Apadeq pede que a ala de desintoxicação saia do Hosmac e seja incluída no novo PS

O presidente da Associação de Parentes e Amigos dos Dependentes Químicos do Acre (Apdadeq), Antônio Balica, faz apelo ao governo estadual para que os leitos da ala de desintoxicação da Capital saiam da estrutura improvisada no Hosmac e sejam incluídos nas plantas (de engenharia) do novo Pronto-Socorro. O pedido surge da necessidade de tratar os dependentes químicos num ambiente mais apropriado do que o Hosmac.
Hosmac
A ala de desintoxicação foi criada em 2004, por meio de portaria ministerial da Saúde e execução do governo local, sendo a primeira do Estado e uma referência na região Norte. Ela funcionava no Pronto-Socorro e foi um passo à frente no tratamento de dependentes, atraindo, inclusive, demandas de outros lugares do país. Entretanto, por conta das atuais reformas no PS, a ala teve de ser transferida ao Hospital de Saúde Mental do Acre.

A partir daí, o presidente da Apadeq narra que começaram a aparecer problemas nos tratamentos. Alguns deles são: estrutura improvisada no Hosmac impossibilita a mesma qualidade nos serviços médicos prestados; quantidade das equipes médicas insuficiente para atender a demanda; muitos recusam a se tratar por não gostarem do clima no local (destinado a pacientes com distúr-bios mentais); resultados das recuperações são piores, com mais desistências; a localização do Hosmac é menos estratégica; entre outros.

“Com tal mudança, a ala de desintoxicação praticamente se extinguiu. Antes,tínhamos 8 leitos para homens e 4 para mulheres, que já davam na conta. Hoje, não há direcionado nada, e é porque mandamos até menos pacientes (cerca de 6 por mês). O Hosmac não é, nem de perto, o lugar certo para se cuidar deste tipo de pacientes. Eles precisam de uma unidade especializada em receber emergências, com equipamentos, instalações, equipes profissionais e medicamentos realmente específicos para tratá-los”, prega Antônio.

Para mostrar tal visão, o presidente da Apadeq já se reuniu com o secretário estadual de Saúde, Osvaldo Leal, e teve a palavra dele de que a ala de desintoxicação seria inserida no novo Pronto-Socorro. A promessa, entretanto, não diminuiu a apreensão de Antônio. Afinal de contas, até a última vez que ele tinha olhada as plantas do novo prédio do PS não havia nada relacionado a uma ala de desintoxicação. Ele quer, mais do que o acordo verbal, um resultado prático com o projeto para fazer a nova ala documentado no papel.

“Agradecemos a preocupação do secretário, e mesmo do governo em geral, na figura do governador Binho Marques, por tudo que já fizeram por nós, como a liberação de verbas à emenda de criação da Apadeq feminina e em várias outras ações positivas do ProAcre. Coisas assim tornam nossa luta (do Acre) contra as drogas bem mais eficiente. Contudo, ainda há muito a ser feito, e esta transferência da ala de desintoxicação de volta ao PS é uma das principais no momento. É algo indispensável, e que requer urgência”, afirma.        

Um tratamento caro, mas que pode salvar muitas vidas
O tratamento aos dependentes consiste em dois passos. O primeiro é a desintoxicação, que envolve o atendimento hospitalar numa estrutura que siga as normas previstas pela Anvisa, tais como equipes multidisciplinares (médico, psicólogo, enfermeiro, assistente social, etc), leito e quarto separados, rampa para cadeirantes e WCs internos (exigências que o Hosmac não atende). O segundo é a internação, que prevê o acompanhamento do paciente desde o fim da desintoxicação até o seu retorno ao convívio com a sociedade.

Mas qual é a importância de um tratamento tão longo, dispendioso e que ainda pode não dar em nada, já que o paciente pode se curar e meses depois cair no mesmo vício? Toda! 

De acordo com Antônio Balica, o combate às drogas é uma luta que envolve muito mais do que ações policiais para se prender traficantes. É preciso, acima de tudo, recuperar as vidas que o vício destrói de usuários e familiares, evitando que estes voltem a sustentar a cadeia. Desta forma, ele insiste que a ala de desintoxicação – elemento vital no processo de recuperação – volte a funcionar num ambiente hospitalar mais calmo e receptivo para viabilizar a reabilitação dos dependentes químicos do Acre com maior eficácia.

Apadeq também faz apelo pelos leitos do Ministério da Saúde
Outro pedido do presidente da Apadeq é destinado às prefeituras acreanas, em especial, a de Rio Branco. Na segunda passada (20), foram lançados no Diário Oficial da União os editais de R$ 140 milhões para que prefeituras de todo país invistam na criação de 1.620 leitos específicos ao tratamento de usuários de crack e outras drogas, na rede pública de Saúde. O pacote faz parte do Plano de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas, lançado em maio pelo presidente Lula. O apelo da Apadeq é para que prefeituras locais busquem se inscrever no processo licitatório das ofertas destes leitos custeados pelo MS.

De acordo com Antônio Balica, a iniciativa da União é muito importante para ajudar o Brasil a reduzir o número de vítimas perdidas pelas drogas. Por quê? Segundo ele, as ações de prevenção, combate e/ou assistencialismo devem abranger todas as instâncias, desde a municipal até a federal. Assim, o presidente destaca que estes projetos vindos de cima são um passo grandioso, mas que devem ser seguidos pelos demais âmbitos locais.

Para basear sua tese, Antônio Balica até traça um leve comparativo entre a dengue e as seqüelas das drogas (legais e ilegais), ressaltando que para cada 3 casos mais graves de infectados pela dengue há pelo menos 8 casos de brasileiros afetados pelos ví-cios. Isto é, as drogas são

um mal muito maior à sociedade do que doenças de grandes epidemias como a dengue, tanto na Saúde Pública, quanto em muitas outras áreas.
“Assistimos a prefeitura se dedicar ao combate à dengue quase todos os dias. Não temos nada contra, aliás, merece até elogios. Mas não podemos deixar de criticar que esforços iguais ou até superiores a estes devem ser dados ao atendimento às vítimas das drogas. Em São Paulo, a prefeitura melhorou a assistência aos dependentes através da assinatura de convênios com instituições médicas/sociais para se integrarem à luta e, ao menos, se adequarem a certas regras básicas, como por exemplo, as da Anvisa”, comparou Balica.

 

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