Flaviano critica a mudança da data de referendo do horário

Durante entrevista ex-clusiva À GAZETA, o presidente do PMDB do Acre, deputado federal Flaviano Melo (PMDB-AC), analisou a postura do seu partido nas próximas eleições. Criticou a decisão do TRE-AC de colocar o referendo do horário no segundo turno. Também garantiu que apesar de Michel Temer (PMDB-SP) ter sido indicado como candidato à vice de Dilma Rous-seff (PT), o PMDB, no Acre, apoiará Serra (PSDB).
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Mais uma vez Flaviano salientou que não será candidato ao Senado e disse acreditar que a convenção partidária deverá confirmar o nome do vereador Rodrigo Pinto (PMDB) à disputa do governo estadual. O parlamentar também ressaltou as estratégias peemedebistas para levá-lo à reeleição como deputado federal.

Referendo do horário no segundo turno
A resolução do TRE-AC desagradou profundamente Flaviano Melo. Autor da emenda que determinou o referendo para decidir se os acreanos aprovam o novo horário do Estado, o parlamentar lamentou a decisão. “Entendo que houve um desrespeito com o legislador. O decreto discutido e aprovado na Câmara e no Senado não só instituiu o referendo como determinou que a consulta se realize simultaneamente à primeira eleição depois da sua aprovação. A primeira eleição não é no dia 31 de outubro.

Não existe eleição de segundo turno. Isso é apenas uma possibilidade. Um dos pontos mais discutidos foi o dia da realização do referendo. Tive emendas que foram derrotadas. O TRE utilizou uma lei que dá direito à Justiça de marcar os referendos e plebiscitos desde que acompanhe a lei. O TRE acabou entrando numa discussão política e acho que isso não é bom para a democracia e nem para as eleições. Mas já provoquei a mesa da Câmara e vou esperar qual é a deliberação que irão tomar em relação a isso”, protestou.

Referendo e a política
Quanto aos efeitos eleitorais que o referendo possa ter sobre os outros cargos em disputa, Flaviano, não soube avaliar. “Não digo se vai alterar ou não o resultado das eleições no Acre. O que o povo vai ficar sabendo é que quem mudou o horário é um dos candidatos. Se a maioria vai querer voltar ou não ao horário antigo as urnas é que vão dizer. Se o candidato vai sofrer conseqüên-cias por ter mudado o horário ele que arque com os riscos. Não se pode é usar artifícios”, afirmou. Indagado se o segundo turno não é a mesma eleição, Flaviano, respondeu com outra interrogação. “E se não houver segundo turno nem para presidente e nem governador? O referendo acontecendo no dia da eleição do primeiro turno não haveria custos para o erário”, destacou.

Possível aliança PMDB-PTB
O assunto foi especulado na imprensa acreana. Mas Flaviano ainda não tem informações concretas sobre essa possibilidade. “Estava em Brasília e só cheguei no final de semana e não tive nenhum sinal diretamente para mim. Na segunda-feira vou saber se alguém do PMDB foi procurado. Lá dentro tem muita gente com ligação com o PTB e estamos abertos ao diálogo e ao entendimento. Nós queremos alianças com qualquer partido que queira e acredite no nosso candidato e nas nossas propostas”, explicou.

Disputa ao Senado
Mais uma vez Flaviano anulou qualquer possibilidade de ser candidato ao Senado. “Já disse diversas vezes que não tenho nenhum interesse em disputar mais eleições majoritárias. Isso porque são eleições de que se precisa andar muito mais e, obrigatoriamente, ter a maioria de votos em todos os municípios. Já não tenho a mesma mobilidade que tinha antigamente e a chance tem que ser dada para os mais novos. Deputados federais são oito e pode ter uma vaga para um velhinho como eu”, brincou.

Candidatura a deputado federal
O fato de ter candidato ao Governo limitou as possibilidades de alianças do PMDB nos cargos proporcionais. Mas Flaviano acredita que o partido conseguirá reelegê-lo. “O PMDB tirou como meta lançar candidatos a federal nos diversos municípios. Cada diretório está preparando um candidato para lançar no sentido de fortalecer a legenda. No Vale do Juruá teremos três ou quatro nomes. Isso tudo vai fazer uma legenda que vai ajudar na eleição. E eu vou trabalhar, mostrar o que fiz e o que represento ao Estado. Vou colocar meu nome para o povo acreano porque acho que ainda posso servir e ajudar no desenvolvimento do nosso Estado”, argumentou.

Candidatura de Rodrigo Pinto
Indagado se o PMDB bateu martelo definitivamente em relação à candidatura de Rodrigo Pinto, Flaviano, responde:  “Nada no mundo é definitivo. Temos um quorum ainda antes da eleição para tomar decisão. Para mim a candidatura do Rodrigo é definitiva, mas a convenção terá que referendar isso. Como todos estão dizendo que querem o Rodrigo como candidato a convenção deverá homologar no momento oportuno. Na convenção meu voto é a favor da candidatura do Rodrigo. Até agora também não vi ninguém dizendo que não vota. Acho que não vai haver problema. A única forma de mudar esse quadro seria o Rodrigo chegar e dizer que desiste de ser pré-candidato. Temos que respeitar. Mas como sei que ele não vai fazer isso nós vamos em frente”, garantiu.

O fator Michel Temer
Flaviano elogia o presidente da Câmara Federal, Michel Temer (PMDB-SP), vice da Dilma (PT). “Eu sou um deputado da base do Governo porque sou partidário. Voto sempre com o PMDB, salvo algumas coisas que para mim são ideológicas e não abro mão. O que não concordo, comunico ao líder e peço a liberação porque não passo por cima dos meus princípios. Tenho um entendimento histórico de muitos anos com o meu presidente Michel Temer. Ele é uma pessoa que respeita a todos e, não é à-toa, que é o presidente do PMDB e já foi três vezes presidente da Câmara. É um deputado que respeita a todos e tem diálogo. Acima disso, é um homem realmente preparado e pronto para assumir esses cargos que assume e desempenha com tanta habilidade e firmeza”, elogiou.

Por outro lado, o parlamentar garante que o PMDB acreano continuará sua trajetória eleitoral apoiando José Serra (PSDB). “São questões históricas que o Michel respeita. No Acre, as disputas PMDB-PT são acirradas. Ele não é o candidato a presidente. E aqui no o PT vota na Dilma? As pesquisas mostram que a Marina está na frente, seguida pelo Serra. Não há condição de mudarmos. O Michel entende e não nos cobra isso”, justificou.

Mas Flaviano salientou que numa eventual vitória de Dilma, e se voltar ao Congresso, continuará sendo um parlamentar da base governista. “Na outra eleição o PMDB trabalhou com o Alckimin (PSDB). Nós demos a vitória para ele no primeiro turno. Mas não tive nenhum constrangimento de seguir o meu partido na Câmara. Na política não posso ser o ‘eu sozinho’. Como democrata prezo o fortalecimento dos partidos e por isso a minha dedicação ao meu PMDB”, afirmou.

Apesar da decisão regional do PMDB, Flaviano, acha que será importante para o partido se Michel Temer se tornar o vice-presidente da República. “É um ganho para o PMDB o Michel vice. No fundo estão preparando o Michel para embates futuros. É um dos políticos mais íntegros de quem ninguém tem nada para falar. Ele é econômico quando fala na mídia. Mas nos embates na Casa ele mostra todo o seu preparo nas decisões que toma”, ressaltou.

Projeção do saldo  nas eleições
Em relação ao crescimento do partido com a atual configuração eleitoral, Flaviano, analisou: “acredito que é uma eleição contra o poder central e o estadual. É muito difícil um partido crescer na oposição num Estado pequeno. Mas não quer dizer que não crescemos. O PMDB elegeu o Nabor Jú-nior numa eleição na oposição. Cada eleição tem uma história e acredito que o PMDB pode crescer e aumentar a bancada de estadual e pode levar o Rodrigo ao segundo turno. A eleição só se decide no dia. Já vi muita eleição ganha da noite para o dia se acabar”, finalizou.

 

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