Mais de mil podem ficar desempregados com fechamento de empresas na Chico Mendes

Aproximadamente 1,5 mil pessoas podem ficar desempregadas, caso as empresas localizadas na Via Chico Mendes, notificadas pela Controladoria Geral da União, tenham que fechar as portas. O cálculo é da Federação do Comércio do Acre que está com uma missão, composta pelo presidente, Leandro Domingos, e três advogados, em Brasília. O grupo se reúne hoje com parlamentares da bancada federal. A idéia é elaborar uma agenda para apresentar o problema aos ministérios com possibilidade de intervir politicamente.
Via-Verde
“Se a União entendia que a área lhe pertencia, dela deveria ter cuidado, não permitindo que construções ali fossem edificadas”, reclamou o presidente da Federação do Comércio do Acre, Leandro Domingos. “Não houve tempo sequer para articulações no sentido de uma solução administrativa ou política da situação, já que a quase totalidade, só veio a receber a notificação, depois da ação sentenciada”.

O problema deveria ter sido discutido com a representação dos comerciantes na última sexta-feira quando a bancada foi convidada a discutir a situação. A única parlamentar presente foi a deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB/AC). Na ocasião, a parlamentar ligou para o coordenador da bancada, senador Aníbal Diniz (PT/AC) que confirmou o encontro de hoje.

A equipe de A GAZETA percorreu o comércio da região atingida pela medida da CGU. Os comerciantes não querem se expor. Eles confirmam o recebimento da notificação. Muitos estão inseguros e ainda sem entender bem o problema que atinge diretamente a rotina de suas empresas. Um dos empresários do setor de construção civil pode ter que despedir 68 funcionários. “Isso sem contabilizar os terceirizados”, contabilizou.

O problema – Na década dos 70, a Aeronáutica precisava construir uma pista de pouso e decolagem. Na época, a área tecnicamente adequada estava localizada nas imediações onde hoje está construída a Avenida Amadeo Barbosa, onde funcionava o antigo Aeroporto Internacional de Rio Branco. A área pertencia a Amadeo Barbosa, Salim Farhat e Aziz Abucater.

A área foi desapropriada a registrada na área da União. Os empresários alegam que o problema começou por erros no processamento de informações no único cartório que havia na cidade. Ao repassar as informações para o segundo cartório aberto posteriormente, as informações não foram repassadas adequadamente.

Seria o equivalente à região ficar sem dono. A área foi lo-teada, os empresários começaram a comprar lotes e registrar nos órgãos públicos locais normalmente. Quase 30 anos se passaram e a região se tornou um dos principais pontos comerciais da cidade, com prioridade para o comércio de produtos agrícolas, concessioná-rias e lojas de material de construção civil. “A maior parte dos empresários adquiriram os imóveis de boa-fé. Compraram, pagaram e tiveram suas escrituras lavradas e registradas em cartório de Rio Branco”, ressalta o presidente da Fecomercio/AC, Leandro Domingos.
De acordo com a Federação do Comércio do Acre, a União alega que quer a área para construção de casas do programa Minha Casa Minha Vida.

 

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