Novas caras do sindicalismo acreano

Depois de mais de uma década, o movimento sindical combativo ressurgiu. Mesmo ‘traídos’ por alguns setores do próprio funcionalismo, que negociaram ‘por fora’ e ainda fizeram ‘o jogo do patrão’, os líderes ligados à saúde e aos militares, com o apoio dos urbanitá-rios, foram à luta. Pressionaram o governo estadual por legítimos direitos e denunciaram uma série de injustiças, erros e ‘desmandos’.  Em outras palavras, enfrentaram o Estado, dando um caráter político e contestador às lutas, não obstante às mobilizações e reivindicações próprias de cada categoria.
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Para quem queria dar apenas 1% e não atender as reivindicações específicas, conclui-se, com absoluta certeza, que o movimento sindical ganhou o embate. Isso só aconteceu nos tempos de Romildo Magalhães e Orleir Cameli. À época, os sindicalistas quase destronaram aqueles governos, notadamente corruptos e desastrados. Depois disso, o sindicalismo acreano mergulhou no anacronismo e peleguismo.

Na vanguarda de um ‘novo sindicalismo’ sugiram entidades e líderes sindicais até então desconhecidos pela opinião pública. À exceção do Sindicato dos Urbanitários – único ‘das antigas’ que se mantém autêntico – os militares, com suas diversas associações, e o Sindicato dos Enfermeiros Técnicos e Auxiliares de Enfermagem (Spate) roubaram a cena de um filme, antes protagonizado por outros atores. A reportagem de A GAZETA conservou com quatro deles.

José Janes Gomes (Urbanitários) – Talvez no movimento social não tenha alguém com uma história de vida tão adversa. O segundo de oito irmãos, em uma família desagregada, ele morou por quase 10 anos na rua até encontrar a professora Marília Santana, que o alfabetizou aos 13 anos. A partir daí, ele não parou mais. Tem formação em Administração Pública pela conceituada Fundação Getúlio Vargas (FGV) e está prestes a concluir o curso de Gestão Ambiental. Janes pertence aos quadros do Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb), onde se tornou delegado sindical para, depois de 2 anos, integrar o efetivo do Sindicato dos Urbanitários.

Dirigindo uma Kombi, montando aparelhagem de som ou mesmo fazendo discursos, não existe uma única manifestação que ele não esteja presente. É espinho atravessado na garganta dos poderosos. Politizado, idealista e corajoso Janes é uma das revelações do novo sindicalismo.

Abraão Púpio (AME) – Apesar de ser mais cauteloso, esse bombeiro, de apenas 25 anos, já é experiente quando o assunto é militância no movimento social. Ele já foi da direção do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Ufac e presidente da associação de moradores do bairro Mocinha Magalhães. Atualmente, integra a Associação dos Praças do Corpo de Bombeiros e a Associação dos Militares do Acre (AME). “Apesar da intransigência do governo, o movimento dos militares avançou em ganhos e na conscientização política”, assim avaliou o ativista, reivindicando anistia para os militares punidos.

Raimundo Correia (Spate) – Raimundo Correia, o Rai-mundinho, começou a carreira de ativista no movimento comunitário de Cruzeiro do Sul, onde foi vice-presidente da associação de moradores do bairro Cobal. Vindo para a Capital, formou-se em Técnico em Enfermagem e presidiu a Associação Rio-branquense dos Deficientes Físicos (Ardef). Foi um dos mais ‘perseguidos’ pelo comando palaciano. Integrar uma categoria estratégica (são 4.000 na base e 1.800 filiados) e, ao mesmo tempo, vulnerável porque seus membros dependem de plantões para complementar as suas rendas. “Vivemos sob constantes amea-ças e terrorismos”, denuncia Raimundinho.

Adriano Marques (Sindap) – Bacharel em Direito e com 20 cursos pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), Adriano Marques consegue algo que beira o impossível: mobilizar quase 100% de sua categoria. “Isso é resultado da união e politização dos agentes penitenciá-rios”, explica. Ele não se cansa de denunciar a ‘falência’ do sistema prisional acreano, não obstante à apresentação de propostas feitas ao poder público. “É o nosso ambiente de trabalho”.  Ex-policial militar voluntário, Marques representa a categoria desde o primeiro mandato.

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