolezinho” trouxe a discussão à tona. Shoppings centers são espaços privados. Ponto. Ocorre que nenhum empresário constrói um shopping para brincar sozinho dentro dele. O empresário constrói o espaço provado para ser uso coletivo. Há, inclusive, espaços feitos para o coletivo: praça de alimentação, parques de diversões, teatros (em shoppings maiores).

Uma sutileza que aponta para uma postura duvidosa, no entanto, remete às declarações de alguns agentes públicos. O governador de São Paulo, por exemplo, disse uma meia verdade sobre o assunto. “Rolezinho não é problema de polícia”, afirmou o governador.

Os “rolezinhos” não são, efetivamente, casos de polícia. Mas, são, sim, casos de “política”. A afirmação do governador de São Paulo sugeriu que os possíveis problemas ocorridos nas dependências dos shoppings são de responsabilidade dos empreendedores. Não é caso de política pública.

Esse é um equívoco. Os jovens de periferias, em muitos casos, são excluídos de espaços de lazer. O governador disse que “antigamente, dava rolezinho na praça”. Pois é. Em muitos casos, não há mais praça.

Não foi à toa que os shoppings foram os locais escolhidos. Ali, os símbolos de um mundo bom estão em todos os lugares. Não se trata de querer vitimizar a juventude das periferias dos centros urbanos. O problema é que as mobilizações com causas sociais e econômicas exigem complexidade na análise que atormenta soció-logos e gestores públicos.

No Via Verde Shopping, o “rolezinho” tem todos elementos para ser um fenômeno interessante. Pelo óbvio: se o observador for atento, perceberá que nos três natais do condomínio, os “rolezinhos” são rotina.

Sem dinheiro para comprar, muitos consumidores em potencial vão para “o shopping acreano” dividir o ar condicionado, passear, tomar um refrigerante… quando muito, com pão de queijo. No fim do mês, um cineminha.

Ainda sem intimidade com organização de movimentos como esses, o anúncio com tanta antecedência pode ter sido um erro. Em função disso, é possível que ocorra três coisas: 1) a administração do Via Verde pode fechar o prédio no dia 26, domingo; 2) para não transmitir uma imagem de intolerância, a administração do shopping pode manter o prédio aberto, mas os lojistas podem decidir fechar os estabelecimentos ou 3) os meninos, antecipando-se a isso tudo, resolvam dançar funk antes da data anunciada.

A administração do Via Verde informou que “todas as providências pertinentes estão sendo tomadas pelo shopping para garantir a segurança de nossos clientes, lojistas e funcionários em qualquer situação que possa surgir”.

Para se harmonizar com o que ironizou o chargista da Folha de S. Paulo, Jean Galvão, o único que pode ficar menos aperriado no domingo, dia 26, no Via Verde Shopping é o empresário Fernando Lima, dono da Livraria Nobel em Rio Branco. Ou não.

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(Foto: Divulgação Internet)

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Empresa brasileira faz primeira importação da China, via Peru, ao Acre

portocallaoA empresa Engeplan Importação e Exportação Ltda, estabelecida em Rio Branco, Acre, Brasil, concretiza nesta semana a primeira importação de produtos chineses ao Brasil, diretamente do porto Da Chan Bay, China, ao porto de Calao, Lima, Peru, e, em trânsito utilizando transporte multimodal pela Carretera Interoceânica, à Rio Branco, Acre.

Os produtos transportados pela via marítima à Lima compõem ao todo 6 conteiners de 40″, suprimentos para a montagem de bicicletas elétricas da marca Nature Bike, cuja fábrica está estabelecida na Capital do Acre. Foram 40 dias de transporte marítimo à Lima e serão mais 1990 km de transporte terrestre até Rio Branco, logísticas operadas pelas empresas peruanas Sea Land e Terracargo SAC, respectivamente.

Para o representante da empresa Engeplan que se encontra em Lima para acompanhar todos os trâmites, advogado brasileiro Cassiano Marques de Oliveira, essa operação é inédita e histórica. “Há muitos anos que nossos países investem na promoção dessa rota, inclusive com a construção da Carretera Interoceânica. Para nossa empresa Engeplan é um orgulho e alegria concretizar essa inédita operação comercial, que diminui custos de logística e de tempo de trânsito das mercadorias. Ressaltamos a confiança nos parceiros privados e o apoio público que sempre tivemos do governo do Peru, por meio do seu consulado em Rio Branco, e dos governos do Brasil e Acre, respectivamente através do Ministério das Relações Exteriores, da Embaixada do Brasil em Lima e Secretaria de Estado de Desenvolvimento Florestal, da Indústria, do Comércio e dos Serviços Sustentáveis”, destacou o empresário que atua como consultor pela empresa EME Amazônia.

Para o sócio da Engeplan, empresário Márcio Rebouças que se encontra no Brasil acompanhando os trâmites de recepção da carga, essa operação é fruto de muitos anos de dedicação ao comércio exte-rior. “Fomos pioneiros no comércio com o Peru, utilizando a Carreterra Interoceânica, agora somos pioneiros na importação da China, utilizando transporte multimodal.

Anteriormente importamos suprimentos para a nossa fábrica via Manaus, mas avaliamos ser mais competitivo esse novo caminho. Essa operação abre oportunidades para outras empresas brasileiras, em especial da região amazônica, para diminuírem seus custos e tornarem-se mais competitivas”, afirmou. (Assessoria Engeplan)

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Turismo gera 24 mil empregos no Acre, afirma governo

Desafio é intensificar o turismo interno, evitando a fuga de dinheiro que ocorre para regiões tradicionais como o Nordeste brasileiro

ITAAN ARRUDA

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Secretaria de Estado de Turismo e Lazer confirma a informação de que o setor gera diretamente 24 mil empregos no Acre. O dado compõe relatório confeccionado ao longo dos últimos três anos.

Indiretamente, são cerca de 47,3 mil empregos gerados pela cadeia turística. O desafio no setor é a qualificação profissional. Colaboradores nas empresas que falam, ao menos o espanhol é coisa rara.

O paradoxo é que, ao menos nos números oficiais, o setor registra expansão. De 2010 até o ano passado houve crescimento de 42% no número de abertura de agências de turismo.
A área de alimentação foi a que registrou o maior aumento percentual, com registro na Setul. Saiu de 4, em 2010, para 74 no ano passado. Esse dado expressa mais a atualização do cadastro da Setul.

A secretaria segue o programa federal Cadastur. A metodologia desse cadastro contabilizou que, atualmente, o Acre tem atualmente 4.553 leitos, divididos em 74 hotéis.
Turismo de aventura e valorização de expressões culturais, com foco em aspectos como religiosidade e história do Acre podem ser segmentos estratégicos. Para a Setul, o fortalecimento do turismo interno, fazendo com que o acreano possa conhecer o Acre é um dos desafios.

A pavimentação da BR-364 é o instrumento estratégico para isso. O fortalecimento do turismo interno é uma medida para fazer com que o dinheiro do acreano circule aqui dentro do Estado.

Todos os anos, a fuga de capitais para fora do Estado com custos de estadia, alimentação, transporte. É dinheiro do Acre que desembarca sobretudo no Nordeste.

Profissionais experientes do setor turismo no Acre asseguram que o perfil do turista que vem para a região “se satisfaz com o mínimo de conforto e se encanta com as coisas mais simples”.

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NOTAS ECONÔMICAS

Fieac I
Nos dias atuais, entrar na Fieac sem ser esperado, como quem nada quer, é um lamento. O prédio está quase silencioso. Nem de longe lembra tempos recentes. Em pleno horário comercial, impera a calmaria.

Fieac II
O conturbado ano de 2013 parece que ainda não acabou. O setor da construção civil, um dos que mais emprega no Acre, passa por séria crise. O fato é que 2014 ainda não começou para muitos empresários. A calmaria na Fieac só reflete esse cenário.

Vento
O Governo do Acre não quer ser âncora. Prefere a imagem do vento, que aponta rumos e dita ritmo. A Seop mantém homens trabalhando em 108 obras das 165 que estão sob o leme oficial. São R$ 377 milhões circulando. Mas, os resultados insistem em não aparecer.

R$ 11 milhões
Informações mega/ultra/extra oficais contabilizam em R$ 11 milhões o montante do patrocínio da Telexfree Internacional para o Botafogo. A empresa não divulga oficialmente o montante. E nem é obrigada a isso. Tá certa! Agora… que foi uma decisão inteligente… há que se concordar que foi!

“Né pôca coisa, não!”
Por ser a segunda marca a compor a camisa dos atletas, esse montante não é pouca coisa, não. A segunda logo (menor) custa entre R$ 3 e R$ 7 milhões. Esses meninos não estão para brincadeira!

Fecha o pano
Mas, como o próprio diretor deste matutino, garotinho Silvio Martinello, já pediu (com todo respeito inclusive às instituições fiscalizadoras da lei): “Deixem o Botafogo em paz!”. O bicho já se atrapalha nas próprias pernas. Então, baixa o pano!

NÍlson Mourão I
Um aspecto precisa ser enaltecido sobre o secretário de Justiça e Direitos Humanos do Acre, Nílson Mourão. Além de ser um secretário acessível, não se esquiva de responder à imprensa. Quando não pode atender, retorna. É uma exceção.

NÍlson Mourão II
Outro detalhe: na condição de responsável pela pasta dos Direitos Humanos a defesa da polêmica ideia de fechamento da fronteira exigiu sangue frio. Só o desespero é capaz de responder por isso. A lentidão do Governo Federal em tomar decisões aumenta o peso da responsabilidade da Sejudh na manutenção dos imigrantes na fronteira.

NÍlson Mourão III
Nesta edição, o secretário escreve um artigo em que pondera os motivos que o levaram a arquitetar a proposta de fechamento da fronteira. O texto foi confeccionado antes da audiência do governador com o ministro.

NÍlson Mourão IV
Mas, o suplemento Acre Economia decidiu mantê-lo para que o leitor tenha dimensão dos problemas gerenciados por quem toma decisões para que “uma tragédia” seja evitada.

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Acreanas

Lamparinas

Entre outras coisas, as anedotas expõem algumas verdades. Uma delas, por exemplo, mostra como alguns empresários acreanos, amparados por uma boa dose de esperteza, foram acumulando dinheiro ao longo do tempo.

Contam os empreendedores mais antigos que o velho Tuffic Assmar viu com irritada desconfiança a chegada da eletricidade em tempo integral a Rio Branco. A Casa Assmar era uma das que mais vendia lamparinas e lampiões na cidade. Era concorrente direta da Casa Yunes.

Com energia em tempo integral, ninguém mais precisava dos dois objetos, agora antiquados, de uma hora para outra. O tempo foi passando e as lamparinas e lampiões se empoeirando “no prateleira” da Casa Assmar. Estoques inteiros sem vender.

Tuffic pensou… pensou. Chamou cinco garotos adolescentes do bairro Cidade Nova. “Olha! Vocês vão até ‘o loja’ do Yunes e pergunta todo dia: ‘Quanto custar lamparina, Sr. Yunes’? Todo dia mesmo, hã”!?, orientou, cheio de sotaque e gramática própria.

E assim foi: dia após dia, a molecada se revezava na pergunta, deixando um sussurro no meio da boca: “Tá caro. Lá no Seu Assmar tá mais barato”! A frase era malandramente despretensiosa, como quem já vai saindo da loja.

O velho Camilo Yunes, com estoque de lamparina baixo, se invocou. Foi até a loja do amigo: as prateleiras cheias de lamparinas. “Dia, patrício! Vendendo muita lamparina?”, perguntou Yunes. Assmar, com sorriso invisível: “Muito. Nunca vi sair tantas”, calculou.

“O amigo não me venderia um lote?” A negativa veio em tom irritadiço. “De forma alguma! Tô vendendo bem! Muita saída! De jeito nenhum!”, bronqueou Assmar. “Mas, homem, você está com tantas! Um lote a menos…”, ponderou Camilo.

“Só vendo se for tudo”, atirou Tuffic. No mesmo dia, o negócio foi concluído. O estoque todo passou para as prateleiras da Casa Yunes.


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