No Acre, Piza lança obra que relembra a viagem de Euclides pelo Purus

Quando foi para a Bahia cobrir a guerra que vitimava milhares de vidas e abalava as estruturas da recém implantada República, Euclides da Cunha era jornalista do diário O Estado de São Paulo. Das páginas do jornal, a história narrada por ele virou uma das obras mais consagradas da literatura brasileira: “Os Sertões”. Em 2009, o jornalista Daniel Piza subiu e desceu o Rio Purus para produzir reportagem sobre a passagem de Euclides da Cunha pela Amazônia em 1905.

Piza
Do caderno especial do mesmo O Estado de São Paulo, a aventura de Piza a bordo do navio batizado com o nome do escritor foi parar nas páginas do livro “Amazônia de Euclides – A Viagem de Volta ao Paraíso Perdido” (Leya, 192 p R$ 39,90).  O paralelo entre as duas obras e suas circunstâncias fica por aqui. São livros escritos com espaço de tempo de mais de um século e com autores com personalidades totalmente diferentes.

Ontem à noite, Piza lançou seu livro no Acre. A festa de lançamento e autógrafos aconteceu na Biblioteca da Floresta. “Amazônia de Euclides” pode ser comprado na Livraria Paim e também pelos sites das principais livrarias. Além de textos, a obra é ilustrada com as fotografias de Tiago Queiroz. Acompanhados do desembargador Arquilau de Castro Melo, Piza e Queiroz visitaram pela manhã o jornalista e escritor Silvio Martinello, diretor- geral de A GAZETA.

O livro de Piza é uma forma de mostrar ao Brasil essa parte da conturbada biografia de Euclides da Cunha, morto pelo amante de sua esposa. As obras sobre a passagem de Euclides pela Amazônia estão resumidas, em sua maioria, ao campo acadêmico. Amazônia de Euclides vem para preencher esse vazio e é uma oportunidade para os brasileiros conhecerem um pouco dessa região tão encantadora aos olhos do mundo, mas desconhecida do país.
Daniel Piza é jornalista e escritor. Atualmente é o editor de Cultura do Estadão. Apaixonado pela literatura, desejava sair um pouco do que se resumia a cobertura acerca da vida de Euclides: Canudos, Antônio Conselheiro e sua trágica morte. “Queria explorar essa passagem pela Amazônia que muitos não davam importância”, diz ele. Piza procurou contatos no Acre, e encontrou um entusiasta da biografia e obra de Euclides, o desembargador Arquilau de Castro Melo.

Piza foi convidado por Arquilau para integrar o navio que percorreria o Rio Purus, expedindo documentação para as pessoas que moram às margens do manancial. Era a oportunidade de Piza para refazer parte do trajeto de Euclides, que em 1905 saiu de Manaus chefiando a missão brasileira que demarcaria a fronteira com o Peru. O Acre acabara de ser anexado ao Brasil e era preciso redefinir os limites fronteiriços.

À medida que o barco atracava às margens do Purus para atender as comunidades, Piza e seu fotógrafo Tiago Queiroz tinham a oportunidade de conversar – e registrar – com as pessoas que a cada dia travam uma guerra pela sobrevivência no meio da floresta amazônica. Apesar dos 100 anos passados, o jornalista afirma não haver muita diferença entre as condições de vida encontradas por Euclides e agora por ele.

Piza não teve dificuldades em manter contato com os amazônidas. A gentileza e hospitalidade encontrada por ele não esconderam a infinidade de problemas a que estão expostos. “As dificuldades de ter acesso aos serviços de saúde e educação. Pessoas sem perspectivas de incremento na produção, vivendo da subsistência. São problemas que o Euclides apontou lá atrás e que o Brasil não soube resolver”, analisa.

 

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