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DEU NA REVISTA ÉPOCA: Castanha-do-Brasil aumenta renda de produtor acreano e mantém floresta em pé

A Gazeta do Acre por A Gazeta do Acre
05/05/2015 - 15:52
(Foto: Haroldo Castro Época)

(Foto: Haroldo Castro Época)

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Milhares de sacos de castanhas são entregues à usina da Cooperacre em Brasiléia, sob o olhar atento de Felícia Maria Nogueira Leite, engenheira agrônoma (Foto: Haroldo Castro Época)
Milhares de sacos de castanhas são entregues à usina da Cooperacre em Brasiléia, sob o olhar atento de Felícia Maria Nogueira Leite, engenheira agrônoma (Foto: Haroldo Castro/ Época)

Torrada ou in natura, misturada na granola ou em doces, usada no preparo de bolo e biscoitos, para fazer leite ou em receitas de arroz, a castanha-do-brasil é um fruto da Amazônia de alto teor nutritivo e saboroso de dar muita água na boca. A castanheira é uma rainha da floresta: pode atingir 50 metros de altura, uma das mais altas da Amazônia. Suas sementes, encontradas em ‘ouriços’ que podem pesar dois quilos, são ricas em fibras e selênio.

Nutricionistas dizem que um punhado dessas castanhas no café da manhã ajuda a retardar o envelhecimento, a fortalecer o sistema imunológico e a evitar doenças como o câncer. Difícil é parar de comê-la. Não é à toa que a castanha-do-brasil, também conhecida como castanha-do-pará, tornou-se um dos principais produtos da Amazônia consumidos no Brasil e no mundo.

Ainda que no exterior o fruto seja conhecido como Brazil Nut, seu principal exportador não é o Brasil, mas a Colômbia. As taxas elevadas de desmatamento no Brasil – resultado do crescimento econômico desordenado, causado principalmente pelas madeireiras, pela pecuária e pelas plantações de soja – atingem também as nossas castanheiras. Hoje, a Bertholletia excelsia faz parte da lista de espécies ameaçadas do Ministério do Meio Ambiente e está protegida por lei.

Ao viajar pela Amazônia para documentar os principais produtos não-madeireiros para o projeto Florestabilidade, as castanheiras estavam no topo da lista de prioridades. Passei diversos dias no Acre acompanhando o trabalho de algumas famílias de extrativistas que fazem parte da Cooperacre, central que une 25 cooperativas e associações espalhadas em mais de 10 municípios do Estado, formada por quase duas mil famílias nas regiões do Alto Acre, Baixo Acre e Purus.

O trabalho da extração da castanha é árduo. A safra de castanha dura cerca de sete meses. Nessa época, os extrativistas passam grande parte do tempo dentro da floresta efetuando a coleta.

A castanha cai do pé naturalmente e a coleta deve acontecer com certa rapidez para evitar que o contato com a umidade do mato comprometa a qualidade da semente. Com a ajuda da “mão de onça”, um bastão feito para agarrar os ouriços da castanha sem precisar se curvar até o chão, cada trabalhador consegue encher diariamente 60 cestos de ouriços.

Depois de abrir o ouriço e limpar as sementes no local de coleta, é preciso levar as de boa qualidade à cooperativa. O transporte da floresta até a sede pode ser feito em lombo de animal e levar alguns dias. Algumas comunidades preferem carregar os frutos em canoas, mesmo se correm o risco de que as embarcações também e despejem as castanhas no rio.

Para mudar essa realidade, uma das soluções da Cooperacre foi tentar aperfeiçoar toda a cadeia de produção da castanha e criar uma certificação. Para isso, localizaram as castanheiras mais produtivas, cadastraram as famílias que trabalham com o produto, selecionaram as melhores práticas de coleta, armazenamento e embalagem e rastrearam toda a produção da castanha. Com isso, a Cooperacre triplicou sua capacidade de compra em poucos anos.

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Grande parte da produção da região de Brasileia chega na Usina de Beneficiamento de Castanha da Cooperacre. Usando uma tecnologia de ponta, a centrifugadora consegue abrir a castanha sem que seu fruto seja quebrado. O processo garante uma alta porcentagem de sementes perfeitas, prezadas pelo consumidor no Brasil e no mundo. A seleção manual antes da embalagem à vácuo também é rigorosa.

Com um bom manejo sustentável e um constante treinamento dos extrativistas, a produção de castanha-do-brasil não só tem crescido em qualidade e quantidade, mas também vem permitindo que as famílias dos castanheiros tenham uma melhor qualidade de vida. Não resta dúvida que a floresta em pé tem muito mais valor do que destruída! (Haroldo Castro e Giselle Paulino / Revista Época)

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