Indefinição e burocracia comprometem Luz para Todos no Acre

A indefinição do Ministério de Minas e Energia sobre qual o melhor modelo de placa solar para ser instalada nas comunidades mais isoladas da Amazônia tem deixado 12 mil famílias acreanas ainda vivendo nos tempos da lamparina, velas e lanternas. Enquanto que a Eletrobras Distribuição Acre acredita que placas com potência de 13 quilowatt-hora (Kwh) são as ideais, a pasta quer modelos que tenham capacidade de suportar o funcionamento de uma geladeira, ou seja 30 Kwh.Luz
Das mais de 12 mil famílias cadastradas pelo programa Luz para Todos que podem ter acesso à energia a partir de placas solares, somente 103 foram beneficiadas por conta de um projeto experimental. A Eletrobras tem R$ 20 milhões para a compra dos equipamentos, mas não pode investir os recursos enquanto uma definição não for posta. A não execução dessa parte do Luz para Todos tem emperrado a instalação da rede convencional.

Como ainda está com recursos em caixa, a Eletrobras/Acre não pode solicitar mais verbas para pagar as empresas responsáveis pela instalação de postes e de toda a rede elétrica para as comunidades rurais. Mais de quatro mil famílias aguardam a chegada da energia. Com os pagamentos atrasados, as empresas estão com o cronograma do programa comprometido. A situação se agrava pelo fato de serem de pequeno porte, necessitando da antecipação de parte do valor contratado.   

Para Alberto Fernandes, coordenador do Comitê Gestor do Luz para Todos no Acre, o atraso no repasse do dinheiro para as empresas não compromete a execução final das metas do programa. Prorrogado em 2008 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva até o final desse ano, o Luz para Todos pode ter seus contratos executados até 2011. A inadimplência, porém, pode diminuir o número de famílias atendidas em 2010.

A meta é de que 4,5 mil casas recebem eletricidade até 31 de dezembro. O último levantamento aponta em pouco mais de 1,8 mil as beneficiadas nestes primeiros meses do ano.

“Estamos no começo do verão, o melhor período para as obras, mas as empresas estão paradas”, lamenta Fernandes. Antes do Luz para Todos, 90% das comunidades rurais e florestais do Acre não dispunham de energia elétrica. Desde sua implementação, em 2003, mais de 31 mil famílias já foram beneficiadas.  

 

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