Questão de humanidade – Jornal A Gazeta

Questão de humanidade

A história da imigração no Brasil é longa, importante e ainda está sendo escrita. Um país de miscigenação, de cultura forte, conhecido pela hospitalidade e povo de coração generoso lida com a situação da chegada desenfreada dos venezuelanos. E, como aconteceu no Acre com a entrada de milhares de haitianos após um terremoto naquele país, em 2010, Pacaraima, município de Roraima, não recebe hoje a devida atenção do Governo Federal.

Talvez o restante do país não conheça a realidade de uma cidade sem estrutura que do dia para a noite passa a receber diversos refugiados, sem dinheiro, sem comida, sem teto e sem amparo. Brasileia sabe bem o que é isso. Quem viveu de perto diz que o cenário parecia de um filme de guerra.

Pacaraima passa por isso e enfrenta muitos conflitos. Há notícias de venezuelanos assaltando os moradores e destes agredindo os imigrantes. Na internet, vejo um comentário assim: “Isso é o que acontece quando seres humanos são colocados ao extremo. Podemos virar selvagens”. E ele não está errado.

Você já viu as condições em que os venezuelanos estão vivendo quando atravessam a fronteira e chegam a Pacaraima? É degradante, mas é tudo o que têm naquele momento.

No Acre, informações repassadas por representantes da Igreja Católica de que o estado tem servido de rota para que eles deixem o Brasil com destino ao Peru. Após, segundo muitos deles, serem agredidos aqui, a esperança é conseguirem vida adequada no país vizinho.

Os venezuelanos fogem da crise política, econômica e social no país de origem e buscam refúgio em vários países da América Latina, em especial, no Brasil.

O governo de Roraima pediu ajuda à União e as fronteiras já chegaram a ficar por algum tempo fechadas.

Em conversa com a voluntária da Cáritas, que é um organismo da sociedade civil da Igreja Católica, Aurinete Brasil, eu fiquei sabendo que acreanos se mudaram temporariamente para lá, com o intuito de ajudar. No entanto, os relatos são fortes. “A situação em Pacaraima é precária”.

Nota-se, mais uma vez, a ausência de ajuda efetiva do Governo Federal em resolver a questão. Não acredito que virar as costas para os refugiados seja o certo e muito menos abandonar a população de Roraima. Afinal, podia ser eu, você, podia ser o nosso país nessa situação. Ajudar é questão de humanidade.

* Brenna Amâncio é jornalista.
E-mail: brenna.amancio@gmail.com

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