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“O momento é de contenção de despesas e planejamento”, alerta economista

Gesner esteve no Acre para participar do XII Encontro de Revendedores de Combustíveis. (Foto: Odair Leal/ A GAZETA)
Gesner esteve no Acre para participar do XII Encontro de Revendedores de Combustíveis. (Foto: Odair Leal/ A GAZETA)

O economista, Gesner Oliveira, Ph.D em Economia pela Universidade da Califórnia/Berkeley e sócio da Consultoria GO Associados, veio ao Acre para participar do XII Encontro de Revendedores de Combustíveis da região Norte e ministrar uma palestra sobre a perspectiva para a economia brasileira. Na oportunidade, o especialista visitou a redação do jornal A GAZETA e, além de falar sobre a crise econômica, fez algumas recomendações à população. Segundo Oliveira, o “momento é de contenção de despesas e planejamento”.

Para o especialista, a crise econômica vivida pelo Brasil possui três causas: o esgotamento do modelo de crescimento, equívocos da política econômica e movimento da economia internacional desfavorável.



“A política econômica tentou comprimir o que não dá, por exemplo, os preços administrados ficaram artificialmente controlados. Isso gerou um problema fenomenal. Se você tampa a válvula da panela de pressão ela funciona por um tempo, mas depois explode, e foi o que aconteceu. Do ponto de vista da política econômica houve equívocos sérios que agravaram a crise”, explicou.

Oliveira destaca a Operação Lava Jato, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em 2014, que visa desmontar um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou centenas de milhões de reais. Para ele, a Operação foi o empurrão para o avanço da crise econômica.

“Se de um lado é positivo, se há irregularidades é preciso investigar, combater e punir. De outro lado, afetou fortemente os investimentos da Petrobras, e de grandes grupos. Então esse efeito lava jato funciona como uma espécie de empurrão em doentes. Se a economia já estava ‘cambaleando’ essa foi à empurrada final”, relatou o economista.

O especialista acredita que em 2016, algumas melhoras acontecerão no atual cenário de crise econômica. Para as famílias, Oliveira faz algumas recomendações como evitar desperdícios, revisar as contas domésticas e verificar o que pode ser adiado (reforma da casa, viagem para o exterior etc).

“É hora de planejar o plano de previdência, as aplicações de forma que rendam o máximo possível. É também um momento para os desempregados fazerem uma qualificação profissional ou reciclagem, a crise também trás oportunidades para todos”, afirmou.

Para as empresas e empresários o momento é de esforço, aumento de produtividade e investimento em capital humano. Ainda de acordo com o economista, a crise cria momentos de reflexão e desafios, o antigo modelo de produção não é mais eficaz, ou seja, é hora de repensar e mudar.

“É um momento de inovação, de reinventar e, não necessariamente conter verbas de investimentos em publicidade, talvez esse seja o momento. Não precisamos ter medo da crise, precisamos respeitar a crise”, acrescentou.

Otimista, Oliveira conta que o Brasil tem todas as condições de superar a crise, em aproximadamente três anos.

Como o valor do dólar influencia na crise?
O dólar já teve seus “altos e baixos”. Na época de dólar barato, as compras e dívidas dessa moeda ofereciam “conforto” para quem consumia produtos importados. Porém a indústria brasileira era atingida, pois ofereciam produtos mais caros e perdia competitividade no mundo de importação. Hoje, o dólar está em alta e com isso, o custo de vida aumenta, mas por outro lado estimula as exportações. “Aquilo que estava andando muito devagar, as exportações, podem andar mais rápido porque o dólar é muito estimulante para o exportador. Isso é um estímulo para a economia”, disse o economista.

Se de um lado o mercado é fortalecido, por outro lado ele o turismo para brasileiros é enfraquecido. Viajar para o exterior, por exemplo, custa caro. “O brasileiro vai se sentir ‘mais pobre’ em Nova York”, exemplificou Oliveira.

Combustível acessível para todos no Acre
Segundo o economista, o alto valor cobrado pelo combustível no Estado está diretamente ligado à infraestrutura, custo do frete e do sistema de estocagem. “Para que o consumidor acreano tenha o combustível mais barato, assim como outros produtos, é fundamental melhorar a infraestrutura, para o programa de concessões de ferrovias é muito importante”, garantiu.

Oliveira ressaltou que investir em infraestrutura pode ser a grande chance de retomar a economia. Ele acredita que o sistema de transporte no Brasil foi uma opção escolhida em meados do século XX: “Houve pouca ênfase na ferrovia, nossas capitais demoram muito para desenvolver linhas de metrô, nosso sistema urbano é muito baseado no transporte individual, que é caríssimo e ineficiente”, justificou.

Além disso, o transporte coletivo e limpo é a solução para diversos problemas. Tudo precisa ser pensado e planejado para ser eficaz futuramente. “O transporte com o carro deve ter estímulos como a ‘carona solidária’. Você anda com três espaços vazios, você poderia transportar três pessoas e bater um bom papo. A tecnologia permite que você se conecte a uma plataforma e informe seu percurso diário, e assim encontrar várias pessoas que fazem o mesmo percurso. Isso melhora o trânsito e torna o transporte mais barato, são inúmeras as opções, assim como o uso da bicicleta”, concluiu o economista.

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