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Rio Branco reúne 12 estados para o 2º Encontro Coletivo de Saneamento

Com a proposta de melhorar serviços relacionados à rede de tratamento de água, o Sindicato dos Urbanitários (Stiu/AC) abriu ontem, às 9h, no auditório da Eletronorte, o 2º Encontro Coletivo Norte/Nordeste de Saneamento. O foco principal do seminário é o modelo de gestão participativa que Rondônia vem adotando com sucesso nos últimos 10 anos e como essa política poderia ser espalhada por todo o Brasil.

O evento durará até às 17h de hoje e reunirá 12 estados para o debate de suas conjunturas: Acre, Rondônia, Amazonas, Roraima, Pará, Sergipe, Alagoas, Maranhão, Bahia, Amapá, Rio de Janeiro e Minas. A meta é que todos eles troquem experiências, a fim se superar problemas em suas respectivas gestões no tratamento de água e esgoto.

Mas será que a gestão de saneamento acreana precisa melhorar? De acordo com Marcelo Jucá, presidente do Stiu/AC, precisa sim, e bastante. Segundo ele, as condições de trabalho que o servidor local tem para realizar o seu ofício são precárias e nada funcionais. Por isso, Marcelo conta que foram convidados gestores dos três principais órgãos de tratamento de esgoto daqui (Deas, Saerb e Sanacre) e servidores dos Stius de todos os 12 estados para as discussões do 2º Encontro Coletivo.

“Precisamos avançar em vários pontos, pois nosso quadro atual é problemático. Para superar tais dificuldades, devemos nos espelhar no modelo de gestão comunitária que os nossos vizinhos estão desenvolvendo. Unificar a administração de saneamento local em um órgão gerido pelos trabalhadores. Só eles conhecem de verdade  a nossa realidade. Eu sei que se trata de um processo difícil, mas precisamos insistir nele para mudar as coisas. A nossa população merece um serviço melhor”, comentou Jucá.

 Uma década da ‘política ideal’ de saneamento
Para explicar o modelo de gestão participativa, o seminário de Rio Branco contou com a presença de vários representantes de Rondônia. Um deles é Marcus Roberto, secretário de Saneamento Ambiental do Stiu/RO. Segundo ele, este processo ideal trata-se de uma passagem da administração de saneamento/tratamento de esgotos das mãos de gestores públicos ou privados para a dos trabalhadores, que devem se comprometer a cumprir metas para aumentar a qualidade de serviços do setor.

Como forma de colocar este regimento em prática, Marcus explica que a gestão da Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia (Caerd/RO) passou a ser coordenada por um diretor técnico e por um administrativo. Os dois cargos são escolhidos em assembléias pelos servidores, como seus representantes junto ao governo estadual. 

“Há 10 anos, o saneamento de Rondônia era tão péssimo que o Governo queria até privatizar o serviço. Então, nós aderimos a esta política comunitária e conseguimos evoluir esta utilidade pública de um quadro gravíssimo para um estável. Hoje, temos 97% de água de esgoto tratada, políticas fortes na nossa companhia e trabalhadores com mais qualidade de vida, que recebem mais justamente os seus salários e benefícios. E o nosso projeto continua forte, tanto que já nos tornamos exemplos para a Fundação Nacional dos Urbanitários e até para outros países (o projeto foi mostrado na França)”, contou ele. 

Conforme Wilson Lopes, diretor técnico da Caerd/RO, além de mudar a realidade local, o modelo participativo também conseguiu atrair e aplicar melhor os recursos do Programa Nacional de Aceleração (PAC) do Governo Federal. “É o resultado que se tem quando o poder é repassado para aqueles que realmente estão comprometidos em melhorar a qualidade desse serviço de saneamento”, declarou ele.