Pular para o conteúdo
Marcela Mastrangelo
Marcela Mastrangelo é socióloga, bacharel em Direito, coach e terapeuta sistêmica e estudante de Psicologia

Precisamos falar de VIDA…

Na semana passada, na coluna Devaneios, esta que vos fala ficou mais madura… A experiência está batendo à porta e começo a elencar o que quero e o que não faz mais sentido na minha vida.

Este “inventário” de dias vividos, dores superadas e alegrias recorrentes deve ser feito quase que anualmente, quiçá diariamente, quando, ao deitarmos em nossos travesseiros, fazemos um “balancete” das vivências que tivemos naquele dia e, principalmente, das escolhas que fizemos, pois são elas que definirão os dias porvir.

Então, por que estamos tão confusos? Tão desordenados, sem saber se ficamos no passado, remoendo dores e angústias em demasia, deprimidos, e perdendo o encanto pela vida que acontece AGORA…Ou preocupados com o futuro, o que causa o transtorno que mais acomete a população mundial, que é a ansiedade.

É, leitores queridos, acho que subestimamos por demais a vida cotidiana e sucumbimos ao nefasto estado de “vazio”, verdadeiros buracos em nossas almas que fazem com que a perda de sentido seja a principal causa de doenças psíquicas-emocionais, ocasionando índices alarmantes de adoecimento da população e de morte. Sim, o suicídio nos assola assustadoramente, e o que me deixa mais aterrorizada é que faixas etárias que deveriam estar sonhando com a vida, romantizando os encontros e divertindo-se sem medidas são as mais afetadas, remetendo a um dado estatístico terrível: é a segunda causa de  morte entre adolescentes e jovens entre 15 e 29 anos.

Pausa, um minuto por favor…

O que está acontecendo?? Onde estamos nos equivocando??

Preciso respirar um pouco, 3,2,1.

É chocante! Até a palavra S – U – I – C – Í – D – I – O  é difícil de ser pronunciada, porque carrega muita dor para quem vai…E também muitas indagações para quem fica e precisa viver os dias se questionando sobre o que aconteceu. Culpas, remorsos são terrenos férteis para quem vive essa dolorosa dor do “abandono” de seu afeto precioso. E esse luto é carregado de muito sofrimento.

Nesse sentido, é que já com índices alarmantes, em 2014, o Centro de Valorização da Vida (CVV), em parceria com o Conselho de Federal de Medicina e Associação Brasileira de Psiquiatria, elaboraram e implementaram o Setembro Amarelo, um mês que aborda veemente esse assunto, alerta, explica e sensibiliza a sociedade em geral a observar esse problema social que entristece tantas famílias.

Ainda de acordo com essas instituições, a partir de estudos e constatações dos médicos, psiquiatras, psicólogos, o suicídio é algo que pode ser combatido e as precauções são necessárias. Inclusive, a OMS (Organização Mundial da Saúde) já alertou que mais de 90% dos casos podem ser minorados com prevenção. Embora ainda me pegue fazendo críticas ao sistema, sei que são iniciativas como essas que podem colaborar para mudanças nessas estatísticas.

O fato urgente é que precisamos dar atenção às doenças mentais, devemos falar, debater, mobilizar e popularizar ideias que nos remetem à conquista da saúde mental. Esses jovens precisam ver florescer dias melhores, assim como a própria fase da vida nos remete, ao frescor de dias ensolarados, apesar do anúncio de tempestades vindouras.

Entre viver no passado ou existir no futuro, escolham viver o hoje, queridos leitores. Sentem-se com seus filhos e familiares, dialoguem, escutem, não menosprezem os problemas apresentados, tenham empatia e, principalmente, fiquem alertas com alguns sintomas e busquem os profissionais qualificados para oferecer ajuda. Não é feio e nem indigno procurar a solução para os medos, ansiedades, angústias, pânicos, fobias sociais. Esses transtornos mentais podem e devem ser resolvidos em VIDA.

Precisamos falar de VIDA e saúde mental.