Maconha: liberar geral!

Na “sabatina” que a Record News submeteu a candidata, à Presidência do Brasil, Marina Silva, foi-lhe feito uma velha e manjada pergunta: a liberação da droga maconha ao público. Enquanto ouvia a resposta da senadora, com base principalmente em seus princípios reli-giosos, fiquei pensando que, salvo equívoco, em nenhum país do mundo se planta e se usa maconha livremente. Na Holanda o consumo da maconha foi liberado para ser usada em alguns coffe shops e em ambiente turístico. Lá não se pode fumar maconha abertamente na rua, como querem algumas celebridades brasileiras.

Ao invés de se perguntar aos candidatos, dentre os quais saíra o próximo presidente da República, sobre a liberação total da maconha ao público, creio que o que mais interessa ao eleitor brasileiro, é saber o que será feito ou que providências serão tomadas para conter o avanço do tráfico de drogas no Brasil, já que debelar completamente é quase impossível. A propósito o senador Tião Viana, candidato a governador do Acre, pela Frente Popular, declarou recentemente, em programa de TV local, que, se eleito, um ponto central a ser combatido (pelo seu governo) será o tráfico de drogas e principalmente o tráfico nas regiões de fronteira. Um bom sinal!

Todos sabem que, na medida em que o tempo passa, mais aumenta a incidência de consumo de drogas no mundo inteiro. A maconha é a droga ilícita mais popular do mundo, com 144 milhões de usuários. Nada consegue parar essa trajetória maldita que infelicitam milhões de pessoas e que não respeita idade, raça, religião, leis humanas e tudo mais. Entretanto, o que causa perplexidade, não somente ao cidadão comum, mas a todos em geral é o fato de uma nação como os EUA, por exemplo, detentora de alta tecnologia a ponto de saber como o tráfico de drogas funciona e a rota de entrada e saída, no próprio EUA, via México que abastece 60% da cocaína consumida pelo mercado norte-americano, se ver impotente diante do avanço devastador das drogas em seus domínios. A mesma impotência dá-se em relação à Colômbia, maior produtor de cocaína do mundo e outro grande fornecedor de heroína para os States. O Brasil por suas dimensões continentais é igualmente impotente. Se a fonte de pesquisa deste rabiscador de textos semanal são os alfarrábios, recortes de jornais e revistas, fragmentos da internet, o rádio e os telejornais, que são os mesmos do leitor comum, mostra dados alarmantes na rota do tráfico mundial, é certo que as autoridades em nível municipal, estadual e nacional detêm dados estatísticos mais atuais. Se não atuam efetivamente, é porque es-tamos todos impotentes.

Por outro lado, para não ser completamente injusto com quem trabalha, é notório o esforço das grandes nações em debelar esse mau que nos assola. O governo norte-americano, mesmo de mãos atadas em função do crescimento do cultivo de coca, entre outras drogas, na ordem de 24,7% em 2001, conforme informações da CIA (Agência Central de Inteligência, dos EUA) investiu US$ 1,3 bilhão no plano que visa combater o narcotráfico. Atualmente o país é destino de 50% da cocaína produzida no mundo. Os “excedentes” estariam tendo como destino a América Latina, inclusive o Brasil, que já é o segundo receptador mun-dial, de acordo com informações norte-americanas contestadas pelo governo brasileiro. É preciso enfatizar, para não haver contradição, que o Brasil é campeão em consumo de maconha.

No Brasil, a política do governo Lula para a prevenção ao uso de drogas foi consolidada a partir do seu primeiro mandato, em meados do ano 2003, por ocasião da 5ª Semana Nacional Antidrogas. Ali se anunciou a descentralização dos programas e a integração de diversos órgãos do Governo Federal.

Todavia, mesmo com todos os esforços do atual governo, o consumo de drogas aumentou drasticamente; não é mais uma epidemia, um surto pura e simplesmente, é uma endemia, uma peste generalizada. O mundo pode ser simbolizado, hoje, pela sua adesão às drogas, como um corpo canceroso, com metástases (Do grego Metástases) sede da afecção, enfermidades, espalhadas em todos os órgãos vitais.

Ademais é triste saber que em municípios carentes do Estado do Acre, para não citar outros Estados, a maconha e cocaína correm soltas deixando seu séqüito de inditosos. É fácil constatar a “olho nu”, infelizmente, que municípios necessitados de infra-estrutura básica; desprovidos de educação fundamental; indigentes do ponto de vista de assistência médico-hospitalar, improdutivos no campo da lavoura, alguns deles importam até cheiro-verde; despojados de cidadania em função das injustiças sociais e carentes de programas culturais benéficos ao corpo e ao espírito, estejam contaminados pelo tráfico e consumo de drogas.

Sei que a agressividade das palavras não soluciona um problema dessa dimensão. O mais certo é que cada um de nós faça a sua parte. E, enquanto lutamos, façamos a oração da serenidade, dos grupos AA, NARANON e AL-ANON, que possuem décadas de luta em favor dos dependentes químicos.

“Deus, conceda-me Serenidade, para aceitar as coisas que não posso modificar, Coragem para modificar aquelas que posso e Sabedoria para perceber a diferença”.

* Francisco Assis dos Santos é professor e pesquisador  bibliográfico em Filosofia e Ciências da Religião. E-mail: assis [email protected]

 

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