Itaú e Unicef lançam prêmio de Educação Integral

 A educação é uma condição indispensável para a formação de crianças e adolescentes. Mas quanto de aprendizado requer um jovem para atingir um nível educacional de qualidade? A resposta é uma educação plena! Para garantir isso, a Fundação Itaú Social lançou no final da semana passada a 9ª edição do Prêmio Itaú-Unicef, num marcante seminário internacional sobre Educação Integral. O evento também apresentou a publicação ‘Tendências para a Educação Integral’, um estudo feito com 16 entidades deste foco de segmento educativo.
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O prêmio trata-se de uma parceria do Itaú, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec). Seu objetivo é simples: servir como um fundo de incentivo para a atuação de organizações sem fins lucrativos que contribuam amplamente para a aprendizagem e formação generalizada de crianças e jovens. Em outras palavras, a premiação serve para potencializar as ações de entidades que trabalham em comunidades com iniciativas que transformam a vida de jovens e lhes oportunizam chances únicas de estudos para um futuro melhor.  

Criado em 1995, o Prêmio Itaú-Unicef já recebeu mais de 9 mil inscrições e contemplou 40 organizações com experiências focadas diretamente na Educação Integral. Entre elas, uma acreana, de Rio Branco, o Centro dos Trabalhadores da Amazônia. Neste ano, as iniciativas de 32 entidades atuantes em todo país serão beneficiadas com R$ 1,140 milhão. Deste total, R$ 540 mil vão para as 27 vencedoras regionais (R$ 20 mil cada), R$ 400 mil irão para as 4 vencedoras nacionais e a fatia maior, de R$ 200 mil, irá para a grande vencedora do prêmio.

Mas antes de se propor a participar, é preciso entender bem o que é a ‘Educação Integral’. Trata-se de um método de ensino geral, usado para atingir um processo sócio-educativo completo, construído harmonicamente com a totalidade de elementos que fazem parte da vida do aluno. Uma definição mais simples é dada pelo vice-presidente da Fundação Itaú Cultural, Antonio Matias. Segundo ele, a Educação Integral é hoje um instrumento para o pleno desenvolvimento das crianças e jovens brasileiros. Ou melhor, do futuro do país!

Nesse sentido, Matias conta que este é um tema que ganhou força nas políticas públicas nacionais. E esta evolução temática representa um passo importantíssimo para se pensar em melhorar a qualidade da Educação no Brasil. “Os jovens precisam de oportunidades ilimitadas de aprendizagem para que possam desenvolver o máximo do seu potencial e para que vivam bem na sociedade moderna. Por isso, o lançamento do Prêmio Itaú-Unicef é muito oportuno para lhes dar esta chance e ampliar tal debate na agenda pública”, avalia ele.

Quem faz das palavras do vice-presidente as suas é o representante do Unicef no Brasil, Marie-Pierre Poirier. E ele diz mais. A seu ver, é uma honra para a Unicef promover um prêmio assim, pois se trata de uma ferramenta pioneira para assegurar um direito básico à juventude brasileira. O direito de aprender! “Com a premiação, quem ganha de verdade são as crianças e adolescentes. Cada criança precisa de tempos e espaços para aprender a viver em sociedade, incorporar saberes próprios da sua comunidade, respeitar a diversidade e ser respeitada em sua identidade. Tudo pra se tornar uma pessoa autônoma, engajada, cidadã”, diz.

Para finalizar, os dois educadores destacam a relevância do Prêmio Itaú-Unicef no tocante à superação de desafios e ao avanço no estabelecimento de novos limites para a Educação Integral nos 4 cantos do Brasil. Entre algumas destas conquistas e metas ainda a serem alcançadas, estão: interdisciplinaridade; melhor planejamento escolar; construir políticas multissetoriais; aplicar valores éticos e de bons costumes no aprendizado; oferecer formação contínua; conciliar o ensino da escola com o da família e contextualizá-lo para cada região.    

 Para Maria de Salete Silva, coordenadora do programa de educação da Unicef no Brasil, a educação integral é inadiável. “É muito maior do que acontece na sala de aula, extrapola os limites, integra a ação da família e a convivência na comunidade. O professor ou instrutor que trabalha com a criança em atividade extra-classe, tem que ter formação e a intenção não de passar o tempo, mas de educar”.

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Maria de Salete Silva, coordenadora do programa de educação da Unicef

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Os eventos do Itaú-Unicef aconteceram no Espaço Apas Centro de Convenções, no Alto da Lapa, em São Paulo. Cerca de 700 pessoas lotaram o auditório

Inscrições já estão abertas e vão até 31 de maio
As inscrições para a premiação já estão abertas desde terça passada (29 de março) e vão até o dia 31 de maio deste ano. O regulamento e a ficha de inscrição estão disponíveis nas agências do banco Itaú, nos escritórios da Unicef e pelo site www.premioitauunicef.org.br.

Para se inscrever, basta preencher a ficha técnica do prêmio. Os projetos serão avaliados em 8 cidades-pólos: São Paulo (Região Metropolitana e litoral de SP); Ribeirão Preto (interior de SP), Belo Horizonte (estado de MG); Goiânia (Região Centro- Oeste); Belém (Região Norte, inclusive para os candidatos acreanos); Curitiba (Região Sul); Fortaleza (Região Nordeste) e Rio de Janeiro (estados do RJ e ES). Cada entidade poderá inscrever um ou mais projetos, contanto que se encaixem no perfil da premiação – ações sócio-educativas com crianças e jovens de 6 a 18 anos, em condições de vulnerabilidade social e/ou econômica.

Para a seleção, serão 6 etapas de avaliação. Na 1ª fase, será comparado os aspectos dos projetos e de seus entes-autores em compatibilidade com o regulamento do Prêmio Itaú-Unicef. A segunda irá dividir as organizações em micro, pequena, médio e grande porte, para garantir um certame igualitário. A terceira será uma peneira da qual só 160 entidades passarão (5 de cada porte, somando 20 por regional), através de seleção regionalizada.

A partir daí, virão as grandes finais, com prêmios às aprovadas nas 3 etapas restantes!    

A 4ª fase, realizada em outubro, será uma nova peneira que deixará 32 entidades (1 de cada porte, somando 4 de cada um dos 8 comitês técnicos regionais), das quais cada uma receberá R$ 20 mil por ter chegado tão longe. A 5ª fase será de visitas técnicas. Já a 6ª fase escolherá os 4 melhores projetos, concedendo mais R$ 80 mil para cada associação, além de selecionar a grande vencedora do prêmio, que receberá mais R$ 180 mil para a sua idéia.           

Para garantir a aplicação exclusiva dos recursos aos fins dos projetos, as ONGs vencedoras devem apresentar, vinculadas aos projetos, um Plano de Utilização de Recursos, prestando contas do dinheiro usado e seus resultados efetivos. Caso a comissão julgadora desaprove a utilização das verbas, a pena será a restituição do valor. Vale destacar que não podem participar do Prêmio Itaú-Unicef instituições governamentais e de fins lucrativos, como escolas públicas e particulares ou qualquer outra que forneça ensino fundamental, médio ou superior.

Professor acreano avalia como excelente o Seminário
Participando pela primeira vez do lançamento do Prêmio Itaú-Unicef, o professor e técnico em educação José Claudionor Gomes Cordeiro, acreano e representante da União dos Dirigentes Municipais de Educação – a UNDIME no Acre – avalia como excelente essa iniciativa que incentiva o trabalho de organizações sociais que contribuem com a educação integral de crianças e adolescentes. Ele diz que “o Prêmio é um estimulador para educadores e gestores em educação. E mais ainda, em educação integral com suas diversas atividades extra-classe que ajudam a desenvolver talentos e ampliar a aprendizagem nos nossos jovens e crianças. A implantação do educação integral no Brasil é irreversível.”

Quanto a participação do Acre no Prêmio Itaú-Unicef deste ano, ele acredita que percentualmente vai ser uma das maiores, senão a maior, do país. “Nós da UNDIME vamos trabalhar muito para isso, desde já, orientando no que for preciso, conversando, divulgando e, claro, vamos contar com o apoio da imprensa, finalizou.  

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O acreano José Claudionor, professor e técnico em educação e representante da Undime, elogiou muito o Seminário

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“Como trazer a escola para perto da comunidade? Esse sempre foi um grande desafio. E o amadurecimento dessa reflexão nos faz pensar na Educação Integral, que está na pauta das políticas públicas de educação, faz parte integrante do Ministério da Educação e é tema de conferências nacional”, diz Maria Alice Setubal, presidente do conselho administrativo do CENPEC – Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária. E por que ela é importante? “Além de ser fundamental a ampliação da jornada escolar, o mais importante é o significado de novo avanço na educação. É um forte instrumento para se preparar os jovens em condições de vulnerabilidade para vencer os desafios do século XXI  e superar as desigualdades sociais”.

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“Essa é a 9ª edição do Prêmio Itaú-Unicef, que acontece a cada dois anos. Começou em 1995 e estamos completando 16 anos. Desde o início o foco do prêmio é a educação integral. E nós acreditamos que estamos no caminho certo”, Valéria Riccomini, diretora da Fundação Itaú Social.

Aumento do PIB para a Educação
“Pensamos em educação integral fazendo parte do curriculo. Que ela se integre e modifique a escola inserindo a cultura, as mídias e outros elementos. Isso transforma a realidade da escola.”  Segundo informações de Leandro da Costa Fialho, coordenador geral de ações comunitárias do Ministério da Educação, atualmente, o MEC trabalha com 15 mil escolas dos estados e prefeituras. O MEC não pode criar despesas para os estados e municípios e por isso contrata apenas monitores. A contra-partida dos municípios é colocar um professor comunitário que tem funções ampliadas e que funciona também como um coordenador pedagógico. Com tudo isso, começaram a surgir os desafios da educação integral. “Por exemplo, diz ele, a falta de chuveiros, quadras esportivas e cozinheiras.  Antes, o aluno tinha 1 refeição e agora são 3 refeições na escola. Contudo, temos o aumento do PIB para a Educação. Passamos de 3,7 para 4,9”.
“Porém, nunca perdemos de vista que o nosso grande foco é a aprendizagem”. finaliza.

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Leandro da Costa Fialho, coordenador de Educação Integral do Ministério da Educação-MEC

Bem programado e democrático
Luzinete Rodrigues participa pela 1ª vez.. Ela veio de Pernambuco, onde é técnica em educação nos municípios de Santa Cruz do Capibaribe e Riacho das Almas. Segundo ela, o seminário foi muito bem programado e democrático. Quando se fala em educação de tempo integral, o aluno só tem a ganhar e é um avanço para o adolescente resgatar sua auto-estima.”

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Luzinete Rodrigues, técnica em educação, de Pernanbuco, participante do Seminário

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