CRM critica decisão do MP de permitir médicos de atuarem sem o registro

 A decisão do Ministério Público que permitiu que médicos formados no exterior, sem registro no Conselho Regional de Medicina (CRM), pudessem atuar em Porto Acre, motivou a visita. Tanto a presidente do CRM acreano, Dilza Ribeiro, quanto o diretor do Conselho Federal de Medicina, Hiran Gallo, criticaram a decisão do Ministério Público, ontem, aos parlamentares. Dilza afirmou que o CRM tem sugestões para suprir o déficit de médicos no Acre.   “Estamos buscando parcerias com o poder legislativo para que possamos fazer uma discussão mais ampla e resolver esse problema. Queremos um plano de carreira para o médico onde gente possa colocar em todas as cidades mais isoladas profissionais com melhores condições de salário e de trabalho para fixar o médico,” destacou.

Para Hiran Gallo, a exceção aberta abre um precedente perigoso. “O que está nos preocupando é o Ministério Público querer dar uma medicina de péssima qualidade à população. Querendo contratar pseudos médicos. Isso é uma afronta às leis brasileiras e o CFM irá combater esse tipo de prática ilegal. Até que me provem ao contrário só quem pode dizer se um profissional está habilitado é o MEC e o CRM. Portanto, temos exemplos de médicos que fizeram cursos em Cuba e revalidaram seus diplomas. Mas quem não tem a revalidação está exercendo ilegalmente a profissão,” comentou.

A visão dos parlamentares –  O deputado Taumaturgo Lima (PT) concordou com a argumentação dos médicos. “O CFM e o CRM não são contra quem tem o diploma na Bolívia, em Cuba ou outro país. Eles são contra os profissionais trabalharem sem revalidar o diploma. O MP firmou um TAC com a prefeitura de Porto Acre para médicos trabalharem sem o CRM. Isso está infringindo a lei. Por isso, eles estão entrando com uma ação. Isso realmente tem que ser revisto. Também não concordo que o médico trabalhe sem o CRM validado. O Governo fez um grande esforço para que a UFAC pudesse revalidar os diplomas que é uma alternativa para os municípios isolados possam ter profissionais trabalhando,” analisou.

Já o médico e deputado Donald Fernandes (PSDB) preferiu culpar o Governo pela falta de médicos no interior. “Todos tem que ter a regularização no CRM. Mesmo com o déficit de médicos no Estado. O Governo tem que colocar isso como prioridade e resolver. É preciso oferecer bons empregos e equipar os hospitais dos pequenos municípios fazendo com que os médicos trabalhem em condições favoráveis. Sem isso não há como atrair médicos de fora e, no Acre, não temos profissionais para suprir a carência,” finalizou.

 

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