Pai acusado de espancar, morder e matar bebê de dois meses vai a Júri Popular

O Tribunal do Júri Popular de Rio Branco será palco de um julgamento polêmico na próxima segunda-feira, 7. Sentará no banco dos réus o desempregado David de Araújo Coutinho, 22 anos, acusado de provocar a morte da própria filha, de apenas 2 meses e 25 dias de nascida. A criança teria sido violentada com mordidas durante a agressão que resultou no óbito. O início do julgamento está previsto para 8h da manhã.

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De acordo com a denúncia oferecida pelo Ministério Público Estadual (MPE), o crime aconteceu no dia 21 de março do ano passado, no bairro Taquari, em Rio Branco. A mãe da menina, Terezinha da Silva Souza – que responde a denúncia na modalidade culposa – teria saído de casa para marcar uma consulta para a filha.

Na ausência da mãe e supostamente com fome, a criança teria começado a chorar insistentemente, o que teria desagradado o acusado. Ele afirma que pegou a criança para acalentar, mas exames comprovam que a vítima teve hemorragia cerebral, o que confirma a agressão.

Os autos demonstram ainda que o crime ocorreu num ambiente de fácil proliferação de drogas e que, inclusive, o acusado e a mãe da criança seriam usuários de entorpecentes. David teria ainda feito uso de bebida alcoólica no dia em que teria agredido a menina.

O choro da criança teria motivado a reação violenta do acusado, apesar de ele ter alegado em juízo que se tratou de um acidente, haja vista que ele brincava com a menina, jogando para cima, quando ela caiu e se machucou.

A defesa do acusado será feita pelo advogado Armisson Lee Linhares. Segundo ele, o acusado é acometido de grave enfermidade mental, o que não foi levado em conta pelo juiz ao rejeitar o pedido para a realização de exame comprobatório. “Um pai que mata um filho não pode ser considerado uma pessoa normal”, disse.

O crime
Imediatamente, os militares seguiram em direção ao endereço citado. A chegar ao local se depararam com uma cena que teria chocado o mais experiente dos policiais.

Eles encontraram uma criança do sexo feminino, com apenas 2 meses de vida, em estado de coma. De imediato, os militares detectaram que a recém-nascida teria sido vítima de agressão física, embora o pai David Araújo alegasse que a criança teria caído da cama.

Sem tempo para questionar detalhes do ocorrido e avaliando a gravidade do estado de saúde da criança, os militares acionaram uma equipe de paramédicos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que encaminhou a criança ao Pronto-Socorro. Os médicos que atenderam a criança detectaram que ela havia sofrido múltiplas fraturas, inclusive craniana e hematomas provocados por mordidas por todo o corpo.

A criança não resistiu à gravidade dos ferimentos e morreu na manhã do dia 24, três dias depois da agressão.

Pai nega intenção de matar
O acusado, segundo a polícia, estaria em visível estado de efeito de entorpecentes. Na delegacia, David confessou à delegada Jussara Fernandes que mordeu a criança após ela ter caído da cama e desmaiar, mas alegou que as mordidas eram tão somente com a intenção de reanimá-la.

Horas depois do primeiro depoimento, o acusado deu outra versão para a polícia, na qual confessou que ele e a mãe da criança, Terezinha da Silva Souza, 26, e a mãe dele, Criselda Rodrigues de Araújo, 47, eram dependentes químicos e que na noite anterior teriam consumido droga. Quando amanheceu o dia, a mulher dele, Terezinha, teria saído de casa deixando a filha dormindo na cama.

Mas a criança acordou e começou a chorar. Ele teria ficado irritado com o choro da menina e resolveu acalmá-la, a pegando nos braços e jogando para cima. Em um desses momentos, ele não conseguiu aparar a criança, que caiu no chão e desmaiou. Foi então que ele passou a mordê-la na intenção de reanimá-la.

– Enquanto a criança era socorrida por paramédicos, policiais militares prenderam David Araújo, o pai da criança, como principal suspeito.Era manhã de sábado, 21 de março de 2009, quando uma guarnição da Polícia Militar, foi acionada via Ciosp para atender uma ocorrência na Rua Baixa Verde, bairro Taquari, em que um denunciante anônimo informou à polícia que algo grave estaria acontecendo no endereço. A vítima seria uma criança recém-nascida.

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Terezinha da Silva, mãe da criança

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