Moradores do bairro Vitória ameaçam deter máquinas em protesto

O Vitória compõe a lista de bairros da Capital que estão sendo beneficiados com recuperação de ruas por parte da Prefeitura de Rio Branco. O problema, segundo os moradores, é que as obras estão sendo feitas pela metade. As famílias que residem nas regiões não contempladas estão revoltadas e ameaçam reter as máquinas em protesto.

A Rua Alvorada – uma das principais via de acesso ao bairro – é apontada pelos moradores como o exemplo clássico do descaso. O asfalto é interrompido na metade da pista, deixando de fora do projeto de melhoria pelo menos 50 famílias, para só então recomeçar.

O motivo da interrupção é bem visível. Trata-se de um córrego formado a partir dos esgotos lançados das casas. Na ausência de uma rede de saneamento, os moradores cavam valas no fundo de seus quintais, eliminando através deles todos os tipos de dejetos.

A dona-de-casa Maria Juracir dos Santos mora no local há seis anos. Ela conta que ficou animada quando viu as máquinas da prefeitura chegar à primeira vez, mas depois foi entristecendo ao perceber que o trecho onde ela morava iria ficar de fora. Segundo ela, o problema é antigo e já gerou muita discórdia.

Os moradores que moram às margens do asfalto querem que a pavimentação prossiga, pelo menos, até o local do córrego, mas as famílias que vivem de frente a este só aceitam se for para fazer tudo. “Só sei que está todo mundo prejudicado. No inverno os quintais ficam alagados e no verão é essa fedentina que ninguém suporta”, revela.

Dona Maria faz questão de mostrar a vala que cavou no fundo do quintal por onde corre o esgoto. É assim que funciona na maioria das ruas. O esgoto percorre vários quintais até chegar ao córrego. “Se eles não querem arrumar, gostaria pelo menos que me dessem à manilha que eu coloco”, garantiu.

A dona-de-casa é contra radicalização. Ela acredita que com bom senso e boa vontade, a prefeitura e os moradores podem chegar a uma solução pacífica. Esse, porém, não é o pensamento da maioria. Moradores que não querem se identificar afirmam que se for preciso vão partir para o protesto, inclusive com a retenção das máquinas que estão trabalhando no bairro.

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