As autoescolas do Acre enfrentam um cenário de forte retração financeira, com queda expressiva no faturamento, demissões e risco de fechamento de unidades. A situação é atribuída, principalmente, aos impactos da Resolução nº 1.020/2025, que alterou regras do processo de formação de condutores em todo o país.
Segundo Queffren Licurgo Rêgo, representante das autoescolas no Acre, os prejuízos não se restringem ao estado. “Os impactos financeiros estão sendo enormes não somente no Acre, mas em todo o Brasil. Os CFCs, na sua maioria, estão com dificuldades de se manter na atual conjuntura”, afirmou.
Ele relatou que as empresas já foram obrigadas a reduzir equipes para continuar operando. “Já tivemos várias demissões, como diretores gerais e de ensino que foram retirados das exigências, mas também instrutores e parte administrativa”, disse. De acordo com Queffren, os danos vão além da área econômica. “As perdas não se resumem apenas à parte financeira e material, mas também à educação para o trânsito, que foi a maior prejudicada em todo o processo”, pontuou.
Reflexos na educação para o trânsito
O representante alertou ainda para riscos à segurança viária. “O prejuízo no trânsito é grande, com pessoas ministrando aulas em veículos sem condições de segurança”, declarou. Segundo ele, a forma como a resolução foi implantada motivou reações no Judiciário.
“Existem várias ações na Justiça Federal em todo o Brasil, não somente contra a Resolução 1020/2025, mas pela forma como foi implementada, sem prazo razoável e sem condições adequadas”, explicou. Para Kefren, o cenário afeta diretamente o processo de habilitação. “Ficam os Detrans, os CFCs e principalmente a população sem um processo seguro e confiável para se habilitar”, completou.
Queda de faturamento e fechamento de unidades
A proprietária de uma autoescola de Rio Branco, que preferiu não ser identificada, também relatou queda acentuada no faturamento e redução de postos de trabalho. “O faturamento caiu cerca de 70%, afetou demais as empresas e gerou algumas demissões”, afirmou. Segundo ela, o impacto foi imediato na estrutura das empresas. “Eu, por exemplo, tinha 22 funcionários em duas empresas, tive que demitir oito e vou demitir mais ainda”, disse.
O número de autoescolas em funcionamento no estado também começou a diminuir. “Hoje são 52 autoescolas registradas, antes eram 54. Soube que mais três devem fechar as portas até a metade do ano”, relatou a empresária. Apesar do cenário incerto, ela afirma que o setor tenta se adaptar. “Estamos levando a situação e atendendo dentro do novo modelo”, concluiu.
Mesmo diante da crise, as autoescolas mantêm a oferta de pacotes de aulas práticas. Em um dos estabelecimentos pesquisados, os valores variam conforme a categoria e a quantidade de aulas.
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Categoria A: de R$ 420 (2 aulas) a R$ 1.150 (20 aulas)
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Categoria B: de R$ 490 (2 aulas) a R$ 1.550 (20 aulas)
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Categoria AB: de R$ 710 (2 aulas) a R$ 2.415 (20 aulas)
Tabela semelhante é praticada em outra autoescola da capital acreana, que oferece pacotes para as categorias A, B e AB, também sem curso teórico em alguns casos. Os preços seguem o mesmo patamar, com pacotes da categoria AB variando de R$710 a R$2.415, da categoria B entre R$490 e R$1.550, e da categoria A entre R$420 e R$1.150, conforme o número de aulas contratadas.
O setor aguarda agora definições judiciais e possíveis ajustes na regulamentação para tentar reverter o quadro de instabilidade que atinge as autoescolas no Acre e em todo o país.








