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Exemplo de dedicação

Arte em forma de doces: após negócios frustrados, acreana se torna referência na produção de bolos decorados e docinhos gourmet

Há cinco anos, sem emprego, Patrícia Ganum começou a fazer balas de coco para vender. Durante a pandemia, o que parecia ser o término de mais um negócio, tornou-se a virada de chave para ela. Atualmente, ela trabalha com uma alta demanda de bolos artísticos e doces finos, que são referências no segmento de festas de Rio Branco

Acreana Patrícia Ganum começou a produzir doces há cerca de cinco anos.

Adepta à alimentação saudável,  Patrícia Ganum nunca imaginou que os doces seriam responsáveis por transformar sua vida. Após perder o emprego e ver o fracasso de dois empreendimentos, a acreana, formada em Serviço Social, virou doceira e, hoje, se faz sucesso com a produção de bolos decorados e doces gourmets.

Há cerca de sete anos, Patrícia foi demitida do banco onde trabalhava. Foi quando decidiu pegar o dinheiro do seguro desemprego para abrir uma franquia de refeições fitness, empreendimento que ainda durou por quase um ano. Em seguida, com a ajuda do marido, pegou um espaço para vender frutas e verduras no Ceasa, negócio que, segundo ela, gerou muitas dívidas, em pouco tempo.

Foi quando a empreendedora engravidou e, na busca constante por uma forma de contribuir com a renda de casa, encontrou o início da sua nova carreira ao preparar o chá de bebê da filha, Melina. Patrícia decidiu fazer todos os doces da comemoração, inclusive balas de coco. Ela buscou receitas na internet e foi aprimorando os resultados até o evento.

“Os amigos adoraram, era uma novidade encontrar nas festas. E perguntaram: ‘Quem que faz?’, e eu disse: ‘Sou eu e eu vendo’. Falei do nada, pois estava doida para fazer algo para ajudar em casa. E foram surgindo as primeiras encomendas de balas, depois do meu chá de bebê. Amigos começaram a comprar, postar, e foi aumentando muito a demanda. Teve época que eu fazia 10kg de bala de coco e foi um ano fazendo isso” , recorda.

Assim, Patrícia começou a pesquisar e estudar, cada vez mais, para produzir as melhores balas de coco, inclusive com recheios. Dedicada e instigada a buscar um diferencial, ela produziu ovos de chocolate, no período da Páscoa, e começou a investir na produção de doces finos, mais delicados, que fugiam dos tradicionais brigadeiros de festa. Logo, ficou conhecida no segmento de eventos da cidade.

Mas, foi durante a pandemia, que o que parecia ser o término de mais um negócio se tornou a virada de chave para ela. “Quando a pandemia chegou, as encomendas pararam, e eu dependia das festas para trabalhar e produzir. Mas as pessoas também não deixaram de comemorar e surgiram as cake-box (festa na caixa) e, graças a uma cliente, eu consegui me reinventar, mais uma vez. Ela me lançou o desafio de fazer uma ‘festa na caixa’ para ela. E é muito bom lançar um produto com encomenda”, afirma.

Caixas com bolos e docinhos para aniversário foram o pontapé para o início do trabalho com bolos.

O novo desafio exigiu novas habilidades, que Patrícia não hesitou em buscar. Após algumas cake-boxs, ela investiu em um curso de produção de bolos para tocar a nova fase do negócio, que lhe rendeu uma nova realidade.

“Na época, eu tinha um forno caseiro, até então não queria trabalhar com bolo, não tinha condições (…) O curso era R$1.200, lembro até hoje, bem caro para mim, mas decidi investir. Porque bolo é uma coisa muito séria, mexe com os sonhos da pessoa, acaba sendo a principal atração da festa, precisa estar intacto na mesa. Então, investi, estudei e comecei a fazer”.

Patrícia se reinventou na pandemia e investiu no ramo de bolos, que transformou seu negócio.

Negócio de sucesso

O empreendimento, que começou com a produção de balas de coco, hoje oferece uma diversidade de produtos, que constam em um cardápio com mais de 10 páginas! Mesmo mantendo a produção do doce inicial, que inspirou o nome do negócio, Cocunut Goumet, Patrícia implementou uma variedade de doces fixos (camafeus, pavlova, etc.) e os sazonais, de acordo com as datas comemorativas.

Mas, os bolos com cobertura de buttercream (à base de merengue suíço e manteiga) tornaram-se, atualmente, seu carro-chefe, chegando a uma demanda de 20 a 30 bolos por semana. Com decorações variadas, criativas, delicadas e de encher os olhos, os bolos de Patrícia exploram não apenas os sabores, mas cores, tamanhos e, claro, muita beleza. Uma verdadeira obra de arte.

Nas redes sociais, um vídeo em que ela ensina a cortar um bolo de altura dupla, com 30cm, teve mais de 900 mil visualizações. “O Instagram é nossa vitrine, todo mundo está 24 horas no celular”, reforça.

Sua percepção sobre as redes sociais e as experiências passadas fizeram com que a doceira não sonhasse em criar uma loja física, como acontece normalmente, mas sim com uma cozinha específica para continuar suas encomendas. Sonho que ela conseguiu concretizar, em dezembro de 2020, quando a família mudou de casa e ela pôde deixar a pequena cozinha do apartamento de 90m² em que moravam. Atualmente, a acreana possui uma cozinha/ateliê exclusiva para seu negócio, na nova residência.

“Um sonho que consegui conquistar com meu marido: a minha cozinha e ateliê com dois fornos, três geladeiras só para os meus bolos. Antes, eu dividia a geladeira da casa, um expositor e um congelador. Graças a Deus, tenho uma boa estrutura agora”, comemora.

Ela conta ainda com a ajuda de uma funcionária, mas destaca que existem serviços que apenas ela faz. A rotina corrida gera uma carga horária de quase 12 horas diárias de trabalho, dependendo da demanda.

Amor e dedicação

Atenta aos detalhes e sempre em busca de diferenciais, a doceira cria obras de arte com os bolos.

Cinco anos após começar o negócio de balas de coco, que transformou-se na produção de doces finos e bolos decorados, Patrícia ainda não consegue descrever com precisão como chegou neste caminho, mas recorda que, quando viu a oportunidade, se dedicou.

“É muita coisa de Deus… E surpreende até a mim, eu não imaginava esse caminho, foi a necessidade que me mostrou que eu era capaz de fazer aquilo e o amor que surgiu. É força de vontade e amor!”, reflete ela.

Para quem busca encontrar um novo caminho profissional ou até já sabe qual negócio abrir, a doceira dá uma dica valiosa: não esperar pelas condições “ideais”.

“Quem quer mesmo vai atrás! Começa com o que tem. Eu comecei tudo com  uma batedeira velha de casa, com um forno super simples, com o que eu tinha, eu não esperei comprar um forno novo ou uma batedeira como a que tenho hoje, que era meu sonho. As coisas vão melhorando, é preciso força de vontade e encarar como uma profissão ”, incentiva.

Empreendedora mantem cardápio diversificado, tanto de docinhos quanto de bolos.

Grata pela autonomia que tem com o seu trabalho, ela reforça que não sonha com uma loja para expor seus doces, mas declara que gostaria de compartilhar seus conhecimentos.

“Meu sonho é de um dia poder ensinar tudo o que eu sei, fazer cursos online, assim como o que eu fiz e que ensinaram muito!”, declara.

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