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Marcela Mastrangelo
Marcela Mastrangelo é socióloga, bacharel em Direito, coach e terapeuta sistêmica e estudante de Psicologia

A coragem de amar-se para ser

Nos devaneios da semana passada, falava eu da humildade, e cheguei à constatação, a partir de algumas especulações, que a via como uma virtude muito edificante, mas não no sentido usualmente colocado, e sim naqueles momentos de entrega para dor e de muita fragilidade, em nossas vidas, em que viver a modéstia seria a atitude mais adequada para entender (ou aceitar) os acontecimentos que não podemos prever e que precisamos vivenciar com coragem.

Compreender o que não podemos mudar e viver o imponderável da vida exigem muita humildade, risos, e isso também se chama  amadurecer/envelhecer. Ponho “barra” porque não sei a tua escolha qual é, se é amar-se para ser (amadurecer) ou se é entregar-se para os dias que se vão (envelhecer)…

Ora, ora, divagar sobre esse acontecimento natural da vida, onde os dias, meses, anos, décadas se passam, nos convida a vislumbrar sentimentos, emoções novas e experimentar olhares diferentes para a existência.

Uma das minhas preocupações principais, desde a tenra idade, foi, como mulher, amadurecer/envelhecer bem emocionalmente e psicologicamente. Talvez, porque vi muitas mulheres, diante da opressão e negação, chegarem à fase madura da vida com tanta dor, descaso por si mesma, histéricas e angustiadas. E a partir dessa observação, busquei, com todas as minhas forças, sempre o autoconhecimento e a mudança de hábitos e modos, para que não me “sequestrasse”, definitivamente, para qualquer doença psíquica emocional.

O mais legal de tudo isso, queridos leitores, é que embarquei nessa “viagem”, procurando sempre alertar, quase que num “hinário” sem medida, todas as amigas, conhecidas, parentes, alunas, colegas de profissão, palestrando ou numa conversa informal, da importância do autocuidado e do autoamor que as mulheres devem que ter consigo mesmas. Afinal, somos, sim, muito demandadas cotidianamente; cobradas… seria a palavra mais apropriada.

Mas, o que podemos fazer com tudo isso? Como se cuidar? Como se posicionar? Tem uma frase que escutei muito, durante a minha infância, e levo comigo na incrível arte de ser mulher: quem cuida da gente é a gente mesmo.

Conhecem?? Já ouviram?? Pois é, privilegiados são aqueles que podem amadurecer/envelhecer com esse autocuidado. E tão importante quanto: com que qualidade isso se dá?? Importante pensar nisso, principalmente, nesta data, 31 de agosto, quando completo um novo ano, e me vejo, cada dia mais, lidando com mudanças constantes no corpo físico, psíquico, emocional e espiritual.

Neste dia do meu aniversário, faço, então, este convite: convido vocês a sentirem a grandeza humilde de envelhecer e a coragem de amar-se para ser.

Na trilha sonora da festa, façamos valer a poesia da música “Envelhecer”, de Arnaldo Antunes, que diz:

“A coisa mais moderna que existe nessa vida é envelhecer, a barba vai descendo e os cabelos vão caindo pra cabeça aparecer, os filhos vão crescendo, e o tempo vai dizendo que agora é pra valer, os outros vão morrendo e a gente aprendendo a esquecer, não quero morrer, pois quero ver como será que deve ser envelhecer, eu quero é VIVER para ver qual é e dizer venha pro que vai ACONTECER…”.