Coleta Seletiva como opção social e ambiental

Sistematicamente os rios e igarapés que atravessam Rio Branco precisam passar por um programa de limpeza. Os esgotos também enfrentam o mesmo problema. Na grande maioria das vezes o principal responsável são os moradores que residem nas suas margens ou proximidade, despejando o lixo residencial, principalmente sacolas e garrafas plásticas, provocando barragens que acabam contribuindo no período de chuvas, na alagação, tanto dos rios, como nos bueiros congestionados.

Como ocorre nas principais cidades do Brasil, a Capital acrea-na começou o projeto da Coleta Seletiva. O objetivo é conscientizar a população para a importância de reciclar o lixo, permitindo que, além de diminuir a poluição ambiental, esse material possa gerar emprego e renda para pessoas de baixa renda trabalhando na UTRE (Unidade de Tratamento de Resíduos Sólidos).

Atualmente Rio Branco produz em torno de 180 toneladas diárias de lixo, destes algo em torno de 40 toneladas são exportadas pelo Catar – Associa-ção de Catadores de Materiais Recicláveis e Reutilizáveis de Rio Branco -, além de 14 sucatões existentes na Capital, estes isentos do IPTU, pois quem trabalha com material reciclável, a prefeitura isenta. “O principal objetivo da Coleta Seletiva é deixar de ter o lixo como problema para a cidade e ter como alternativa de renda”, disse o secretário de Meio Am-biente, Arthur Leite.

A prefeitura de Rio Branco, juntamente com a Semeia (Secretaria de Meio Ambiente) colocaram nas ruas dois caminhões para a Coleta, percorrendo, inicialmente, 25 bairros.  “Começamos pelos bairros que tem estrutura para a coleta, mas a intenção é expandir para outros”, disse a gerente. Danya também lembrou que em cidades onde há Coleta são exemplo, como Londrina e Belo Horizonte, o material que é separado chegam entre 4 a 5% de todo o lixo produzido.

O prefeito Raimundo Angelim autorizou a instalação de contêineres para material reciclado. Nas escolas públicas e em algumas repartições foram instalados os contêineres pequenos, que servem muito mais como educacionais para os alunos, devido seu tamanho pequeno. Os kits maiores de PEV (Ponto de Entrega Voluntária), com 1 metro quadrado e capacidade em torno de 300 a 350kg de lixo são os mais adequados para material reciclado. “Infelizmente nem tudo é coletado, boa parte da população pega a sacolinha e joga fora”, lamenta Danya.

O que é reciclável

Embalagens de refrigerantes, frasco de shampoo, condicionador, detergente, desinfetante, materiais de limpeza, de alimentos diversos, copos plásticos, canos, tubos, sacos plásticos, embalagens, tetra pak (mistura de papel, plástico e metal), embalagens de biscoitos, garrafas pet, garrafas de vidro, latinhas e metais são os principais.

Catar promove o lado social entre coletores

Cerca de 12 catadores da Associação do Catar trabalham atualmente na Usina de Triagem e Reciclagem, na UTRE – o novo aterro -, enquanto outros 30 trabalham no galpão do projeto, no Distrito Industrial, isso em um montante de aproximadamente 120 cadastrados no Catar.

Os catadores da Usina trabalham todo o lixo reciclado, separando por tipo de material, pois cada um deles são treinados para saber que tipo e separar ordenamente. “Quando você começa a reciclar, como atividade comercial, gerando emprego, começa a se mudar a mentalidade da população”, ressalta Arthur.

Porém, muito mais que simplesmente ser um local de trabalho, a Coleta Seletiva trabalha o lado social, pois grande parte destes coletores foram encaminhados da Secretaria de Assistência Social. “Algumas delas praticamente foram tiradas das ruas, encaminhadas para nós, que selecionamos muitos deles, vimos o perfil e aonde se encaixava”, explica Danya Coutinho, gerente de resíduos sólidos do Semeia.

Após avaliar o perfil o Semea encaminha o coletor para uma das funções, que pode ser na Usina, no galpão (localizado no Distrito Industrial), ou mesmo nas ruas, coletando o material reciclado. “Eles conseguem tirar em média um salário aproximado de R$ 600, trabalhando de segunda a sexta-feira”, disse Danya, ressaltando que no momento a Prefeitura de Rio Branco dá o transporte, porém a intenção é que em um futuro próximo o Catar possa “andar com as próprias pernas, sem depender da prefeitura”.

Como reciclar e separar para os coletores
A resistência de algumas pessoas em querer reciclar seu lixo é imaginar que teria que separar seu lixo em praticamente cinco lixeiras, para vidro, metal, papel, plástico e o orgânico. Porém não é desta forma que funciona a Coleta Seletiva.

Dentro das residências ou das empresas só é necessário que se tenham duas lixeiras comuns, uma para material orgânico (frutas, hortaliças, material higiênicos, casca de frutas) e a outra para o material reciclado (este sim para vidro, metal, papel e plástico). “Se fosse separar tudo seria muito difícil, por isso que pedimos apenas essa separação de lixo e na Usina de Triagem de Reciclagem, instalada na Unidade de Tratamento, é que é feita a separação”, explica Danya.

“Queremos mudar aquela coisa: ‘o lixo é tudo aquilo que eu jogo fora, para transformar no conceito do lixo sendo o que eu posso aproveitar’”, garante Arthur.
O caminhão da Coleta Seletiva passa normalmente um dia após o caminhão do lixo domiciliar. Se o lixo domiciliar passa na sua casa na segunda, quarta e sexta, o caminhão da Seletiva passa na terça ou quinta. Se o lixo domiciliar passa na terça, quinta e sábado, o caminhão da Seletiva passa na quarta ou sexta-feira. “Assim você coloca na noite anterior o lixo domiciliar e no dia seguinte coloca o Seletivo”.

Programação nos bairros
A Coleta Seletiva tem apenas dois caminhões percorrendo os 25 bairros da cidade e passam apenas uma vez por semana. No entanto, conforme for aumentando o número de residências e comércios atendidos, a intenção do Semeia é aumentar a quantidade de visitas nos bairros e os caminhões.

Confira os dias que os caminhões passam nos bairros e quais são eles: segunda-feira manhã (Bela Vista, Castelo Branco, Mascarenhas de Moraes, Residência Rio Branco [PAR]), terça-feira manhã (Habitasa, Aviário, Cohab do Bosque, Tropical) e a tarde (Residencial Castanheira, Vila Ivonete), quarta-feira manhã (Mauro Bittar, LBA, Vila Betel, Residencial do Calafate [PAR]), quinta-feira manhã (Adalberto Sena, Xavier Maia, Juruá, Envira, Purus) e a tarde (Santa Inês, Santo Afonso, Triângulo Novo, Triângulo Velho, Cidade Nova, Bairro XV, Residencial Vila Acre [PAR]), e sexta-feira manhã (Tucumã, Universitário e Residencial Ipê).

Papel vira arte na Oficina de Reciclagem

“A imaginação é o limite”. Assim explicou Eliana Vasconcelos, responsável pela Oficina de Reciclagem de Papel, quando indagada sobre o que poderia ser criado. Uma das artes que mais se destacavam na prateleira da Oficina era um navio totalmente construído com papel reciclado, rico em detalhes, como todos os outros objetos no restante da prateleira.

A crise ocorrida a nível mundial derrubou o preço do papel reciclado. “O quilo do papel, que era de R$ 0,01, caiu ainda mais, o que ficou inviável exportar, pois sairia mais caro o frete para fora do Estado que o valor pago por ele”, lamentou.

Apenas uma pequena parcela acaba na Oficina de Reciclagem de Papel e o restante é encaminhado para a Unidade de Tratamento.

A oficina, com 14 anos de existência, tem atualmente quatro funcioná-rios, sendo dois artesãos e dois esta-giários, produzindo em média 3,5 mil artesanatos em papel reciclado, além de várias oficinas, atendendo em torno de 1.000 pessoas em mais de 30 cursos.

Como é o processo de reciclagem
Amassa o papel para melhor absorção de água;
Coloca os papéis amassados em uma bacia com água;
Os papéis dissolvidos são colocados dentro do liquidificador industrial e batidos até virar uma massa pastosa;
Retirar do liquidificador a massa pastosa e leve para uma bacia grande ou caixa d’água. Misture bem e em seguida mergulhe a tela na água. Retire e deixe numa posição que a água possa escorrer naturalmente;
Coloque a tela sobre uma folha de jornal para que seja absorvida a água;
Com a esponja retire o excesso da água;
Retire a tela deixando o papel grudado no jornal;
Estenda o jornal com o papel para secar;
Retire o papel do jornal. Esta é a folha de papel reciclado.
OBS.: Caso queira fazer o papel colorido coloque a tinta xadrez quando bater no liquidificador.

PREÇOS

Objetos Tamanho Valor
Caixas Grande 29x26cm R$ 15,00
Porta objetos 8x8cm R$ 4,00
Cadernetas 10x15cm R$ 5,00
Porta Retratos 15x20cm R$ 4,00

Encomendas antecipadas no Departamento de Educação Ambiental: mural, caixa, porta-retrato, porta lápis, blocos de anotações, encadernações, além de outras verdadeiras obras primas.

 

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