Com o desgaste da greve, Sinplac quer fechar fissuras

Com quase um mês, a greve dos professores da rede pública estadual deixou várias arestas para serem aparadas. O desgaste maior aconteceu com o Palácio Rio Branco, que não deu o braço a torcer e apresentou somente propostas disponíveis diante do atual cenário das finanças estatais. Também não dispostos a ceder, sindicalistas arrastaram o movimento que, ao passar dos dias, foi se enfraquecendo e desgastando.

Além de atritos com o governo, os líderes se confrontaram com a própria imprensa. O vaivém de informações desencontradas acabou por levar o governo a interromper as negociações. Passada a tempestade, agora os sindicatos tentam fechar as fissuras.

O mais interessado é o Sinplac (Sindicato dos Professores Licenciados do Acre). Por não fazer parte de nenhum partido governista, a presidente Alcilene Gurgel tem enfrentado o governo e, como conseqüência, ambos não mantém a melhor das relações.

Em conversa com jornalistas, na manhã de ontem, Alcilene fez questão de reparar matéria publicada em um dos sites noticiosos da Capital. Segundo a sindicalista, a reportagem usou palavras pejorativas que não foram proferidas por ela. “Todos sabem que tenho divergências com o governo, mas de forma alguma iria usar palavras ofensivas contra o governador ou seus secretários”, afirma.

Passada mais de uma semana do fim da greve, o sindicato não recebeu a proposta oficial por parte do Palácio Rio Branco. O acordo previa um reajuste real de 10%. Alcilene Gurgel ressalta que o documento precisa ser analisado e apreciado pela categoria em um espaço de tempo curto, já que é necessário cumprir os prazos estabelecidos pelo calendário eleitoral.

Sinteac x Sinplac
A greve dos professores expôs certa divisão entre os dois principais sindicatos dos docentes: o próprio Sinplac e o Sinteac (Sindicato dos Trabalhadores em Educação). O movimento iniciou-se somente com o Sinplac. Em seus discursos, os membros dos licenciados exigiam a presença do Sinteac. Com a mobilização ficando forte, o Sinteac se juntou e a greve ganhou força.

Para Alcilene, a não adesão do maior sindicato do Acre nos primeiros dias ocorreu por  parte das reivindicações deles terem sido atendidas pelo governo na primeira negociação. Mesmo com tantas idas e vindas, Alcilene Gurgel classifica como vitoriosa a greve. “Nossa proposta era uma reposição da inflação dos últimos 12 meses, que chegava a 9,14%, e o governo cedeu 10%”.

 

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