Calçando sapato – Jornal A Gazeta

Calçando sapato

O tema de hoje é ‘Quem calça o sapato é que sabe onde ele aperta’. Então vamos lá. Chegando para ser atendida num consultório médico, as secretárias comentavam, até com um exagero de entusiasmo, sobre o vídeo divulgado nas redes sociais que mostra uma mulher agredindo outra no Centro de Rio Branco. O motivo? Traição do marido que também apanhou um bocado.

Em toda a história da humanidade esse tema é sempre polêmico. Se antes, as mulheres aguentavam sozinhas e caladas a traição dos maridos, muitas vezes hoje, são elas que se intitulam autossuficientes até mesmo para ter mais de um parceiro.

Mas, engana-se quem pensa que a traição entre marido e mulher é apenas a infidelidade, o ato em si. Há outras formas de trair, seja o marido, a esposa, o amigo ou a você mesmo.

Mas, voltando ao entusiasmado comentário a respeito do caso, uma delas fala. “Duvido que ela deixe ele. Mulher que se presta a fazer um papel desse, não larga homem, mesmo que seja safado”.

 

Há outras formas de trair, seja o marido, a esposa, o amigo ou a você mesmo.

 

A outra com os olhos esbugalhados de tanta surpresa pelo comentário tentou contornar a situação, me dando bom dia e pedindo meus documentos.

Não satisfeita, a secretária mais exaltada, bate no peito e diz que nunca faria o que a mulher do vídeo fez. A moça que estava me atendendo interrompeu o brilhante raciocínio e me pedindo para aguardar.

Depois que sentei me perguntei o que deverá ter acontecido para essa mulher exalar esse julgamento sobre as ações de outras pessoas? Por mais equilibrada que um relacionamento seja, a traição é sempre uma possibilidade. Uma sombra que te acompanha ao longo do caminho. Se os parceiros vão ceder a ela é outra história. Mas, é inegável que ela exista em todo e em qualquer relacionamento.

Por isso, antes de julgar as ações do coleguinha, lembre-se que só quem calça o sapato é que sabe onde ele aperta. Cada um sabe o que é melhor para si. E por isso, não vale a pena pulverizar o rancor e a maldade a respeito da tragédia que só quem passa por uma traição é que a sabe o quanto dói.

Bruna Lopes é jornalista

jornalistabrunalopes@gmail.com

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