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Beth Passos
Beth Passos é comunicadora, produtora, assessora de imprensa e empresária. Email: [email protected]

O perigo da Erosão Eólica

O Brasil é a maior potência hídrica do mundo, possui 13% das águas doces superficiais do planeta (sendo que 80% está bacia Amazônica) – ANA. O país tem quase 2 vezes mais água que a Rússia, cerca de 4 vezes mais água que Canadá, Indonésia, China, Colômbia e Estados Unidos. Mesmo assim, temos problemas de falta de abastecimento. Não é de falta de água, mas de gestão, de falta de planejamento de consecutivos governos, de falta de visão, de falta de proteção dos mananciais e das reservas de água. Na própria Amazônia e Cerrado, berço das águas do país (e futuro das águas do mundo, se contarmos o aquífero, com água suficiente para abastecer o planeta todo por 250 anos), hoje temos centenas de cidades sem água no arco do desmatamento.
As monoculturas extensivas do modelo agrícola deixam o solo exposto a erosão eólica, “O agronegócio e a “tempestade de poeira”. O local de ocorrência da “tempestade de poeira” se destaca por seu modelo econômico ligado ao agronegócio, tendo como destaque a monocultura de cana-de-açúcar.

As regiões atingidas enfrentam longo período de seca, que contribuiu para inúmeras queimadas, inclusive, prejudicando a qualidade do ar. As queimadas que retiram a matéria orgânica do solo associadas as técnicas de preparo do solo convencionais, como o revolvimento de camadas superficiais e gradagem (quebra dos torrões), deixaram o solo mais vulnerável a erosão. Técnicas conservacionistas como o plantio direto na palha, que mantém uma cobertura de matéria orgânica no solo trazendo benefícios como retenção da umidade e proteção à erosão, ainda são pouco significativas no país.

A seca prolongada, baixa cobertura de vegetação nativa e solos expostos, formam um cenário ideal para a erosão eólica quando confrontados por uma tempestade com rajadas de ventos de até 90 km/h, que chegam a mover um avião, além de provocar área de instabilidade com destaque para a região atingida pela erosão eólica.

O termo “tempestade de poeira” representa o que de fato foi visível aos olhos, mas esconde que há um responsável por trás do ocorrido, já que a palavra “tempestade” remete a um fenômeno natural. O termo “tempestade de areia” apresenta uma inconsistência pedológica, considerando que os sedimentos transportados pelo vento neste caso não são as partículas de areia, mas sim de argila e silte, predominantes nos solos em que a areia é mais fáceis de ser transportada. Quando se fala em erosão, é a referência maior de um dos grandes problemas ambientais do mundo atual, que tem como consequência o assoreamento e a contaminação de rios, perda da capacidade produtiva, desequilíbrios nos ecossistemas e redução do sequestro de carbono pelo solo, agravando o aquecimento global. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), a perda econômica com a erosão chega a 200 bilhões de dólares anuais. Nas cidades atingidas por essa erosão eólica, os riscos podem ser a saúde e a visibilidade, causando acidentes. Mesmo que a erosão seja um processo natural, o episódio de erosão eólica visto que se trata de uma aceleração em decorrência das ações humanas. E para especificar melhor, as causas que levaram a erosão eólica de grandes proporções no Brasil, tem um responsável: o agronegócio.
Fonte: adaptado de INMET.

 

Beth Passos
Jornalista