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Polêmica

Bittar rebate artistas que criticam suas propostas para Amazônia: “falam daquilo que não sabem e ajudam a eternizar a pobreza”

Senador citou a modelo Gisele Bundchen e os atores Leonardo di Caprio, Marcos Palmeira e Christiane Torloni, estes últimos que se posicionaram contra o projeto da estrada entre Cruzeiro do Sul e Pucallpa

O senador Márcio Bittar (MDB) veio a público, por meio de suas redes sociais, nesta quinta-feira (16), para rebater as críticas de artistas em relação às propostas que ele defende para a Amazônia, como a construção da rodovia entre Cruzeiro do Sul e Pucallpa, no Peru, e a mudança da condição de Parque da Serra do Divisor para Área de Proteção Ambiental (APA), cuja legislação ambiental é mais branda.

“Artistas nacionais e internacionais falam daquilo que não sabem e ajudam a eternizar a pobreza do povo amazônico: é triste constatar que algumas celebridades não procuram conhecer seu próprio país. Querem perpetuar nosso isolamento e miséria pra manter seu discurso pseudo ambientalista, que anula a realidade e condena as milhares de famílias que sobrevivem na Amazônia.”, disse no texto de legenda do post.

Em vídeo, o senador Bittar reafirma a defesa do projeto de construção da rodovia e ainda mais enfático, mencionando os nomes dos artistas. “Não é a primeira vez que personalidades do mundo artístico nacional e até mundial se posicionam sempre sobre a Amazônia. Gisele Bundchen, modelo brasileira, internacionalmente conhecida; Leonardo DiCaprio, grande artista ganhador de Oscar; agora mais recentemente Marcos Palmeira e Cristiane Torloni, estes dois últimos artistas brasileiros fantásticos, se posicionando contra uma estrada que pode acontecer entre Cruzeiro do Sul e Pucallpa, no Peru, porque, segundo eles todos, vai passar dentro da floresta, vai cortar floresta ao meio”.

Para o senador, que é ruralista, a floresta deve ser explorada economicamente. “Eu vejo manchetes e mais manchetes, a mídia nacional, artistas de televisão sempre dizendo de sua preocupação com a floresta Amazônica e eu não vejo nenhuma preocupação com quem mora lá dentro, com 23 milhões de brasileiros. Eles não conhecem a nossa realidade. Não estão preocupados com os homens, mulheres, famílias que estão desempregadas, que estão na miséria, na pobreza, com a falta de saneamento básico, falta de esgoto, falta de água. Nós é que temos que cuidar do nosso interesse. Nós temos que utilizar os recursos naturais para prosperarmos. Essa é lei de Deus”, concluiu.

Sobre e a rodovia e o PL 6024

De acordo com o divulgado, se construída a rodovia Cruzeiro do Sul/Pucallpa cortaria 22 quilômetros de floresta intocada na área do Parque Nacional da Serra do Divisor, na região do Juruá. O local pode, segundo os ambientalistas, ser considerada uma das últimas áreas mais bem preservadas da Amazônia no continente.

Além da biodiversidade, tanto da floresta, quanto da bacia do Juruá, a Amazônia naquela região – brasileira e peruana – também abriga populações indígenas contactadas e os isoladas e/ou desconhecidas.

A previsão é de que uma rodovia do Juruá até Pucallpa, no departamento de Ucayali, causaria graves impactos ambientais e a expansão do desmatamento da Amazônia brasileira e peruana.

Com a deputada federal Mara Rocha (PSDB), Márcio Bittar é autor do Projeto de Lei (PL) 6024 que extingue o Parque Nacional da Serra do Divisor e o transforma em Área de Proteção Ambiental (APA), cujas regras de preservação são bem mais brandas do que um parque e a unidade de conservação está justamente no caminho da rodovia. Uma das justificativa do PL é a possibilidade de eliminar os impedimentos legais para que o projeto da estrada saia do papel e para que a região seja explorada economicamente.

O mesmo PL reduz a área da Reserva Extrativista Chico Mendes, na região do Alto Acre, entre Xapuri e Brasiléia.