Motoristas interrompem greve para voltar à mesa de negociação

A população de Rio Branco poderia ter vivido ontem mais um cenário caótico pela falta de ônibus rodando na cidade. Contudo, uma manobra sensata da prefeitura e da deputada Perpétua Almeida evitou que mais de 45 mil usuários ficassem de novo sem Transporte Público. Assim, a greve dos motoristas e cobradores de ônibus finalmente foi encerrada. Isso não significa um ponto final para a questão, e sim uma trégua para que a categoria volte às mesas de negociações com empresários e ambos tentem acordos satisfatórios.
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Após a ameaça de parar 100% da frota, a classe se reuniu com a deputada federal do PCdoB e explicou a revolta generalizada que se formou depois das fracassadas tentativas de conciliação mediada pela Justiça trabalhista (tanto MPT/AC, quanto 14º TRT/RO).

A deputada e prefeitura da Capital decidiram apelar à reabertura das negociações junto às empresas, que se mostraram dispostas a buscar acordo e colocar um fim na greve. A prefeitura marcou a conciliação e a presidência do Sinttpac, acompanhada de Perpétua, levaram a idéia de negociação para a assembléia geral da categoria, no domingo à tarde. Os trabalhadores decidiram interromper a greve até o resultado das novas negociações.

Com isso, os ônibus voltaram a rodar 100% (independente de horário) e quem teve um de seus direitos básicos de cidadania respeitado novamente foi a população da cidade.

A primeira conciliação regida pela prefeitura aconteceu na tarde de ontem, às 15h, no Sest/Senat. Conduzida pelo secretário Márcio Batista (Articulação Política), a reunião foi fundamentada em 4 pontos principais: a Cesta Básica, a alimentação (café-da-manhã principalmente), o reajuste salarial e a famosa intra-jornada de trabalho.

“Esta não é uma negociação qualquer. É uma chance de recomeçarmos do zero e tentar achar um meio pacífico para resolver o impasse. A prova disso pode ser vista nos gestos das partes. De um lado, os trabalhadores suspenderam a greve. Por outro, os patronos se mostraram completamente dispostos a negociar. Por isso, eu creio que os dois podem chegar a um consenso se tivermos foco e tranqüilidade”, abriu o debate Márcio Batista.
“Deixamos essa corda esticar e quem mais saiu prejudicada com isso foi a população. Por isso, temos de vir 100% desarmados e tentar achar um acordo”, completou Perpétua. 

Resultados – Até o fechamento desta edição (18h), a reunião podia até não ter chegado ao efeito concreto que lhe era desejado, porém, já era notória a disposição mais amistosa e respeitável de ambas as partes (após tantas quedas de braços).

Ainda estava sendo discutido o 1º ponto de negociação: Cesta Básica. Conforme acerto convencional entre as partes, a cesta e um beneficio que é dado hoje sob 2 formas, uma como beneficio normal (R$ 88 no atacado), B, e a outra sob premiação (R$ 110), A. Os trabalhadores pediam para que não houvesse descontos (salvo em falta injustificada) ou a ter cesta única sem descontos (já que faltas são abatidas no salário). As empresas queriam que se mantivesse a forma atual no acordo coletivo (por 4 pontos para desconto).

Também foi deixado para depois o pedido do sindicato para que as faltas assinaladas durante a greve sejam retiradas pelas empresas (não era item básico).

Segundo a presidente do Sinttpac, Celina Costa, nos demais pontos o sindicato espera que seja concedido café-da-manhã, almoço (só para quem estiver de serviço ao meio-dia) e janta (passar das 21h); que haja uma melhora no rea-juste salarial (Sinttpac pede 12% e Sindcol oferece 6%); e uma solução mais amistosa sobre a intra-jornada (questão que ela mesma disse que deveria ser resolvida ainda na reunião de ontem).

Celina também contou que os resultados das novas negociações serão levados para apreciação da categoria. Caso sejam bem recebidas, o movimento grevista acabará de vez. Caso não tenham uma boa aprovação, a greve será reaberta.  

 

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