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Oríkì

Espetáculo busca descontruir imagem negativa sobre religiões de matrizes africanas

Montagem é apresentado nesta sexta e sábado, no Theatro Hélio Melo

Oríkì” é uma palavra yorubá que possui alguns significados, entre eles, “textos”, “literatura” e “história”. (Foto: Sandra Buh)

Em um país que tem sua história marcada pelo racismo estrutural, não é de se estranhar que até hoje ainda exista tanto preconceito e ignorância acerca da cultura africana e suas raízes no Brasil. O espetáculo “Oríkì – do òrun ao ayé” busca modificar essa visão e será apresentado nesta sexta,30, e sábado,31, com entrada gratuita, no Theatro Hélio Melo. Na sexta, serão duas apresentações, uma às 18h e outra às 19h. E no sábado, haverá sessão única às 19h.

A montagem funciona como uma narração de histórias em que o ator Célio Gomes interpreta um “contador” em um dia comum dentro de casa. Durante os afazeres, ele usa símbolos, músicas e histórias para compartilhar lendas trazidas pelos africanos no período escravocrata.

A diretora, Sandra Buh, relata que foram escolhidas histórias das religiões de matrizes africanas que não são contadas popularmente. É o caso de uma lenda da tradição Yorubá que explica a criação do mundo diferentemente da narração cristã conhecida pela maioria.

“A gente coloca no palco, também, símbolos que são de terreiros mesmo, de casas de santo. A gente acredita que a partir do momento que as pessoas têm conhecimento elas começam a quebrar o preconceito. Muitas vezes você tem medo porque não conhece”, comenta Buh.

O maior desafio durante o processo de montagem, que durou cerca de três meses, foi encontrar uma abordagem que simplificasse as histórias sem desrespeitar as religiões. É o que conta o ator Célio Gomes, que é babaloryxà, do candomblé.

“De que forma a gente pode passar o que é bonito, o que se acontece no terreiro sem ter que atingir o sagrado? A gente tem que trazer de uma forma mais clara, mais simples e objetiva, para que não complique e que o público possa entender, foi o maior desafio”, diz o artista.

E a valorização da cultura africana já começa pelo nome do espetáculo. “Oríkì” é uma palavra yorubá que possui alguns significados, entre eles: “textos”, “literatura” e “história”. O projeto foi aprovado Pela Lei Emergencial Aldir Blanc da Fundação Garibaldi Brasil.

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Apresentações são gratuitas.