Obras de linhas de transmissão do Acre e Rondônia estão mais de mil dias atrasadas

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Os atrasos nos projetos de transmissão de energia já chegam a quatro anos – ou mais de 1.500 dias. Na média, o descumprimento do cronograma supera em 13 meses o prazo original, previsto no contrato de concessão, segundo relatório da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O documento avaliou as obras concluídas após dezembro de 2010 ou que estavam em andamento até dezembro do ano passado.

 O resultado mostra uma piora gradual no setor de transmissão nos últimos anos. Com o aumento das licitações de novas linhas para reforçar o sistema nacional, as obras passaram a conviver com os mesmos problemas que emperravam os projetos de geração de energia. Além disso, o não cumprimento dos prazos prejudicou o planejamento do setor, que licita os trechos prioritários de acordo com a previsão de aumento de demanda.

 Segundo o Ministério de Minas e Energia, 71% de todas as obras de transmissão estão com o cronograma atrasado. Embora a lista de fatores para justificar os atrasos seja extensa, o principal motivo está na área ambiental. “O tempo para obtenção das licenças ambientais é alto”, afirma o superintendente de Fiscalização de Serviços de Eletricidade da Aneel, José Moisés Machado.

 Na média, o licenciamento de um projeto de transmissão demora 17 meses para ser concedido, segundo dados da Associação Brasileira das Grandes Empresas de Transmissão de Energia Elétrica (Abrate). “No começo, a transmissão não tinha problema ambiental. Agora, de repente, começou a atrapalhar”, afirmou o diretor executivo da Abrate, Cesar Pinto.

 Licenças ambientais. Essa é uma das principais explicações das empresas que encabeçam a lista das obras mais atrasadas, segundo o relatório da Aneel. Entre elas a Jauru Transmissora de Energia (1.573 dias), Transenergia Goiás (1565 dias) e Interligação Elétrica Sul (1131 dias). No 1º caso, a linha envolve a interligação do sistema isolado Acre-Rondônia ao Sistema Interligado Nacional – obra de extrema importância para melhorar a qualidade de energia para a população dos dois Estados, que sofre com constantes desligamentos.

 O sistema entrou em operação em 2013, depois de dois autos de infração aplicados pela Aneel, apesar de a empresa argumentar problemas na obtenção da licença ambiental. A Aneel reconheceu o atraso de 824 dias para conseguir o licenciamento, mas reclamou da demora para iniciar a obra após a liberação pelo órgão ambiental.


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