Cadáver de Edna é desenterrado para retirada de fragmentos de bala

Exumação ocorreu sob os olhos atentos do MPE e da irmã da vítima

Sob os olhos atentos do promotor de Justiça, Rodrigo Curti, e da irmã da vítima, Eronilda Maria – que completava 17 anos – ocorreu nesta terça-feira, 6, a exumação do cadáver da estudante Edna Maria Ambrósio, 23 anos, morta durante uma blitz de trânsito no dia 25 de fevereiro desse ano, em Rio Branco.

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A mãe, Maria Ambrósio, acatou o pedido do Ministério Público e se manteve afastada durante a realização do procedimento. As lágrimas, porém, não conseguiu segurar e clamou por justiça durante todo o tempo em que permaneceu no cemitério Morada da Paz, de onde foi retirado o corpo.

O médico legista, Deusmar Singui Filho, comandou a equipe do Instituto Médico Legal (IML) designada para dar cumprimento a ordem do titular da Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Rio Branco, juiz Leandro Leri Gross. Eram aproximadamente 9h30 da manhã quando os trabalhos começaram. Maria Ambrósio, estava lá desde às 7h15.

O promotor chegou pouco antes das 9h, horário previsto para o início dos trabalhos. A exemplo da mãe, Rodrigo Curti disse que ficou sabendo do dia e horário da exumação pela imprensa.

“Estamos aqui para fiscalizar e acompanhar de perto a exumação”, disse. Diante a queixa de Maria Ambrósio, que se diz desamparada, também se colocou a disposição para os esclarecimentos que ela achar necessários acerca da Ação Penal promovida pelo MPE.

Com a ajuda de quatro coveiros, a equipe do IML chegou rapidamente à gaveta onde estava depositado o caixão de Edna Ambrósio. Menos de um palmo de terra separava a superfície do tampão de concreto. Meia hora depois, a urna mortuária com os restos mortais da estudante seguia de rabecão em direção ao Instituto Médico Legal, deixando para trás, desoladas, a mãe e a irmã da vítima.

Além de acompanhar o trajeto do corpo, o promotor Rodrigo Curti, fez questão de assistir os trabalhos realizados pela perícia. De acordo com o diretor de Policia Técnica, Jessélio Advincola, o cadáver será radiografado pela segunda vez e depois passará por uma espécie de peneira para que sejam localizados os fragmentos apontados pelo juiz.

Segundo ele, somente a partir da exumação do corpo é que começa a contagem do prazo de 10 dias fixados pelo magistrado para a realização da perícia e apresentação de novo relatório.

Estado pode pagar indenização de meio milhão à mãe da vítima

O governo do Estado pode ser obrigado a pagar uma indenização superior a meio milhão de reais – R$ 521.086,44 – a título de danos materiais e morais à Maria Ambrósio, mãe de Edna. O pedido foi formulado pelo defensor Público, Eronilço Maia Chaves, e tramita na 1ª Vara da Fazenda Pública de Rio Branco.

Cumulativamente com o valor da indenização, a Defensoria Pública está pedindo que seja fixada uma pensão mensal como ressarcimento das chances de proventos que foram ceifados junto com a vida da estudante. 

Maria Ambrósio espera que através da Justiça o Estado cumpra com a sua responsabilidade e repare os danos causados com a morte da vítima. Segundo ela, nem mesmo os gastos com funeral – R$ 4.964,44 – foram ressarcidos pelo governo como prometido.

Exame de raio-X aponta 5 fragmentos de metal no corpo de Edna

LENILDA CAVALCANTE
De acordo com fontes do IML, no exame de Raio-X realizado no cadáver de Edna Ambrósio foram encontrados cinco fragmentos de metal, sendo o maior dele do tamanho de uma unha.

Um dos braços de Edna foi retirado e colocado em um freezer para um exame mais detalhado e o restante do corpo foi devolvido para sepultura. Esses fragmentos serão comparados com os fragmentos da bala que atingiu Jeremias na blitz. Se forem os mesmo, significa que apenas um tiro atingiu o casal.

 

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A mãe de Edna, Maria Ambrósio, não conseguiu conter as lágrimas e clamou por justiça

FOTOS/SABRINA SOARES

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