Após revitalização, Sborba é inaugurada

Sborba
O governador Binho Marques inaugurou ontem, 30, as obras de restauração e revitalização da Sociedade Beneficente dos Operários de Rio Branco (Sborba). Em uma cerimônia que lotou o salão do clube – e em clima de bastante descontração, o governador reuniu autoridades, lideranças políticas e comunitárias, associados e membros da diretoria para entregar o trabalho de restauração que, acima de uma simples reforma, restitui ao povo do Acre um referencial de lazer, cultura e história. “Tenho certeza de que a partir deste momento o Acre está muito mais feliz e muito Acre”, disse o governador, que cuidou pessoalmente dos últimos detalhes para a entrega do espaço ao público.

Estiveram presentes o ex-governador Jorge Viana que deu início, em 1999, ao projeto de recuperação da autoestima do povo acreano autorizando a restauração e devolvendo espaços históricos à sociedade; o presidente da Assembléia Legislativa, Edvaldo Magalhães e sua esposa, a deputada federal Perpétua Almeida; o prefeito de Rio Branco, Raimundo Angelim; o presidente da Fundação Elias Mansour, Daniel Zen e freqüentadores da Sborba, como dona Dalila Dahun e o desembargador de Justiça aposentado, Lourival Marques. “É por isso que o Acre está dando certo: porque valoriza o passado”, disse Jorge Viana. “Mantém-se a tradição de onze anos de governo da Frente Popular do Acre de revitalizar e devolver ao povo o patrimônio histórico e cultural”, completou Daniel Zen.

No prédio que hoje mede cerca de 300 metros quadrados e foi construído no final da década de 1940, foram realizados serviços de revitalização da fachada original, onde se destaca em alto relevo o nome Sborba; recuperação do forro original e do salão de dança, da bilheteria, do mezanino e do bar. “Em torno deste clube temos as maiores jóias de nossa sociedade”, afirmou o governador, referindo-se às pessoas que construíram a Sborba. Ele lembrou a participação do Acre na COP- 15, a Conferência da ONU sobre mudanças climáticas, ocorrida este mês em Copenhague. “As pessoas ficavam perguntando o que o Acre tem de diferente”, citou Binho Marques. “Eu respondia: a diferença do Acre são as pessoas, seu povo”.

As obras foram realizadas com recursos próprios e custaram R$ 300 mil. Também foram incorporados instrumentos que facilitam a mobilidade de idosos e de portadores de necessidades especiais. Foram mantidos aspectos de antigamente e incorporadas coisas novas, como o acesso para cadeirantes e adequações que fazem com que o freqüentador se sinta bem. Cerca de 40 postos de trabalho foram gerados durante a execução do projeto. A professora Robélia Fernandes expôs um histórico da Sborba, considerando-o como “referencial das questões operárias”, além de um espaço de diversão. A ativista cultural Silene Farias, por exemplo, fez o curso de datilografia na Sborba, que para oferecer qualificação aos trabalhadores mantinha convênio com a Secretaria de Educação. “Aqui muitas coisas importantes aconteceram”, declarou Silene.

Festas que marcaram gerações
A Sborba é bastante representativa para a história do Acre por suas manifestações. Seu último sócio-fundador ainda vivo é o ex-guarda territorial Fernando Francisco de Souza, de 84 anos, que lembra que o primeiro prédio funcionou por dois anos na Rua Pernambuco, mudando-se em 1950 para a sede definitiva na Rua Rio Grande do Sul. “É grande minha emoção. Quero apenas agradecer e desejar feliz ano novo para o governador e todos do Acre”, disse o policial que presidiu e durante anos viveu para ajudar a manter o clube.

“Teve uma época que chegou muito ´arigó´em Rio Branco e eles não tinham um lugar para seu lazer”, diz fazendo referência à elitização dos clubes Tentamen e Rio Branco. Arigós eram trabalhadores braçais migrantes, assim apelidados em toda a região Norte.

Estudiosos da relação capital e trabalho na Amazônia põem a Sborba como uma organização mutual, de ajuda mútua entre trabalhadores – uma instituição pré-sindical. Numa primeira fase, um clube de encontro e lazer e, em seguida, uma obra beneficente que além de auxílios em casos de doença e morte  mantinha  cursos de alfabetização e qualificação para os operários.

Em sua melhor fase, as festas eram constantes e grandiosas. “Todo 7 de Setembro tinha uma festa”, relembrou Fernando Souza contemplando, apoia-do em uma bengala, o prédio sexagenário que integra o Centro Histórico de Rio Branco e por si só relata e retrata a riqueza de uma época no Acre.

Prédio está sendo tombado como patrimônio histórico
Além da reforma, o Governo do Acre, através do Conselho de Patrimônio Histórico, mantém o  processo de tombamento do prédio da Sborba como patrimônio histórico e artístico do Acre. O prédio está localizado na Rua Rio Grande do Sul, 1.294, em Rio Branco. De acordo com Daniel Zen, da Fundação Elias Mansour, o processo em fase de instrução, em que se colhem depoimentos, fotografias e documentos acerca do patrimônio. A Sborba foi fundada em 7 de julho de 1948 por pedreiros, carpinteiros, ferreiros, mecânicos e demais trabalhadores avulsos que prestavam serviços em obras do Governo. Em 2009, completou 61 anos de existência. O prédio, misto de protomodernismo com art déco, ficará sob cuidados da Fundação Elias Mansour. (Agência Acre)

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