Haitianos reconstroem a vida em usinas de bioenergia de Goiás

O trabalho na lavoura de cana é debaixo de um sol de quase 40 graus e rotina vai das sete da manhã às cinco da tarde. No fim do dia, eles ainda têm energia de sobra e um sorriso no rosto de impressionar.

Jacky Delis diz que ainda não se adaptou completamente à mudança, mas que pelo menos agora tem um emprego e é isso que todos querem. Na frente de trabalho estão 10 haitianos, que ajudam a fazer o controle de doenças no campo. Com a ajuda de um facão, eles vasculham planta por planta em busca de algum sinal da broca da cana ou da cigarrinha da raiz, as duas pragas de maior incidência nas lavouras da região.

A 20 quilômetros dalí fica a base da usina de bioenergia em Goiás, localizada entre os municípios de Cachoeira Alta e Caçu. Outros 13 haitianos trabalham na indústria, situação bem diferente de dois anos atrás, quando a esperança parecia ter acabado depois do terremoto que devastou o país, deixando mais de 200 mil mortos e milhares de desabrigados.

Desde então, muitos haitianos têm buscado ajuda em outros países.

Em janeiro deste ano, o governo brasileiro optou por regularizar a situação de quatro mil haitianos no país. A decisão foi tomada depois que centenas de pessoas entraram de forma clandestina no Acre.

Ao chegar aqui, umas das maiores dificuldades foi com a comunicação. A maioria não fala português, só crioulo ou francês.

O menor salário é de R$ 622 por mês para o pessoal que lida com o campo. Serviço não falta. Neste período de entressafra da cana, o galpão fica cheio de máquinas esperando por uma revisão.

Quem chega com curso superior consegue um cargo melhor, mas todos têm carteira de trabalho assinada e direito a um seguro saúde. (G1)

Assuntos desta notícia

Join the Conversation