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2 de novembro

Saudade, homenagens às vítimas de Covid-19 e trabalho para garantir renda extra marcam Dia de Finados na Capital

Em Rio Branco, a movimentação nos quatro cemitérios administrados pela gestão municipal foi intensa. Familiares que perderam seus entes queridos em decorrência da pandemia do novo coronavírus aproveitaram para prestar homenagens aos mortos

O rito de celebrar os mortos, conhecido como Dia de Finados, foi instituído, inicialmente, na França, no século X. A tradição é evidenciada todos os anos, principalmente nos países ocidentais. Nesta terça-feira, 2 de novembro, ornamentos, coroa de flores e velas enfeitam túmulos e lápides. Um forma de demostrar carinho, de ‘matar’ a saudade de entes queridos, dos que já se foram, dos que fizeram a passagem; assim como diz o nosso dito popular.

Centenas de pessoas passaram pelos cemitérios da cidade, durante todo o dia. Missas fizeram parte da programação. (Fotos: Dell Pinheiro)
Na capital acreana, a movimentação nos quatro cemitérios administrados pela gestão municipal foi intensa. No São João Batista, o mais tradicional de Rio Branco, o fluxo de pessoas foi grande, desde o início do dia. Também foi uma oportunidade de familiares que perderam seus entes queridos em decorrência da pandemia do novo coronavírus prestarem suas homenagens, principalmente aqueles que mal puderam se despedir, devido às restrições impostas pela pandemia.
Priscila Maria Cabral, relatou um pouco da saudade que sente do pai, o aposentado Jorge Luiz de Souza, conhecido carinhosamente com seu Pimenta.
“Perder meu pai foi o maior trauma da minha vida. Sei que é só o corpo dele que está aqui, mas é importante fazer essa homenagem. Não pudemos enterrá-lo. Foi tudo tão rápido! Ele foi infectado pelo vírus, e logo foi entubado. Vi meu pai pela última vez no dia 17 de novembro, às 15h30, a hora que ele saiu de casa, e logo ele passou mal. No dia 20 de novembro, que foi o mês do meu aniversário, foi a voz dele, quando me mandou mensagem de voz dizendo: filha, eu te amo! Tudo está sendo muito difícil, era muito apegada ao meu pai. A força que tenho está em Deus”, disse Priscila, bastante emocionada.
Priscila Cabral perdeu o pai durante a pandemia e não pôde enterrá-lo. Hoje, aproveitou o dia para prestar as homenagens.

Saudade que não passa

Sozinha, observando fotos e refletindo sobre a vida, e o quanto ela é passageira, a pedagoga Isabel Cristina comentou que o tempo não diminui a saudade das pessoas que amamos.
“Vai completar 12 anos que perdi meu pai, mas ele sempre está vivo nas minhas lembranças. Meus avós paternos também estão enterrados aqui. Sempre quando venho ao cemitério, gosto de ficar em silêncio, orando por eles e pedindo proteção. Sei que um dia iremos nos encontrar novamente. Essa vida, essa que vivemos, é apenas uma passagem para uma outra, a eterna. Por isso, devemos fazer coisas boas para que possamos colher bons frutos”.
A pedagoga Isabel Cristina perdeu o pai há 12 anos e aproveita a data para orações e reflexões sobre a vida. “Essa vida que vivemos é apenas uma passagem para uma outra, a eterna”.

Um extra

Para faturar um dinheiro extra, muitas pessoas comercializam todo tipo de mercadoria na entrada dos cemitérios. Seja salgados, água mineral, churrasquinho, flores e velas, ninguém fica sem levar um lucro para casa. Samia Cristina de Araújo Silva, falou que há oito anos vende flores no São João Batista, e que as vendas estão melhores este ano. ” Estou faturando muito mais que no ano passado. A movimentação na minha barraca está grande desde o início da manhã”.
Cristina de Araújo, que há oito anos vende flores no São João Batista, comemora que o faturamento foi melhor do que no ano passado.
O autônomo Eliandro Silva, que pinta letreiros em lápides, salientou que está faturando, desde o início da semana passada. “Estou trabalhando aqui desde a segunda-feira passada. Já lucrei um bom dinheiro, que me ajuda nas despesas de casa. Meu serviço custa em média de R$ 30 a R$ 50”.
Eliandro Silva, que trabalha com a pintura de lápides, diz que está tirando uma renda extra, desde a semana passada.

Planejamento 

O secretário da Zeladoria de Rio Branco, Joabe Lira, destacou o trabalho realizado pela gestão municipal nos cemitérios públicos da capital. “Começamos esse trabalho dois meses atrás. Planejamos tudo, todas as melhorias, para que as pessoas pudessem visitar seus entes queridos da melhor forma, com toda tranquilidade; essa foi a orientação do prefeito Tião Bocalom. Neste Dia de Finados, 250 pessoas estão distribuídas nos cemitérios para orientar os visitantes e ajudar em alguma dificuldade. Orientamos também sobre o uso de máscaras, do álcool em gel e de manter o distanciamento. A estimativa é que das 7h às 17h, tenhamos um público de 80 mil pessoas nos quatro cemitérios públicos da capital”.
Medidas de proteção contra Covid-19 também foram tomadas nos cemitérios, como parte do planejamento da Prefeitura de Rio Branco