Um ano após transplante, paciente volta à rotina e faz planos para o futuro

Com ajuda da esposa, Lúcio está quase 100% recuperado
Com ajuda da esposa, Lúcio está quase 100% recuperado

Uma ligação inesperada, no dia 31 de março de 2014, mudaria definitivamente a vida do vigilante Lúcio César Leite. Ele e a mulher Ivaneiz Alves jamais imaginavam que aquela ligação devolveria a esperança e alegria ao casal e a toda família. Do outro lado da linha alguém da equipe da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) anunciava o resultado positivo de um exame de compatibilidade, realizado entre Lúcio e um possível doador de órgãos.

Em 2013 o vigilante foi diagnosticado com cirrose hepática. Os médicos avaliaram que somente um transplante de fígado salvaria a vida dele. A partir daí começava uma incessante busca por um doador. Lúcio seria o primeiro paciente da região Norte a passar por um transplante de fígado realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O órgão foi doado por uma família acreana.

“Eu e minha mulher, meus familiares, passamos por momentos terríveis. Cheguei a ficar internado, várias vezes. Na última internação, até pensei que não suportaria. Receber aquela ligação com a notícia do transplante foi o começo da minha vitória”, contou o paciente.

A doença fez o vigilante perder 20 quilos, ser afastado do trabalho e mudar radicalmente a alimentação. A cirrose hepática diagnosticada em Lúcio se deu em decorrência de uma Hepatite B. Em menos de 5% dos casos, o vírus da hepatite B persiste no organismo e evolui para uma doença crônica.

No dia 5 de abril de 2014, Lúcio foi submetido ao procedimento cirúrgico no Hospital das Clínicas de Rio Branco (HC). “Renasci. Não sei o que aconteceria comigo caso eu tivesse que aguardar mais tempo ou se eu tivesse que fazer essa cirurgia em outra cidade”, relembra emocionado.

Um ano após o procedimento, Lúcio ainda faz tratamento, mas se recupera bem do transplante e faz planos para voltar ao trabalho, que foi a única atividade que ainda não voltou a exercer. “O que eu mais desejo é voltar a trabalhar, mas ainda não foi possível por conta do tratamento que eu preciso seguir para estar 100% saudável”, disse.

Transplantes no Acre
Desde a realização do primeiro transplante, até o mês de abril oito pacientes foram submetidos ao procedimento. A cirurgia, que é de alta complexidade, leva de seis a oito horas. No Estado o procedimento é realizado por médicos de São Paulo e Acre, sob a coordenação dos especialistas Isamu Lima e Tércio Genzini.

As equipes de saúde e o HC passaram por um processo de adaptação e mudanças para que pudesse oferecer as condições ideias para a realização dos transplantes de fígado do Estado. (Paula Amanda / Agência Acre)

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