Sargento da PM que matou mulher por não aceitar gravidez é condenado a mais de 27 anos de reclusão

O Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) obteve a condenação do sargento da reserva da Polícia Militar, José Eronilson Brandão, 52 anos, pela morte de Guiomar Rodrigues, 34 anos, em dezembro de 2018, em Rio Branco. O julgamento ocorreu na quarta-feira, 23, na 1ª Vara do Tribunal do Júri.

Segundo a denúncia, Guiomar Rodrigues esperava um filho do policial e ele não queria que a gravidez fosse descoberta. O sargento fingiu que prestaria assistência à vítima, restituindo o valor gasto no teste de gravidez, e chegou a levá-la até a casa de uma amiga, mas no caminho a surpreendeu enrolando uma corda em seu pescoço, causando a sua morte por asfixia.

Para o MPAC, o crime foi cometido por motivo torpe e por razão da condição de sexo da vítima, mediante asfixia mecânica e com emprego de recurso que dificultou a sua defesa.

A mulher, que estava grávida de 14 semanas, foi deixada em um matagal, sendo que o corpo foi encontrado no dia seguinte coberto por uma fralda com a sigla CV. Para o Ministério Público, ao agir dessa forma, o policial pretendia dar a entender que o crime havia sido praticado por uma facção criminosa.

Os jurados acataram a tese do MPAC e decidiram condenar o réu a 27 anos e seis meses em regime fechado, sem o direito de recorrer da sentença em liberdade.

“Ficou muito claro que ele engravidou a moça, estava passando por problemas familiares e queria se livrar da situação. Um clássico caso de feminicídio, embora o acusado tenha tentando atribuir autoria a terceiro, a prova dos autos é contundente em apontá-lo como autor, como reconheceu a decisão soberana dos ilustres jurados. A justiça foi feita”, diz o promotor de Justiça Carlos Pescador. (Agência MPAC)

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