Moto-taxista denuncia que foi torturado dentro da PF

O moto-taxista Marcos Carneiro Soares, 30 anos, procurou a imprensa para denunciar que foi vítima de tortura física e psicológica praticado por agentes federais, nas dependências da Superintendência da Polícia Federal em Rio Branco.
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Segundo a suposta vítima, a tortura aconteceu na noite de sábado, 22, após um agente da  PF ter feito uma emboscada para prender e torturar o moto-taxista.

Marcos Carneiro disse que tudo começou  no início da tarde de sexta-feira, 21, quando ele estava chegando ao ponto de moto-táxi onde trabalha, na Rua Epaminondas Jacome, Centro de Rio Branco.
Segundo Marcos, quando ele chegou ao ponto tinha um homem em uma moto estacionada no local destinado aos moto-taxistas.

“Dei sinal de luz para ele sair e ele não saiu. Quando eu estava estacionando o pneu de minha moto encostou-se ao pneu da moto dele, motivo suficiente para o homem sacar uma pistola e apontar contra mim. Em seguida, chegou outro homem que também sacou uma arma e os dois deram voz de prisão. Eu perguntei quem eles eram e um afirmou que era policial federal, pedi que se identificasse e ele puxou um cordão de dentro da blusa, onde tinha um emblema da PF. Em seguida, mandou que eu ficasse de mãos para cima e eu afirmei que não ficaria por que não tinha cometido nenhum crime. Nesse momento, vários colegas moto-taxistas e pessoas que passavam pararam para assistir o que estava acontecendo comigo. Mesmo afirmando que eu  estava preso por desacato a autoridade policial, os dois homens foram embora”, contou.

Agente da Polícia Federal acusa moto-taxista
Após a saída dos agentes federais, o moto-taxista  foi à Superintendência da Polícia Federal saber se os dois homens que teriam o abordado no Centro da cidade eram mesmo policiais federais.

“Fui recebido por um policial que estava na recepção da superintendência e contei a ele o que havia ocorrido. Ele fez uma pesquisa dos números das motos e disse que não existia nenhuma moto cadastrada com aqueles números e pediu que eu retornasse outra hora, pois seria recebido por um delegado”,  afirmou Marcos Cunha.

Segundo o moto-taxista, ele retornou para  o ponto onde, por volta das 15h, apareceu um passageiro que solicitou uma corrida ao Hotel Triângulo, localizado na Rua Floriano Peixoto, em frente à sede da Polícia Federal.

“Quando cheguei ao hotel o passageiro desceu e me pagou com uma nota de R$ 10 e devolvi o troco acompanhado de um folheto evangélico. Quando eu ia saindo, o homem segurou a moto e disse que eu não sairia dali e como eu estava longe dos meus colegas eu ia conhecê-lo melhor. Por celular, o homem chamou outros dois agentes e me agarrou pela camisa e me puxou de cima da moto”, contou a suposta vítima.

Enquanto estava sendo sufocado pelo agente, dois outros chegaram em uma caminhonete e começaram agredi-lo a socos e pontapés.

Os três resolveram levá-lo para o interior da sede da Superintendência da PF onde, segundo o moto-taxista, os agentes o espancaram mais ainda e o torturaram física e psicologicamente para, em seguida, ser encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), onde foi ameaçado caso revelasse alguma coisa ou mostrasse as marcas no corpo ao médico legista.

PF divulga nota de esclarecimento sobre o caso
 Em 21 de maio, última sexta-feira, uma equipe de policiais federais  realizava a condução de indivíduo preso, em flagrante, à Superintendência  de Polícia Federal no Acre, quando um dos veículos afastou-se do comboio. 

Outro agente de polícia federal, o qual conduzia motocicleta, viatura  policial, parou o veículo sem descer da mesma, segundo as normas de  trânsito, a fim de aguardar a reintegração do comboio. Ato contínuo, o  policial foi deliberadamente agredido por moto-taxista M. C. R. O servidor  público, no exercício de sua função, identificou-se, M.C.R. continuou  destratando-o, desrespeitando-o grosseiramente e, ainda, recusando-se a  apresentar documentos solicitados. Configurado o delito de desacato, 

M.C.R. foi conduzido a esta unidade para a realização dos procedimentos  legais. Em seguida, M.C.R. foi levado ao Instituto Médico Legal, onde foi  submetido a exames e constatada sua plena integridade física e total  ausência de lesões corporais, nos termos de Laudo de IML, n.º 03.2235.05.10.

 

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