Aumento de despesas ‘trava’ crescimento maior da indústria

O crescimento do valor bruto da produção industrial acreana foi, de 2007 para 2008, de mais de R$ 40 milhões; em percentual esse desempenho foi de 13%. O resultado obtido poderia ter sido maior caso um outro dado não tivesse sido tão desvantajoso: as despesas da indústria. Os custos do setor de um ano para o outro foi o dobro do valor da produção, chegando a R$ 80 milhões.

Esses são os dados da PIA (Pesquisa Industrial Anual), divulgada essa semana pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Os dados do último levantamento são de 2008. Naquele ano, a indústria acreana tinha empregada pouco mais de quatro mil pessoas. Destes estabelecimentos, 37% são do setor de alimentos. Logo abaixo, com 21% do total, está a indústria de fabricação de produtos que têm a madeira como matéria-prima.

De acordo com Felipe Neri, gerente de planejamento do IBGE-AC, um dos fatores a influenciar o aumento das despesas do setor é o elevado encargo trabalhista, o que inclui aumentos de salários. “Houve um crescimento do valor bruto de produção significativo, mas que foi menor do que esperado por conta desse elevado aumento dos custos de operação”, diz Neri.

Outra razão a puxar para cima as despesas da indústria local é a distância do Acre em relação aos principais centros produtores de insumos do país. Para chegar até o Estado, produtos que no centro-sul saem em conta para os empresários de lá, no Acre chega pelo dobro em virtude do custo do frete.

Vale ressaltar que em 2008 o mundo ainda vivia o auge da crise financeira internacional, o que pode ter também influen-ciado este resultado. A pesquisa do IBGE aponta perfil semelhante entre as indústrias da região Norte. A exceção do Amazonas, o segmento de alimentos é que o predomina entre os estados. O Amazonas se diferencia por ter um dos maiores pólos industriais do Brasil, graças à Zona Franca de Manaus.

Realizada em todo o país com um mesmo método, a PIA é usada por investidores como referência na hora de decidir onde abrir um novo negócio. “Qualquer informação que as empresas buscam na hora de investir é no IBGE”, ressalta Neri. 

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