Após 7 anos, Anselmo Forneck se despede do Ibama com consciência do dever cumprido

O antropólogo/ambientalista Anselmo Forneck reuniu a sociedade e os amigos de parcerias ontem, às 9h, no Sebrae, para a sua cerimônia de despedida da superintendência regional do Ibama. Depois de 7 anos à frente do cargo, o catarinense deixou o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais com inúmeros avanços na descentralização da gestão ambiental, na consolidação das resex, nas operações de fiscalização e em ações de incentivo à preservação e manejo sustentável.
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Desta forma, a sensação que marcou a saída de Anselmo Forneck não poderia ser outra senão a de dever cumprido. De acordo com o ‘ex’-superintendente, é um orgulho incalculável deixar o Ibama num momento tão fortalecido das atividades. Em especial, depois de tudo o que foi conquistado.
“Quando eu assumi a função, fiquei receoso diante de tanto trabalho que tínhamos para superar nossos problemas ambientais. Agora, é gratificante ver que o paradigma do Ibama e da população é outro. Para tanto, eu avalio que 2 dos nossos maiores sucessos foram a descentralização da gestão ambiental das mãos do Governo Federal para os órgãos locais (Estado e município) e o forte combate ao desmatamento na Ponta do Abunã e Boca do Acre, onde reduzimos, respectivamente, 87% e 91%. No Estado inteiro, diminuímos 7 vezes a nossa contribuição anual de desmatamento, saindo de 0,7% em 2003 para 0,1%”, comentou Forneck.

Outro ponto forte destes 7 anos de administração foi a afirmação do propósito das reservas extrativistas e das 17 Unidades de Conservação (5.107.836 ha, isto é, 31,1% do território esta-dual). Segundo Anselmo, o Ibama/AC e seus parceiros investiu mais de R$ 30 mi para firmar nas UCs/resex do Acre 4,5 mil casas/famílias beneficiadas pelo Crédito Habitação do Programa nacional de Reforma Agrária.

Além destes pontos, foram destacados como outros avanços a valorização dos servidores na gestão ambiental (capacitação, modernização administrativa, melhorias nas instalações), o aumento de parcerias do órgão (PM, PF, PRF, Semeia,Deracre, MPF, Incra, Embrapa, etc), consulta dos acreanos ao Plano ‘Amazônia Sustentável’ (PAS), empenho nos conselhos estaduais relacionados ao Meio Ambiente e nas ações de fiscalização (extensão, prevenção, planos, metodologias, controle e operações).

Anselmo Forneck se desincompatibilizou do cargo para se dedicar exclusivamente à sua nova jornada na política, pelo Partido Verde (PV).
A superintendência do Ibama está sendo administrada interinamente por Diogo Selhorst, diretor da Divisão de Controle e Fiscalização (Dicof). Dentro do prazo de 3 a 4 semanas, o MMA deverá empossar um nome definitivo para o cargo. 

Classe de servidores ambientais adere à greve nacional
Os 120 especialistas em Meio Ambiente do Acre – atuantes no Ibama, Instituto Chico Mendes e Agência Nacional de Águas – entraram ontem em greve por tempo indeterminado. Os servidores cruzaram os braços no Estado por conta da paralisação nacional, que busca o reenquadramento e reestruturação de carreiras da categoria. O movimento foi deflagrado em mais de 15 Estados do país, desde a última quarta-feira.

Conforme Ruscelino Barbosa, chefe da administração do Ibama/AC, trata-se de uma paralisação em decorrência exclusiva da falta de negociação do Governo Federal. Ele conta que os especialistas tentaram negociar com a União desde o começo do ano, mas não conseguiram avanços até o prazo de acordos salariais (30 de março). Por isso, os trabalhadores acenaram para greve nos dias 29 e 30 de março, como forma de marcar posição para quando o Ministério do Planejamento estiver apto a negociar novamente.

“Agora, não há como obter o reenquadramento completo porque é impossível à União conceder reajustes salariais. Assim, os servidores promovem a greve para fazer com que os novos gestores eleitos para o Governo Federal se comprometam a negociar as reivindicações. A classe pede um documento de intenção de acordo da União”, disse.

 Com a greve nacional, o licenciamento de obras do novo formato do PAC estará interrompido. Em âmbito local, Ruscelino Barbosa aponta que os prejuízos ainda estão sendo calculados.

 

 

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