Denúncias não afetam relação com base no Congresso, diz Dilma

A presidente Dilma Rousseff disse nesta sexta-feira que as mudanças no governo causadas por denúncias de corrupção não afetarão a relação do Executivo com a base aliada no Congresso. Dilma reagiu à reportagem da revista britânica The Economist, que na edição desta semana afirma que a presidente pode ter problemas para aprovar reformas importantes após o afastamento de dezenas de servidores de ministérios, citados em supostos esquemas de corrupção.

“A minha base de sustentação também não concorda com malfeitos, e eu não vejo nenhum motivo para isso acontecer, de ter maiores problemas no Congresso”, disse Dilma em entrevista a uma rádio de São José do Rio Preto (SP). “Agora, onde houve problema de corrupção, nós somos obrigados a tomar posição”, disse.

Denúncias de corrupção levaram à renúncia dos ministros Alfredo Nascimento (Transportes) em julho e Wagner Rossi (Agricultura) nesta semana. As suspeitas de irregularidades atingem também os ministérios das Cidades e do Turismo.

A presidente tentou ainda evitar o julgamento antecipado dos citados em denúncias. “No Brasil, existem instituições de Justiça, existe uma Polícia Federal (PF) que é uma polícia ágil, existe um Ministério Público (MP) atuante e existe um Judiciário que cada vez mais procura ser célere e ágil”, disse ela. “É esse sistema que pode julgar alguém”, afirmou.

“É um absurdo voltar atrás na roda da história e acabar com a presunção da inocência. As pessoas são fundamentalmente inocentes até que se prove ao contrário”, disse.

Em sua carta de renúncia, Rossi alegou inocência e disse ter sido alvo de uma “campanha insidiosa” e “indecente” da imprensa, com objetivos políticos como motivação das denúncias que levaram à sua renúncia.

A queda do ministro da Agricultura
Em decisão que surpreendeu a própria presidente Dilma Rousseff, o ministro da Agricultura, Wagner Rossi (PMDB), pediu demissão no dia 17 de agosto de 2011, após uma série de denúncias contra sua pasta e órgãos ligados a ela. Em sua nota de despedida, ele alegou que deixava o cargo a pedido da família e afirmou que todas as acusações são falsas, tendo objetivos políticos como a destituição da aliança de apoio à presidente e ao vice, Michel Temer.

A revista Veja publicou, no final de julho, denúncias do ex-diretor financeiro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) Oscar Jucá Neto de que um consórcio entre o PMDB e o PTB controlaria o Ministério da Agricultura para arrecadar dinheiro. O denunciante é irmão do senador Romero Jucá, líder do governo no Senado, e foi exonerado após denúncia da própria revista de que teria autorizado o pagamento de R$ 8 milhões a uma empresa “fantasma”.

Outra reportagem afirmou que um lobista, Júlio Froés, atuaria dentro da pasta preparando editais, analisaria processos de licitação e cuidaria dos interesses de empresas que concorriam a verbas. Segundo a revista, o homem teria ligações com Rossi e com o então secretário-executivo do ministério, Milton Ortolan. Ambos negaram envolvimento, mas Ortolan pediu demissão em 6 agosto. Em seu lugar foi escolhido o assessor especial do ministro José Gerardo Fontelles, que acabou assumindo o lugar do próprio Rossi interinamente.

No dia 16 de agosto, o Correio Braziliense publicou reportagem que afirmava que Rossi e um filho sempre são vistos embarcando em um jato da empresa Ourofino Agronegócios. Conforme a publicação, o faturamento da Ourofino cresceu 81% depois que a empresa foi incluída como fornecedora de vacinas para a campanha contra a febre aftosa. O ministro admitiu que pegou “carona” algumas vezes na aeronave, mas negou favorecimento à empresa e disse que o processo para a companhia produzir o medicamento teve início em 2006, antes de ir para o ministério.

Contudo, a Comissão de Ética da Presidência anunciou que iria analisar a denúncia. Por fim, no dia em que Rossi decidiu pedir demissão, o ex-chefe da comissão de licitação da pasta Israel Leonardo Batista afirmou, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, que Fróes lhe entregou um envelope com dinheiro depois da assinatura de contrato milionário da pasta com uma empresa que o lobista representava. A Polícia Federal instaurou um inquérito para tratar o caso. (Terra Brasil)

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