Importância da família na educação dos filhos - Jornal A Gazeta

Importância da família na educação dos filhos

*Luísa Karlberg          [email protected]

 

Atualmente, a família tem passado para a escola a responsabilidade de instruir e educar seus filhos e espera que os professores transmitam valores morais, princípios éticos e padrões de comportamento, desde boas maneiras até hábitos de higiene pessoal. Mas, aqui neste texto, ressaltamos a importância e o dever da família no desenvolvimento da juventude, como o primeiro ambiente socializador, sempre foi e será essencial no desenvolvimento e na maturidade biopsicossocial. Nessa perspectiva, estudiosos apontam algumas funções essenciais que podem ser agrupadas em três categorias: biológica, psicológica e social.

Inicialmente, afirmamos que da família tem à responsabilidade de garantir a sobrevivência da espécie humana, como função psicobiológica, ao oferecer os cuidados necessários para que a criança cresça de modo saudável e adequado. Naquilo que se refere às funções psicológicas, apontamos quatro funções ou deveres básicos da família: a) proporcionar afeto à criança — elemento essencial que garante a sobrevivência emocional dela; b) oferecer condições amparo e amor para superar as angústias existenciais durante o processo de desenvolvimento; c) fornecer o aprendizado adequado para a inclusão da criança no ambiente; d) trabalhar o desenvolvimento social e cognitivo para uma perfeita convivência grupal.

Segundo o estudioso Romanelli (1997), o ambiente familiar permite a expressão do amor e da amizade, em que estão inseridos relacionamentos íntimos e demonstração das emoções e dos sentimentos. Portanto, podemos dizer que é no interior da família que a criança cultiva os primeiros relacionamentos interpessoais, com pessoas significativas, produzindo os afetos que, por sua vez, funcionam como uma base afetiva importante quando ela alcance a maturidade. Essas trocas emocionais estabelecidas, ao longo da vida, são fundamentais para o desenvolvimento das pessoas, enquanto aquisição de condições físicas e mentais centrais para cada etapa da vida psíquica.

Outro lado importante é a função social familiar, como um centro da comunicação cultural ou da transmissão de sentido da sociedade aos seus membros. Também, na preparação deles para o aprendizado da cidadania.  No meio social, sempre é possível notar quando o processo de transmissão de sentido causa conflitos na formação da subjetividade, quando há desordens internas e a discrepância entre o “ser” e o “dever” se manifesta de tal modo a causar sofrimento.

Sabemos que a crise vivida na adolescência afeta direta ou indiretamente todos os familiares, permitindo repensar e sendo vista como uma fase do ciclo vital familiar que provoca intensas mudanças nas relações, sobretudo entre pais e filhos, como discorrem Pratta e Santos (2007). Isso pais e filhos estão em tempos distintos de transformações: jovens debatem sobre valores e regras familiares, preocupados com questões futuras; os pais estão em um período de rever a problemática profissional, de reflexão e de mudança, até mesmo repensando o futuro.

Todavia, o contexto familiar é também indispensável para a superação das crises pelas quais os jovens estão sujeitos durante todo o desenvolvimento natural da vida. É importante a reflexão sobre as modificações, a aceitação das diferenças e as mudanças pessoais dos membros que a constituem enquanto família. Naturalmente, conflitos e tensões obedecem a aspectos marcantes da vida familiar, dado que a expressão de sentimentos, aspirações e afetos é vivenciada com mais liberdade nesse âmbito. Para a manutenção da saúde familiar além da capacidade de superação das crises, são necessários qualidade das relações intrafamiliar e laços familiares adequados com a sociedade em que a família está residindo.

Considere-se, ainda, que os jovens normalmente são portadores de diversos conflitos consigo e com a sociedade, numa fase do desenvolvimento, em que há grande demanda de pulsão sexual, de busca pela autonomia e, ao mesmo tempo, necessidade de se sentirem seguros e acolhidos pelos adultos. Quando o comportamento antissocial surge da privação de cuidados, de afeto ou atenção, por parte da sociedade e dos familiares, a delinquência é um pedido de socorro, uma forma radical de ter a atenção da sociedade e dos pais, frente à ausência de referencial na vida.

Nesse entremeio, a estética no meio social jovem é hipervalorizada. Apesar de algumas inibições e timidez os jovens, na maioria, entram pelo caminho bem calculado do desejo íntimo de serem interessantes ou perfeitamente lindos para terem reconhecimento do grupo. Nas festas e baladas noturnas, eles encontram a oportunidade para se auto-afirmarem, embora essa exposição possa representar o ressoar de inseguranças e falta de maturidade – quando encontram sua plenitude ou maturidade, por exemplo, há uma tendência de se distanciarem naturalmente dessa forma de lazer.

A mudança do espaço-tempo é sinalizada na passagem da faixa etária consolidada nos produtos de consumo que rotulam, etiquetam e criam a imagem dos jovens baseados na estética e no poder econômico. No lugar da busca pela identidade estão os ritos que promovem a perda da identidade, ou melhor, a alienação social e cultural do indivíduo enquanto está nas vias de ser um sujeito social.

Com tudo aqui posto, ressalte-se o papel da família numa sociedade. Não são suficientes programas assistenciais, mais urgente é o respeito e a valorização da família como célula-mater da sociedade. A família constitui o fenômeno que funda a sociedade. No decorrer da evolução histórica permanece como matriz do processo civilizatório, como condição para a humanização e para a socialização das pessoas. A família tem papel fundamental como educadora e formadora da capacidade de simbolização e de atribuir significado às vivências pessoais nos indivíduos que nela se desenvolvem. O ninho familiar é o locus no qual o indivíduo revela suas tendências inatas e absorve do meio os códigos orientadores de seu desenvolvimento.

DICAS DE GRAMÁTICA

 

Entrar para dentro – sair para fora/ Subir para cima – descer para baixo

EVITE!

É uma redundância. Um exagero! Entrar é sempre para dentro. Sair é sempre para fora. Subir é para cima. Descer é para baixo.
Prefira simplesmente: entrar, sair, subir, descer.


Já é 8 horas. Já é 11 horas.
ERRADO.

O certo é concordar com horas (plural). Já são 8 horas. Já são 11 horas. Já é uma hora (singular).

 

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