Acre e Amapá têm as menores taxas de cesarianas do Brasil

 A taxa de operações cesarianas no Brasil representa a maior do mundo, chegando a 44% dos partos realizados no período de 2005 a 2009, enquanto a OMS estabelece que apenas 15% dos partos podem ser operatórios. Os dados integram o mais recente relatório global do Unicef ‘Situação Mundial da Infância 2011’, que está sendo divulgado em todo o mundo.  No Brasil, dados oficiais do Ministério da Saúde – Datasul mostram um percentual ainda maior. Em 2009, no Sul e Sudeste, o percentual chega a 57% em média. Em Rondônia a taxa é a mais alta do Brasil, 61%.

 Acre e Amapá têm as menores do país: 31% e 29%, respectivamente. Segundo o Ministério da Saúde são realizadas uma média de 558 mil cirurgias desnecessárias por ano, que acarretam um desperdício de 84,3 milhões para o SUS e a ocupação de mais de 1.600 leitos hospitalares por dia.

 O Unicef defende o parto normal e posiciona-se contrario a cesariana desnecessária. Acredita que, para reverter à situação no Brasil, é preciso que a sociedade seja conscientizada sobre os benefícios do parto normal e que os profissionais de saúde só indiquem o parto operatório nos casos necessários.

 Entre as vantagens do parto normal destaca-se a rapidez na recuperação; ausência de dor no pós-parto, a rápida recuperação deixa a mãe mais tranqüila, o que favorece a lactação ; a alta é mais rápida, o que possibilita à mãe retomar seus afazeres prontamente; a cada parto normal, o trabalho de parto é mais fácil do que no anterior; se a mulher vir a sofrer de mioma (patologia comum do útero), na eventual necessidade de uma operação, esta será mais fácil e o relaxamento da musculatura pélvica não altera em nada o desempenho sexual. Já o parto cirúrgico, traz muitas desvantagens à mulher. Entre elas, destaca-se a possibilidade da chamada infecção puerperal ou pós-parto, 30 a 40 vezes maior numa cesariana que no parto normal.

 A cesariana deve ser indicada apenas nos casos em que a posição da criança não é adequada (ao invés de ela estar de cabeça pra baixo, está sentada); não houve boa dilatação do colo do útero; a criança é muito grande e a bacia da mãe é muito pequena; durante o trabalho de parto, surge o sofrimento fetal (que pode causar falta de oxigenação); descolamento prematuro da placenta (que ocasiona hemorragias e falta de oxigenação); encurtamento do cordão umbilical; mãe de primeiro filho idosa; eclâmpsia ou pré-eclâmpsia (acesso convulsivo  da parturiente); insuficiência placentária e sensibilização do feto pelo fator Rh.

 O aumento do número de cesarianas é um fato mundial e se deve sobretudo ao avanço tecnológico, facilitador de um diagnóstico acurado das condições da criança no útero. Aliado a isso, o temor da dor do parto e uma cultura implementada nas últimas décadas, com declarações de mães dizendo que seu filho nasceria numa data que lhe seria conveniente, não haveria correrias, etc. A essa visão algo distorcida dos fatos veio aliar-se a conveniência do médicos: um trabalho de parto normal pode tomar de 4 a 8 horas do tempo deles, enquanto numa cesariana, em condições normais, tudo se resolve em pouco mais de uma hora.   (Tribuna do Norte)

 

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