Igreja ou teatros?

No século XIX, quando o pregador inglês Charles Spurgeon nos advertiu a respeito daqueles que “gostariam de unir igreja e palco, jogos e oração, danças e ordenanças”, foi menosprezado como um alarmista. Mas a profecia de Spurgeon se materializa nos dias atuais. As “igrejas” modernas assemelham-se a teatros. Em lugar do púlpito, o enfoque está no palco. As “igrejas” estão contratando, em regime de tempo integral, especialista em mídia, consultores de programação, diretores de cenas, professores de teatro, peritos em efeitos especiais e coreógrafos. Dia destes vi, na TV um grupo de “evangélicos” composto só de mulheres, dançando ao ritmo duma música do folclore paraense e cantando: Carimbó, Carimbó do Senhor…

John MacArthur Jr., autor de vários livros que abordam a era do pragmatismo na “igreja moderna” diz que: “A indústria publicadora cristã está produzindo, para líderes de igrejas, conselhos e mais conselhos tirados de campos seculares de estudo da psicologia, marketing, administração, política, entretenimento e negócios”.

Assim, o modelo para o pastor, bispo ou apóstolo contemporâneos, diz ainda o renomado escritor, não é mais o profeta bíblico, é o executivo de corporação, o político ou, pior ainda, o apresentador de programas de “bate-papo” na televisão. A maioria das igrejas hodiernas está preocupada com índices de audiência, pesquisas de popularidade, imagem corporativa, estatística de crescimento, lucro financeiro, pesquisa de opinião pública, gráficos populacionais, dados de recenseamentos, tendências da moda, status das celebridades, lista dos dez mais e outras questões pragmáticas.

Uma boa pergunta, a esta altura, seria: No que crêem os chefes desses novos movimentos com suas visões pragmáticas?  Creio que alguns líderes deveriam saber se é que não sabem que nenhuma igreja pode seguir uma estratégia de marketing e permanecer fiel às Escrituras. Agostinho, o bispo de Hipona escreveu:  “Se você crê somente no que gosta do Evangelho e rejeita o que não gosta, não é no Evangelho que você crê, mas em si mesmo”.

Outro enfoque é o fato de nesta última década, destes novos tempos, ter baixado no seio das igrejas ditas cristãs, o espírito de Mani, filósofo persa do século III, fundador e  criador do maniqueísmo, que cria ser o último profeta enviado para aperfeiçoar as religiões. A propósito da doutrina de Mani, Sto. Agostinho, que antes de se converter, buscou no maniqueísmo a solução para os seus problemas das “tentações da carne”, taxou os maniqueístas de “enganadores enganados, faladores mudos, pois o Verbo de Deus não falava por sua boca”. Os “profetas” brasileiros da atualidade se proclamam  presunçosamente, a exemplo de Mani, como os novos parákletos (Obra Exclusiva do Espírito Santo de Deus e  Genuíno Purificador de almas). Deste modo o arraial está cheio de “profetas” para a vida de toda a gente.

Instalou-se, também, uma premissa de que a conduta dos homens e mulheres que permeiam as reuniões dessas igrejas pode ser orientada pelos oráculos (resposta de Deus a consulta de homens) e pitonisas de plantão; “interpretes” de Deus, que vivem a revelar, ao mesmo tempo, a verdade sobre o homem, o mundo e o seu próprio destino. No passado isso era coisa de cartomante
Ademais, algumas lideranças, notadamente de igrejas que pregam resultados ime-diatos, resolveram de uns dias para cá, fazer concorrência direta com meia dúzia de políticos demagogos, se colocando na condição de verdadeira panacéia dos problemas do corpo e da alma. Com um sistema de marketing avançado, como já aludimos acima, massificando diuturnamente o já enfraquecido cidadão, oferecem soluções que vão desde “sabonete de descarrego” “reunião do corpo fechado” à cura dos males físicos.

 Nota-se, por outro lado, que no seio desses movimentos existe uma avidez por valores materiais e status político. É notório, também, que quase todas as denominações espalhadas por este Brasil  “de meu Deus”, no momento, em detrimento da missão para qual foram chamadas, estão mesmo é envolvidas até a goela com outros empreendimentos (R$). Essa corrida desenfreada ao ouro é, em última análise, uma atitude traidora ao próprio Jesus Cristo, Senhor da Igreja Cristã, que optou por permanecer ao lado dos mais humildes, pois a pobreza, para Ele, não era uma virtude, mas, um desafio à justiça Divina.  

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