Presidente da Funai vem ao Acre, após ataque a servidores

O presidente da Funai, Márcio Augusto Freitas de Meira, deve visitar hoje (9) a base da Frente de Proteção Etno-ambiental do Rio Envira (Fpere/Funai). A base é um ponto de vigilância instalado no meio da floresta, para monitorar índios isolados. Tal local sofreu um ‘ataque’ de grupo de homens armados no dia 23 de julho (fato que ganhou destaque na mídia nacional no final da semana passada). Ao tomar conhecimento do episódio, Meira interrompeu sua agenda em São Paulo e segue hoje de helicóptero pra Feijó, município mais próximo do posto da Fpere.
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A secretária Nacional de Segurança Pública, Regina Miki, chega nesta terça ao Acre e o diretor da Força Nacional, Major Aragon, está desde ontem no Estado. Os três devem se reunir para discutir a questão que envolve a invasão de peruanos em terras brasileiras na região do Rio Envira, onde se situa a referida base de proteção.

O primeiro alerta de que o grupo estava se encaminhando para o local foi dado por índios Ashaninkas que vivem em comunidade, a 3h de distância da sede da frente. Eles pediram ajuda ao Ministério da Justiça, à Polícia Federal e ao Exército, via rádio. A base está a aproximadamente 30 Km da fronteira com o Peru. Depois de expulsar os funcionários da Funai, o grupo de peruanos teria saquea-do a sede da Fpere.
Uma ação conjunta entre a PF, Exército e a Secretaria de Segurança Pública do Acre conseguiu retomar a base. Depois de incursões na floresta, com a ajuda de mateiros da região, localizaram e prenderam no último dia 3 o português Joaquim Antônio Custódio Fadista, 60 anos, condenado por tráfico de drogas pela Justiça de Maranhão, Ceará e de Luxemburgo. Fadista irá responder pelos crimes de furto qualificado, reingresso de estrangeiro expulso e introdução clandestina de estrangeiro no país.

Um dia depois (4), os fun-cionários decidiram retornar à base. No sábado, divulgaram a localização de um acampamento de peruanos próximo ao local onde teriam sido achados cartuchos de munição roubados da base. Eles mantêm contato com a Funai em Rio Branco, por meio de rádio e internet, e desde ontem estão sob a proteção de policiais do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (Bope) do Acre. Em nota divulgada na tarde de ontem, a Polícia Federal afirma que as equipes de agentes permaneceram na base por 1 semana, na tentativa de achar carregamentos de drogas e outros integrantes do grupo que invadiu a base de vigilância.

A base do Igarapé Xinane fica a 20 Km da fronteira com o Peru. A Fpere é mantida pela Funai desde 1987, com o objetivo de proteger povos indígenas isolados e seus territórios na cabeceira do Rio Envira. Outro posto de observação é mantido no Alto Tarauacá. A região forma um corredor de mais de 630 mil hectares de florestas na fronteira com o Peru e é alvo de exploradores de madeira ilegal e narcotraficantes. Os funcionários da Funai e o sertanista José Carlos Mei-relles comentam que a presença dos peruanos significa uma tentativa de promover a ‘correria’ de índios isolados da região para a ocupação do território.

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