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“Tenho procurado fazer meu trabalho dentro da Aleac sem tirar os pés das ruas”, afirma Jenilson

Jenilson diz sentir falta da vida como médico, mas acredita que pode contribuir mais na política. (Foto: Agência Aleac)
Jenilson diz sentir falta da vida como médico, mas acredita que pode contribuir mais na política. (Foto: Agência Aleac)

Passado seis meses desde que assumiu uma das 24 cadeiras do parlamento estadual, nesta nova legislatura, o deputado Jenilson Leite (PCdoB), faz uma avaliação de seu mandato. Segundo ele, a nova legislatura vem trabalhando no sentido de exercer com empenho e dedicação à função.

Questionado quanto ao enfraquecimento de seu partido nas últimas eleições, o parlamentar é categórico ao afirmar que o PCdoB continua sendo o 2º maior partido do Acre. Ele lembra que novas eleições surgirão e a sigla poderá recuperar as cadeiras que perdeu recentemente.



“Enfraquecido não cola com PCdoB. Somos o 2º maior partido do Acre, estamos nos sindicatos, nas direções de bairros, de escolas, nas câmaras de vereadores (…). Nossa ferida reside na perda de espaço na Aleac e na Câmara Federal, mas vem eleição pela frente e teremos oportunidade de cura”, disse.

Quanto à avaliação de seu mandato no 1º semestre de atividade no parlamento estadual, ele prefere deixar por conta da população. Jenilson lembra que desde que iniciou o mandato tem procurando não se distanciar do povo.

“O que posso dizer é que tenho me esforçado muito para representar bem o povo de nosso Estado. Tenho procurado fazer o meu trabalho dentro da Aleac sem tirar os pés das ruas e sem deixar de emprestar os ouvidos para a voz das pessoas”, falou.

Em relação aos embates entre a base governista e a oposição, o deputado ressalta que têm transcorrido dentro de um nível de respeitabilidade.

“Defender seu ponto de vista é fundamental na vida política, o que muitos erram é confundir o político com o pessoal”.

A GAZETA – Como foi para o senhor deixar sua cidade natal e ir estudar Medicina em outro país?
Jenilson Leite – A realização de um sonho. Eu estava concluindo o curso de história, e o curso despertou muito uma vontade de conhecer um pouco do mundo. Cuba estava na minha rota de interesse. A chegada lá foi chocante, um país com idioma diferente, conceitos políticos diferentes, estudantes de 24 países diferentes, nenhum conhecido, não foi fácil, mas eu tinha alguns sonhos e sabia que o começo de um deles era alí, na Ilha do Fidel. Não demorei me acostumar, tive que cumprir muitas tarefas, a primeira foi a de estudar muito, as outras foi a representar todos os brasileiros que estudavam em Cuba e ajudar ainda a conduzir a junta das nações (espécie de DCE) que representava todos os estudantes da escola latino-americana de medicina ELAM. Sinto saudade da vida que levava lá, com pouca condição financeira, mas nunca me faltou nada.

A GAZETA – Como surgiu essa oportunidade de cursar Medicina?
J. L. – Foi por meio de uma bolsa que o governo cubano doava para estudantes de baixa renda e de regiões com poucos médicos através de entidades e partidos políticos. No meu caso recebi através do PCdoB, partido que já militava desde meus 13 anos de idade. O projeto visava formar 10.000 médicos na América latina e África gratuitamente, uma espécie de compromisso do Fidel com os povos, ele sempre ia à escola conversar com a gente, tinha um grande carinho com a ELAM, formou mais de 10.000 médicos, tem médicos por todo lado egresso de Cuba, todos com um componente humanitário muito elevado, ao ponto de arriscar sua vida para salvar a de outros, como fizemos quando fomos para o Haiti em 2010 depois do terremoto, quando estávamos lá a terra voltou a tremer, mas graças a Deus nada ocorreu com a gente, salvamos muitas vidas.

A GAZETA – O que o motivou a entrar na política?
J. L. – A política é a arte de fazer homens e mulheres felizes. É nela onde se pode mudar o rumo de muitas coisas na vida das pessoas. Muitas pessoas olham para a política com cisma e preconceito, acham que só há gente de má índole nesse meio. Isso tá errado, as pessoas de bem precisam se interessar pela política, do contrário as coisas podem piorar. Como médico, eu levava uma vida bem mais cômoda, com mais tempo para mim e para minha família, mas acho que eu posso contribuir com muito mais nesta vida.

A GAZETA – Como é o desafio de ser o único representante do PCdoB na Aleac?
J. L. – É meu primeiro mandato, imagino que com mais outros colegas do PCdoB no parlamento poderíamos ajudar mais o partido, mas não me sito só nas ideias e nas lutas dentro da Aleac, encontrei lá muita gente que pensa e luta como Eu. Tenho observado muito. Minha formação (médica) tem me ajudado a compreender o que move o coração dos colegas.

A GAZETA – Nas rodas de política, costuma-se comentar que o PCdoB, hoje, é um partido enfraquecido devido às derrotas na última eleição. O senhor concorda?
J. L. – Não, enfraquecido não cola com PCdoB. Somos o 2º maior partido do Acre, estamos nos sindicatos, nos direções de bairros, de escolas, nas câmaras de vereadores, passamos o ano inteiro no dia-dia do povo, somos orgânicos, e não nos desgastamos com essa crise de credibilidade que assola muitos partidos. Nossa ferida reside na perda de espaço na Aleac e na Câmara Federal, mas vem eleição pela frente e teremos oportunidade de cura.

A GAZETA – Como o senhor avalia o seu mandato no 1º semestre legislativo?
J. L. – Auto avaliação acaba soando modéstia ou presunção. É melhor deixar essa parte para vocês repórteres e para o povo. O que eu posso dizer é que tenho me esforçado muito para representar bem o povo de nosso Estado. Tenho procurado fazer meu trabalho dentro da Aleac sem tirar os pés das ruas e sem deixar de emprestar os ouvidos para a voz das pessoas. O que é atribuição do parlamento tem procurado fazer!

A GAZETA – Como o senhor vê os embates na Aleac entre a bancada governista, da qual o senhor é integrante, e a oposição?
J. L. – Tem sido bom, transcorrido dentro de um nível de respeitabilidade. Defender seu ponto de vista é fundamental na vida política, o que muitos erram é confundir o político com o pessoal. Até agora isso não aconteceu na Aleac. Tenho muito respeito por deputados da base e da oposição, farei minha parte para continuar assim.

A GAZETA – Qual a sua expectativa para o 2º semestre de atividades no parlamento estadual?
J. L. – Que a Aleac siga sendo um ambiente de debates quentes, onde o interesse do povo siga estando em primeiro lugar. Que o respeito entre os meus pares se mantenha conforme foi no primeiro semestre.

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