Grupo Carrefour traz Atacadão para o Acre até o fim de novembro

O Atacadão – Distribuidora, Comércio e Indústria Ltda., empresa que integra o Grupo Carrefour, pretende se instalar no Acre até o fim de novembro deste ano. As obras de terraplanagem já começaram às margens da Via Verde, trecho da BR-364, ao lado do principal concorrente, o Makro. A abertura da filial acreana é parte de uma série de inaugurações previstas para acontecer também nos estados do Mato Grosso, Pará e São Paulo (na cidade de Bauru). O desafio é concluir as obras em tempo hábil, antes do período da chuva que já se anuncia. A empresa pernambucana Metro é a responsável pela edificação do empreendimento. Os engenheiros já estão instalados em um escritório de trabalho ao lado do canteiro de obras.
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O Atacadão é a empresa de perfil mais popular do Grupo Carrefour. Vende no atacado e no varejo, semelhante ao Makro. O mix de produtos, geralmente, está limitado a 10 mil itens (o que não chega a ser uma grande variedade). Mas o diferencial está na agressividade com que chega nos mercados em que atua: como há uma limitação na variedade, o que se prioriza é a quantidade a ser ofertada. Por isso, os preços tendem a ser mais baixos. O consumidor do Atacadão, geralmente, está associado às classes C e D. Como o poder do varejo nesse público já foi testado em todo o país, o Atacadão veio para o lugar certo. O acreano de baixa renda começou a cultivar o hábito de substituir as feiras livres por supermercados há menos de 25 anos.

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Terraplanagem já foi iniciada para construção do Atacadão; ao fundo, o principal concorrente do Grupo Carrefour, o Makro

Com o gerenciamento do administrador Luiz Antônio Fazzio, ex-Pão de Açúcar e ex C&A, o Atacadão transforma em fato uma boataria que se estende por mais de dois anos no Acre. A expectativa era de que a edificação fosse concretizada ao lado da cerâmica Flor de Maio, nas imediações do Araújo do bairro Tangará. Preferiram se instalar ao lado do principal concorrente, o Makro.

Setor supermercadista em momento de expansão
A vinda do Atacadão ao Acre é reflexo de uma condição: mercado aquecido. Mesmo com todos os riscos que as crises financeiras sequenciais impõem, o acesso ao crédito, o ainda estável ambiente econômico brasileiro e, no contexto regional, o pagamento em dia do funcionalismo público trazem para o setor supermercadista um perfil diferenciado. “O mercado está aquecido, de fato”, garante Adem Araújo. Não é uma avaliação leiga. Até 31 de dezembro deste ano, a rede Araújo terá 7 unidades espalhadas por Rio Branco, incluindo o hipermercado a ser aberto no Via Verde Shopping. Ao lado do irmão Aldenor, Adem Araújo gerencia uma equipe de 1,2 mil funcionários já contabilizados os colaboradores da filial em Porto Velho. Com abertura do hipermercado, o número pode saltar para 1,6 mil.

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Adem Araújo: “compensa ter várias lojas”

A estratégia da rede Araújo é pulverizar presença nos bairros. É uma dinâmica parecida com a que é efetivada no Rio de Janeiro com o Grupo Pão de Açúcar. Mais focado nas classes A e B, a idéia é “estar perto do cliente, oferecendo atendimento diferenciado”, explica Adem Araújo. A partir da chegada das grandes redes, nunca o bom atendimento e o conforto oferecido ao cliente foram tão necessários.
O proprietário da rede Araú-jo garante que “compensa” o custo operacional em ter muitas lojas ao invés de concentrar investimentos em apenas uma.

Outros tempos
No fim da década de oitenta, o consumidor de Rio Branco começou a conhecer o funcionamento dos supermercados. Na época, com o isolamento imposto pela BR-364 ainda não asfaltada, ter um mercantil ou supermercado aqui exigia muito planejamento e um alto custo operacional.

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Supermercado UAI deu um passo à frente dos demais e foi a primeira rede do setor a se estruturar no Estado


O supermercado Dois Oceanos, que funcionava na esquina das ruas Rui Barbosa e Marechal Deodoro (onde hoje funciona a sede do banco Santander), fechou as portas no início da década dos oitenta. O Mercantil Oliveira, que funcionava na rua do Aviário, resistiu mais um pouco. Na década dos noventa, o Supermercado UAI montou uma das primeiras redes do setor supermercadista. Também não se consolidou.

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Gôndola do supermercado Dois Oceanos: planejamento e alto custo operacional; hoje, tal cena é comum, mas para à época, reunir tantos produtos era uma proeza 
 


NORTE COMPETITIVO

Como está o Acre em relação aos demais estados do Norte?
ITAAN ARRUDA

As nove federações das indústrias do Norte, por meio da Confederação Nacional das Indústrias (CMI) custearam um estudo que aponta os principais gargalos e evidenciam os setores que mais precisam de investimento para dinamizar a economia de toda região. A pesquisa foi realizada pela empresa de consultoria Macrologística em 2009 e 2010 e teve valor orçado em R$ 2 milhões. A partir de agora, a CNI tem em mãos a radiografia mais fiel do que deve ser feito para mudar a infraestrutura regional.

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Interoceânica abre mercado do Grupo Andino ao Brasil: 142 milhões de consumidores


Um aspecto fica evidenciado. A integração entre os estados exige a execução de 34 projetos orçados em R$ 6,8 bilhões. Nem todos os projetos integram a lista do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O estudo aponta 9 eixos de integração. No momento (frisa-se: no momento) o Acre não está no eixo onde há maior concentração de investimentos. O perfil dos rios Acre e Purus e a integração modal com a BR-317 e Estrada do Pacífico possui um evidente potencial econômico, mas ainda está longe de ser prioridade se comparado a sistema modais existentes nos estados de Mato Grosso, Tocantins, Pará e Maranhão.

Mas, é bom lembrar: para o Ministério dos Transportes, a BR-317 (que efetiva a ligação com o Pacífico) é considerada “estratégica” para fortalecer a presença dos produtos brasileiros na Ásia e costa Oeste dos Estados Unidos. Além disso, a rodovia Transoceânica também abre os mercados dos paí-ses do bloco Andino (com um potencial de mais de 142 milhões de pessoas) aos produtos brasileiros. A avaliação do Governo Federal tem como referência o consórcio IIRSA, a rede de ações públicas de vários governos da América do Sul voltadas para obras de infra-estrutura com foco no desenvolvimento econômico.

O estudo da consultoria Macrologísticamapeia a necessidade de obras de melhoria em transportes, seja rodoviário, fluvial, ferroviário ou aeroviário. Pelo estudo, começa-se a quantificar a distância que o Acre tem em relação aos demais estados da região norte. Só o escoamento da produção de soja do norte do Mato Grosso e do interior de Rondônia utilizando a rota da hidrovia de Itacoatiara (AM) tendo como intermediação a cidade de Porto Velho já dá uma dimensão do volume de negócios transitados por ali. Calcula-se que 11% da soja que sai do norte mato-grossense chegue à Holanda pela hidrovia de Itacoatiara e somente 7% pelo porto de Santos.

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Ausência de ponte prejudica ritmo do escoamento

BR-364: o drama da ponte continua
O estudo também evidencia o que todo acreano já sente na pele e no bolso: as consequências de não haver uma ponte sobre o Rio Abunã. O assunto já foi tratado recentemente pelo Acre Economia que conversou com o presidente da Federação das Indústrias de Rondônia, Ranie-ry Coelho. Ele lembrou que essa obra já era uma reivindicação da classe empresa-rial ainda durante a gestão do ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso.

Com início em Limeira, no interior de São Paulo e término em Cruzeiro do Sul, no extremo oeste do Acre, a BR-364 contabiliza aproximadamente 4,3 mil quilômetros. Mas é justamente nas proximidades da divisa entre Acre e Rondônia que está o principal gargalo para escoamento de produtos, sobretudo para os acreanos.

Poder público corre atrás da defasagem
Nos últimos 13 anos, o poder público do Acre buscou diminuir a defasagem em relação aos demais estados da região Norte. A primeira medida teve como foco organizar instituições públicas, melhorar condições de infraestrutura urbana e consolidar o discurso do desenvolvimento na pauta política. O segundo movimento trouxe a capitalização, com a busca de recursos externos, aproveitando a unidade política em torno do tema “desenvolvimento sustentável”.

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Associado a investimentos em educação, a organização da classe trabalhadora e a valorização da economia florestal, os investimentos em infraestrutura foram sendo executados. Agora, o foco é ampliar a base de produção, com prioridade ao fomento a um suposto “novo ciclo de industrialização”. A diversificação do setor produtivo é importante para melhorar a base de consumo interna, mas não para demonstrar força na comercialização.

As perguntas “Quais são as nossas especialidades no setor produtivo?; “O que o Acre produz que tem alto valor agregado e aceitação em grande escala no mercado?” não foram respondidas. Sem resposta a essas perguntas, a indústria incipiente e o comércio acreano caminham no ritmo possível. O reflexo disso pode ser conferido nos números do PIB da região norte.


Sabão é resposta contra exclusão social
ITAAN ARRUDA

“Resolvi fazer o sabão como forma de combater a exclusão social”. A declaração é da pedagoga Eline Gomes. Dos 31 anos, há dois se dedica a colaborar com a Pastoral da Criança na comunidade do bairro Jardim Eldorado, um dos mais carentes em infra-estrutura da Capital. “O problema da fome e do tráfico de drogas é muito próximo das pessoas”.

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Pastoral no Eldorado usa produção do sabão como instrumento para combater exclusão social

O sabão é produzido da forma artesanal e é conseqüência de ações da Pastoral para ajudar na composição da renda das famílias que, de alguma forma, estão excluídas do setor produtivo. Cada sabão é vendido a R$ 5 a barra. Há também o sabão líquido, vendido em garrafas pet de 2 litros.

O funcionário público Francisco das Chagas Pereira de Amorim ajuda Eline Gomes na feitura do material. “É umaforma de ajudar”, relata. “Mas, falta apoio”. O grupo não está organizado em associação e nem em cooperativa. Nenhum integrante tinha ouvido falar que o Governo do Estado possui a Secretaria de Pequenos Negócios, uma instância do poder público que pode melhorar o processo de produção do sabão comunitário.

A Prefeitura de Rio Branco, que possui uma coordenadoria de Economia Solidária, apóia algumas iniciativas como as lavandeiras comunitárias, cujo trabalho pode ter prestação de serviços integrada com a confecção do sabão comunitário.

Atualmente, esse trabalho da Pastoral da Criança está totalmente descapitalizado e a renda obtida com a venda dos produtos serve para envolver as famílias e colaborar em atividades culturais com crianças no bairro.

Hoje, domingo, Eline Gomes estará no bairro Adalberto Aragão capacitando mulheres da Pastoral do Idoso para fazer sabão e no dia 1º de outubro estará no quilômetro 58 da Estrada Transacreana, ensinando as mulheres da da Vila Verde.


CNC aponta queda no consumo das famílias em setembro
ITAAN ARRUDA

A Confederação Nacional do Comércio (CNC) realizou um estudo com 500 famílias em Rio Branco e comparou a intenção de consumo das famílias em setembro de 2011 com setembro de 2010. De acordo com o estudo, houve uma retração no consumo de 6,9%.

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Consumo retraiu 6,9% no mês de setembro de 2011, em comparação com o de 2010

De acordo com o economista da Federação do Comércio do Acre, Roberval Ramirez, essa retração no nível do consumo pode ter como um dos fatores o nível de endividamento das famílias. A Intenção de Consumo das Famílias é um índice composto por sete variantes. “O índice de endividamento do consumidor tem comprometido muito a capacidade de pagamento”, constata. “A inadimplência do consumidor está aumentando e o acesso ao crédito fácil está se restringindo”.

O que preocupa a Fecomercio/AC é a época em que se constata a retração no consumo familiar. Em um período pré-natalino, o diagnóstico preocupa, mesmo sabendo que o nível da renda aumenta no fim do ano, sobretudo com o pagamento do 13º salário e bonificações.

No Acre, uma família de classe média composta de três integrantes, com despesas com alimentação, pagamento de consórcio de um automóvel, despesa semanal com supermercado, escola de inglês, natação (para criança), plano de saúde, salário de empregada doméstica e aluguel deve ter, uma renda de, no mínimo, R$ 4,5 mil.

Formação de empreendedores – Paulo Henrique Monteiro tem 55 anos. É formado em administração hospitalar com pós-graduação em Gestão de Recursos Humanos. Mora com a esposa e quatro filhos. Monteiro chama atenção para a necessidade de construção de novos referenciais para a educação da juventude. “As famílias têm que ajudar na formação de empreendedores”, afirma. “A educação financeira deve vir o mais cedo possível”.

Junto com a esposa, Monteiro é dono da Chocolacre, uma empresa que trabalha com a confecção de bolos e pães. Sem saber, ele concorda com os números da pesquisa da Confederação Nacional do Comércio. “Eu observei que nos supermercados, as pessoas estão comprando menos”, relata. “As pessoas estão trocando as marcas famosas por produtos similares”.


NOTAS ECONÔMICAS

À francesa I
O Grupo Simões não renovou contrato com a General Motors do Brasil para a venda dos veículos Chevrolet no Acre. A partir do dia 29 de setembro (quinta-feira) a compra de veículos da GM no Acre e de peças automotivas serão feitas pelo telefone 0800-7024200. É muito estranha essa saída repentina e silenciosa do Grupo Simões.

À francesa II
A assessoria de imprensa do Grupo Simões foi acionada em Manaus. As explicações, no entanto, foram evasivas e não elucidam muito os fatores que justificariam a saída da empresa do ramo de vendas de automóveis no Acre. Por e-mail (em rápido retorno, é justo que se diga), a assessoria afirma que a não renovação do contrato ocorreu “em comum acordo” com a General Motors do Brasil Ltda. Extraoficialmente, no entanto, especula-se que os serviços de pós-venda oferecidos pela equipe acreana estavam deixando os clientes sem paciência.

Tolerância zero
Esse tipo de falha está tendo pouca tolerância pela GM. Há lógica na exigência. Em tempos de supremacia de marcas como Kia, Hyundai e Honda qualquer falha no processo de prestação de serviço tem que ser revista. A marca norteamericana, que está tentando sair de um sufoco pós-2008, está adotando a tática da tolerância zero com erros de gestão.

Pra onde?
O “engraçado” é que os consumidores que recorrerem ao 0800 da GM para comprar peças genuínas vão fazer o serviço de mecânica onde? Por telefone? O certo seria a V8 deixar ao menos a indicação de uma oficina para prestação de serviços básicos, com o mínimo de segurança e garantia.

De baixo risco
A justificativa do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que as medidas protecionistas à indústria automobilística nacional foram necessárias porque senão estaríamos “exportando empregos” foi sintomática. Os sociólogos não exageram quando afirmam que, no Brasil, o capitalismo é “de baixo risco”. Por aqui, a tão badalada abertura do mercado é tolerada até o primeiro choramingo empresarial. Competir com os asiáticos não é mole, não!

Atacadão
Setor supermercadista no Acre está, de fato, aquecido. Quem está montando uma unidade ao lado do Makro é o Atacadão, uma empresa do Grupo Carrefour. Há mais de um ano que se especulava sobre a chegada do grupo francês no Acre. O Atacadão é uma empresa que tem postura agressiva nos mercados por onde passa. Vamos ver como se comporta aqui no Acre tendo o rival mais forte como vizinho. A expectativa de inauguração é para o fim de novembro. Os serviços de terraplanagem já estão sendo feitos.

Carrefour
Há uma explicação mercadológica para o Grupo Carrefour entrar na região do Acre com seu braço mais popular: o consumidor. O perfil do acreano é adequado aos produtos do Atacadão. As lojas geralmente oferecem 10 mil itens (o que não é algo muito expressivo no setor). O trunfo, no entanto, está no preço.

Nova Junta
A Junta Comercial do Acre presta serviços em novo endereço: avenida Antônio da Rocha Viana, 1.569; Vila Ivonete (onde funcionava a Direção Geral da Polícia Civil). A estrutura do prédio é moderna e organizada. Um aspecto chama atenção a quem visita o espaço: o tratamento dispensado pelos funcionários ao vice-presidente da Junta, João Batista Queiroz, o Badate. Percebe-se um certo carinho.

Eita pau!
No ritmo do “contabilizar não ofende”, é bom que se registre: até o dia 6 de novembro, a arrecadação de ICMS antecipado garantiu R$ 6 milhões aos cofres do Estado. Em tempo: a forma de cobrança antecipada praticada pelo Governo é uma pauta de destaque na agenda das instituições que representam o comércio regional. A discussão é boa e qualificada. Mâncio Cordeiro e Tinel que acumulem argumentos!

Campanha?
O senador Cristovam Buarque (PDT/DF) pode ter beneficiado o PT de São Paulo. O projeto de lei do pedetista de atribuir ao Ministério da Ciência e Tecnologia a gestão do Ensino Superior e não mais ao Ministério da Educação, caiu como uma luva na seara petista. O ministro de Ciência e Tecnologia, Aloísio Mercadante, é o provável candidato do PT ao governo do estado de São Paulo em 2014. Com mais recursos em caixa, as possibilidades de projeção aumentam. A proposta ainda será avaliada pelas Comissões de Educação, Cultura e Esporte e pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania.

 

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